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A ditadura da maternidade

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08.09.2011 - 13:31:05
 
“Não quero ter filhos”. Por incrível que pareça, essa frase, em pleno século 21, ainda causa estranhamento e muitas vezes agride as pessoas. Embora o livre arbítrio seja uma das nossas maiores conquistas, muita gente ainda não aceita uma mulher, especialmente casada, que não queira engravidar, parir e ter filhos.
 
Eu mesmo já me peguei tentando convencer amigas decididas a não terem filhos sobre as maravilhas da maternidade. “Filho é bom demais, não impede a gente de fazer nada, é só alegria.”
 
Em primeiro lugar, estou mentindo descaradamente. É claro que filhos são maravilhosos, depois de tê-los, inclusive, é impossível imaginar a vida sem. Mas filhos mudam nossas vidas, nosso foco, nossos objetivos.
 
Se antes deles tudo que você quer é viajar pelo mundo, depois deles a lista de prioridades muda. Comprar uma casa com jardim, escolher a melhor escola, fazer uma previdência, pensar muito no amanhã, encontrar uma praia calminha para passar as férias. Não que você nunca mais vai poder viajar pelo mundo, mas certamente ficará bem mais difícil.
 
Mas voltando à ditadura da maternidade. Tem gente que não quer filhos e pronto. Acho justíssimo, é uma escolha, um direito. Cada um vive a vida como acha melhor. Mas essa decisão incomoda e muito.
 
Para mim não tem balela maior do que as frases feitas que a gente vive lendo nas revistas: “toda mulher tem que ser mãe”, “Depois que meu filho nasceu, sou uma pessoa completa”, e por aí vai.
 
Em primeiro lugar, se a pessoa se sente incompleta, certamente não é a melhor candidata à maternidade. Acho uma sacanagem quem deposita toda sua felicidade nas costas de um filho. Ser mãe não fará de você uma pessoa diferente, como tanta gente acredita. Todos seus ocos e vazios continuarão, seus defeitos e qualidades também. Você simplesmente será mãe e isso, é claro, te trará muito amor e felicidade, mas também preocupações e menos liberdade.
 
Sim, liberdade.  Quem opta por não ter filhos está exercendo justamente a sua liberdade de escolha. A opção de não se sentir responsável por ninguém e poder fazer o que der na telha, quando e como quiser.
 
Tem gente que acha essas mulheres egoístas. Eu não. Egoísta para mim é quem tem filho para tapar buraco, segurar marido, para não ficar sozinha na velhice, para se sentir útil ou por carência.
 
Outras pessoas acreditam que essas mulheres falam que não querem ter filhos por falta de oportunidade e por isso são frustradas. É como colar uma etiqueta de incompetente em quem por acaso não se casou. E se casou não quis ou não pode procriar. 
 
Mas o fato é que nem todo mundo é igual. Nem todo mundo sonha com um bebê nos braços. Nem todo mundo quer colar aqueles adesivos ridículos de família feliz na traseira do carro. São essas decisões e escolhas que nos diferem dos outros animais. E principalmente, uns dos outros.
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por Bia Tahan

*Jornalista

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