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A Bolsa subiu 10%, caiu 20%? E daí?

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18.08.2011 - 17:13:20

 

Um amigo muito próximo e que é especializado no mercado de ações me diz sempre o seguinte: “Quando as pessoas da família ou o meu dentista começam a perguntar se é um bom momento para comprar ações, é porque é hora de vender”. Ele se refere, evidentemente, ao fato de que as pessoas sempre compram na alta, quando a Bolsa sobe, e vendem na baixa. Para variar, quando o mercado começa a desabar vem o medo de perder tudo e se acaba vendendo por valores bem abaixo dos aplicados. O resultado é, quase sempre, prejuízo. Isso só mostra que falta ao brasileiro a cultura de que comprar ações é um bom negócio, mas no longo prazo.
 
Mas, voltemos às oscilações malucas da Bolsa aqui e lá fora. A maioria das pessoas pensa assim: eu nem ligo para isso, pois meu dinheiro está guardadinho na caderneta de poupança. É, meus amigos, também nessa forma de pensar é preciso ao brasileiro maior cuidado. O movimento das bolsas nada mais é que a representação de como andam as coisas na vida real. Se Obama está por baixo, sem credibilidade, se uma nova guerra surge no horizonte, se um país quebra em meio às dívidas impagáveis, as bolsas desabam. Refletem, portanto, que algo não vai bem. Daí, não adianta você ter o dinheiro na poupança ou no colchão. Os sinais estão te mostrando que as vendas podem cair, que pode haver inflação, desemprego e que isso vai afetar todo mundo, ainda que em menor grau.
 
O contrário também é proporcionalmente verdadeiro. Se um ditador cai, se uma economia anuncia ótimo desempenho, se uma fusão de grandes empresas é anunciada, tudo isso mostra que a economia e o mundo político vão bem. Se as coisas estão bem, então a Bolsa representa isso com curva de alta.
 
Quando a Bolsa sobe ou desce, portanto, convém que você procure entender os porquês e, claro, busque de alguma forma se proteger de algum solavanco iminente ou aproveite para surfar numa onda de prosperidade.
 
Mas cuidado. Além desses fatos reais, há os especulativos. Sim, no mundo existe uma dúzia de mega-especuladores que fazem literalmente apostas para ampliar suas fortunas. Despejam quantidade monstruosa de dinheiro numa ponta de negócio e agem de todas as formas com e sem escrúpulos para não perder. São exatamente as pessoas que gostam de comprar suas ações quando você se apavora com as quedas ou as mesmas que plantam factóides para criar falsas expectativas. A força dessa gente é tão grande que consegue manipular cenários e curvas, tudo em nome do lucro.
 
Por tudo isso é que o trabalho da BM&FBovespa em popularizar o mercado de ações, ainda mais num momento como esses, é tão complexo. É difícil, mas não é impossível. Os economistas especialistas no assunto sempre propõem cautela. Recomendam as ações em doses pequenas, a partir de economias sobre as quais não haverá precisão no curto prazo. Além disso, diga-se, tal qual a Bolsa informa, é preciso saber que o investimento é de risco. Pode dar bons dividendos pelo desempenho das empresas, pode dar lucro na venda. Mas é preciso calma, frieza, distribuição do dinheiro por vários setores. Ações são boa forma de construir um patrimônio, mas podem redundar em enorme prejuízo e dor de cabeça para afoitos e para os que não se informam minimamente sobre o assunto.
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por Eleno Mendonça

*Jornalista e publicitário. Trabalhou no Estadão, Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. É diretor de Comunicação e Relações Governamentais na DPZ Propaganda

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