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A indústria em 2024

30.12.2024 - 11:36:06
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O ano de 2024 não será lembrado na história por representar um marco transformador da indústria brasileira ou muito menos por dar maior sentido para uma palavra nova que entrou na moda dos discursos e artigos dos pensadores da economia e mandatários, a reindustrialização. Passou longe do País sair da triste esteira da desindustrialização.
 
Vejamos alguns fatos de uma retrospectiva do ano: aprovamos uma reforma tributária às cegas para ajustá-la no escuro, sem ter sequer uma pessoa, especialista ou não, que possa garantir que o nosso atual “inferno tributário” deixará de existir ou se está apenas sendo atualizado.
 
Hoje, a reforma tributária é mais troféu político do que uma vitória econômica. Estamos trocando um modelo péssimo, pesado, ultrapassado, falho e injusto por um sistema incerto, arrecadatório, fiscalista, pesado – pois já nasce com uma das maiores alíquota de IVA do mundo – e sem a mínima noção que caminhamos, em uma década distante, para uma justiça tributária. De novo, um projeto de gabinete e de técnicos que pouco entendem a dor tributária do contribuinte. Pelo lado das expectativas e emergência que o tema carrega, foi um ano de decepção.
 
De positivo, temos um fortalecimento do brasileiro, que na dor enfrentada pelos irmãos do Rio Grande do Sul, em uma tragédia sem precedentes, se uniram em uma corrente de apoio poucas vezes vistas. O melhor do Brasil são os brasileiros, um povo diferente, que não tem em qualquer lugar do mundo, que se ama de norte a sul, que não deixa as diferenças regionais influenciarem seu espírito – muito pelo contrário, somos cada vez mais irmãos. Foi um ano também de amor.
 
Câmbio, taxa de juros, inflação e ajuste fiscal foram mais do mesmo. Ou seja, tudo pior. As taxas de juros caminhando para esmagar a economia produtiva, que ensaiou respirar e crescer; o câmbio fecha o ano em alta histórica, mostrando o quanto nossa moeda é frágil e revela o preço da nossa desindustrialização – hoje não se compra uma balinha no País sem ter um insumo importado no produto ou na embalagem; a inflação batendo na porta de todos, com alta de dois dígitos para alimentos, que afeta todos, principalmente a população menos protegida e que tem menor renda; e o nosso desastre fiscal, um monstro que se cresceu e engordou neste ano, que para se aprovar um pacote pífio tem de sangrar em bilhões no Legislativo onde se corta de tudo, menos despesas públicas. Mal se tampa um sol gigante com uma peneira minúscula.
 
O pior do Brasil é estarmos presos a modelos que sempre dão errado, mas insistem em repetir. Uma recorrência do atraso. Mas, se temos perdas, temos ganhos. E penso que a lamentação não combina com evolução.
 
Precisamos avançar. Entre dezenas de ganhos que alcançamos na Adial, em 2024, destaco a ampliação do diálogo com agentes públicos, principalmente no Estado, onde existe a compreensão que desenvolvimento beneficia a todos e se alcança com a industrialização – foi assim no mundo todo – e, principalmente, a adesão da nossa Adial no Pacto Global da ONU, que assinamos em Genebra, na Suíça, fortalecendo nosso apoio a plataformas de proteção social e ambiental, praticadas e defendidas pela entidade, e que temos a missão de agregar mais empresas.
 
Somos resilientes. Se aumentam as barreiras, aumentamos o trabalho. Vencemos mais um ano, confiantes, otimistas e conscientes que teremos de inovar sempre para evoluir. Que venha 2025.
 
*Zé Garrote é empresário e presidente do Conselho da Adial
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por Zé Garrote

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