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“A Casag não tem recebido repasses da OAB-GO”, afirma presidente

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10.08.2015 - 10:21:40
 
João Unes e Sarah Mohn

 

(Foto: A Redação)

Confira abaixo o restante da entrevista concedida ao jornal A Redação:
 
Jornal A Redação: Qual o balanço que o senhor faz da sua gestão na Casag?
Júlio César do Valle Vieira Machado: Quando encontramos a Caixa, há uns dois anos, vimos que os advogados goianos e também do Brasil desconhecem o trabalho que a Caixa exerce em nome da advocacia, principalmente a goiana. Nós temos um trabalho muito forte no sentido de devolver ao advogado àquilo que a OAB cobra de anuidade.

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AR: Como isso é feito?
Nós devolvemos com carinho o dia a dia da família. Nós pensamos na cultura, angariando lazer e prazer. O prazer de estar com a sua família, ir ao clube no final de semana, de ir para Caldas Novas e poder utilizar o serviço do Hot Park pela metade do preço, poucos advogados sabem que a gente tem esse convênio. Ele tem a possibilidade de ir ao cinema com o preço bom, comprando antecipadamente o ingresso aqui. Nós temos uma gama de serviços, por exemplo, o de ótica. O laboratório que faz os nossos óculos é o mesmo que faz para a ótica mais cara e refinada de Goiânia, mas com 20%, 30%, 40% mais barato. O nosso papel aqui não é visar lucro para a instituição, mas devolver em carinho para o advogado aquilo que ele gasta com sua anuidade.
 
AR: A Casag presta um serviço social?
É respeito ao advogado acima de qualquer coisa. Aí nós vamos para a farmácia, também com desconto. Quando chegamos aqui, havia 600 advogados utilizando a farmácia. Hoje, temos mais 3400 advogados. Mas vamos para postos de gasolinas. Nosso parceiro, que é o Posto Xodó, recentemente, colocou um preço 28% mais barato para os advogados, em Goianira. Se fizermos um cálculo, com um tanque de gasolina por semana, ao final do ano ele já tem a anuidade de volta. Anuidade não é custo, é investimento. Nós temos também o auxílio maternidade, que é fantástico. Além de ela ter a sua anuidade de volta em valor cheio, ela recebe aula de shantala para aproximar mais ainda a criança da mãe. Temos seguradora, temos o nosso centro de serviço com inclusão digital, telefonia, farmácia, ótica, livraria. Nós temos convênio com restaurante, com clubes, hotéis, lavanderias, empresas de limpeza doméstica, salão de beleza, massagem. Isso tudo nós temos no nosso site. Casag é séria e tem desenvolvido um ótimo trabalho, prestação de serviço qualificada.
 
AR: O senhor acha que os advogados em Goiás desconhecem o serviço prestado pela Casag?
Em sua grande maioria, sim, infelizmente.
 
AR: Por que? Falta de interesse deles?
Não é falta de interesse. A nossa vida é muito corrida. Não podemos culpar o advogado. No mínimo, ele tem que ler um artigo por dia, os jornais diários, ele tem que ouvir as notícias, ser antenado a tudo. Isso demanda muito tempo. Atender clientela, família, acompanhar processo. O advogado tem uma vida muito estressante. E fazer com que o advogado entre na página da Caixa, às vezes, só quando ele está necessitando.
 
AR: A Casag, na sua opinião, é o maior órgão ligado à OAB?
É o braço assistencial da OAB, sem dúvida. É o braço que consegue chegar ao advogado seja ele quem for. Desde o início até o fim da carreira, a Caixa se faz presente com o auxílio funeral. Infelizmente, pagamos esse auxílio funeral com tristeza, pois é menos um colega que temos na vida, mas pagamos com tranquilidade, pois damos um aconchego à família.
 
AR: A Casag tem recebido regularmente os repasses da OAB?
Não.
 
AR: Por quê?
Eu acho que essa pergunta deveria ser dirigida  ao presidente tampão (Enil Henrique de Souza Filho).
 
Ar: Desde quando?
Desde o início da nossa gestão, nós tivemos certa dificuldade. Embora o (ex)presidente Henrique Tibúrcio, no seu compromisso conosco, garantiu que ficaria integralmente em dia, o diretor financeiro (na época, Enil Henrique) nunca cumpriu e nos causou até um certo embaraço. Tive que reclamar com o presidente Henrique diversas vezes pela falta de repasse. O repasse era feito sempre com um ano de atraso.
 
AR: Então, o problema vem desde que o presidente Enil era tesoureiro?
Sim, ele é ciente disso. Ele nunca fez o repasse no tempo certo, não fez o compartilhamento como deve ser feito com ordem do Conselho Federal. Não faz os repasses nos percentuais corretos e não passa informação necessária. Atrasamos nossa prestação de contas por falta de informação da própria Ordem.
 
AR: O senhor acredita que haja alguma indisposição do atual presidente com a Casag?
Eu acho que não, porque ele até se diz caixista por ter sido diretor financeiro aqui. Eu não vejo o espírito caixista nele. Eu acho que é questão de gestão. Ele prefere talvez utilizar o dinheiro em outro projeto político da instituição, do que fazer obrigação estatutária.  Quando ele deixa de fazer o repasse não é ao presidente. É aos próprios advogados que utilizam o serviço da Caixa. Quando deixa de fazer o repasse ele desrespeita o direito estatutário e constitucional de todos os advogados. Estamos juntando daqui e dali para podermos cumprir com nossas obrigações, pois não recebemos o repasse referente a 2015.
 
AR: O presidente Enil ignora a Casag?
Não posso dizer que ignora, mas até agora não cumpriu o pagamento. Pode ser que ele cumpra. Ele até fez uma proposta de parcelamento de outubro, novembro.
 
AR: Qual o valor que a Caixa tem para receber atualmente da seccional?
Tem o valor de 20% sobre o faturamento das anuidades. Não tenho como te precisar, porque ele (Enil Henrique) não conseguiu passar nem qual é o valor recebido. Não sabemos quanto a Ordem recebeu para poder calcular quanto nós vamos receber. Até nossa prestação de contas, quando chegar ao Conselho Federal, vai ficar prejudicada.
 
AR: Quais são as outras formas de arrecadação da Casag?
Nós temos os nossos serviços e o plano de saúde, que foi um dos benefícios que eu esqueci de dizer antes.  Quando assumimos a Caixa, tínhamos 10 mil vidas. Hoje, nós nos aproximamos de 20 mil vidas. Nós dobramos na assistência do plano de saúde, Casag- Unimed. Esse plano não nos deixa um residual, porque nós não visamos lucro com ele. Mas através dele temos outros benefícios que nós vendemos, como a ótica, tem um percentual ali, mas é para pagar os funcionários.
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por Adriana Marinelli

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