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A COP30, o cerrado e o risco do ponto de não retorno

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07.11.2025 - 14:40:22
 
Precisamos falar da importância do Cerrado e dos riscos que o bioma atravessa. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, considerado o berço das águas do país, porque é responsável pela água de quase 70% das bacias hidrográficas nacionais e é por onde passa o aquífero Guarani, a segunda maior reserva de água doce subterrânea do mundo. Por isso mesmo, o bioma é um importante regulador do clima e do sistema de chuvas, no país, e ainda abriga 5% da biodiversidade global, além de e reter uma quantidade gigantesca de carbono armazenado. 
 
Não é pouca coisa e estas informações precisam chegar a um número cada vez maior de pessoas para que o Cerrado não desapareça. Hoje, o bioma está em risco iminente de atingir o ponto de não retorno, o que significa chegar no limite de dano irreversível, a perda da capacidade natural de recuperar o estado original, mesmo que as causas da destruição sejam interrompidas. 
 
O Cerrado já perdeu 51% da cobertura vegetal. De acordo com um levantamento do MapBiomas, a agricultura passou de 4 para 23 milhões de hectares, no Cerrado, entre 1985 e 2020. Agricultura e pecuária juntas ocupam 44% do bioma e são responsáveis por 98% do desmatamento, no território. 
 
As legislações têm negligenciado o Cerrado – que juntamente com a caatinga – não foi considerado patrimônio natural do Brasil, na Constituição de 1988, como fez com os demais biomas. O novo Código Florestal, em 2012, estabeleceu que as propriedades privadas podem desmatar 80% e preservar, como reserva legal, apenas 20% da cobertura vegetal do Cerrado. Uma relação inversa ao que foi determinado aos proprietários de terras na amazônia. 
 
Agricultura regenerativa
É indiscutível a importância da agropecuária goiana e brasileira para a produção de alimentos, exportações, equilíbrio da balança comercial e PIB nacional. Mas é preciso, mais do que nunca, que a agropecuária regenerativa se torne realidade, porque prioriza a recuperação e o fortalecimento dos ecossistemas e mais, aumenta a produtividade entre 2 a 4 vezes, em relação aos modos tradicionais de produção. 
 
A rotação de culturas e a preservação da cobertura vegetal restante são exemplos de agricultura regenerativa, porque mantêm a umidade e os nutrientes, previnem erosões e contribuem para a saúde do solo. Este equilíbrio natural diminui a necessidade de produtos químicos. 
 
Outro exemplo é a recuperação de pastagens degradadas, com o plantio de árvores nativas nos pastos, o que melhora e muito a relação boi por hectare, com aumento significativo na produtividade.
 
Para tornar possível a transição da agropecuária convencional para a regenerativa é preciso destravar o capital de financiamento e que esta prática possa ser fiscalizada e comprovada. 
 
O estudo “Cultivando a resiliência: um caminho viável para regenerar paisagens no cerrado brasileiro”, do Boston Consulting Group, em colaboração com o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável atesta que a agricultura regenerativa, no cerrado, pode impulsionar o PIB brasileiro em US$ 20 bilhões por ano, até 2050. Existe o potencial para que o cerrado se torne a primeira paisagem regenerativa, no mundo. Um cenário possível.
 
Outra boa notícia é que houve uma queda de 20,8% do desmatamento, nos 11 estados e no Distrito Federal, que compõem o bioma do Cerrado, entre agosto de 2024 e julho de 2025, de acordo com um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE. Esta conquista se deve ao aumento das ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA, que resultaram em 831autos de infração, com R$ 607 milhões em multa, nos últimos 12 meses.
 
O Cerrado e a COP30
A COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – começará na próxima segunda-feira, dia 10 de novembro, na cidade de Belém, no Pará, com a participação de presidentes de mais de 50 países. 
 
Importante lembrar que, no caso do Brasil, metade das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, tem origem no desmatamento e na agropecuária. O Brasil é o sexto maior emissor desses gases, no mundo. 
 
O Brasil é tido como um grande articulador global, já costurou acordos internacionais importantes na área do clima, e agora tem o grande desafio de convencer os demais líderes internacionais a respeitar o limite máximo de 1,5 grau de temperatura acima do período pré-industrial para salvar os 23 pontos de não retorno, em todo o mundo, Cerrado e Amazônia incluídos.
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