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Lixo, como te amo

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03.07.2014 - 08:40:12

Goiânia – Gente, quanto descuido, quanto lixo espalhado por Goiânia! Montes de restos de poda se espalham pelas esquinas, e como estão ali há meses, acabam “convidando” um pessoal meio folgado a aumentar a bagunça, jogando seus próprios restos: copos descartáveis, garrafas PET, sacolas plásticas e mesmo sacos de lixo em cima da pilha. É culpa da prefeitura? É. Mas não só.

A grande geração de resíduos da sociedade de consumo cria um dos maiores desafios da cidade contemporânea: sua destinação correta. Em 2012, o Brasil coletou 350 quilos de resíduos sólidos urbanos por cabeça, no ano todo. Dá quase 1 quilo por dia! Em Goiânia, o dado é que, diariamente, a população gera 1,2 mil tonelada.

Já na maior cidade do país, a prefeitura paulistana parece que finalmente resolveu agir, e criou em abril seu Plano de Resíduos Sólidos. Um dos objetivos da gestão de Fernando Haddad (PT) é reduzir de 98,2% para 20% o volume de lixo destinado a seus aterros sanitários, nos próximos 20 anos. Além de aumentar a reciclagem, quer que as pessoas reaproveitem os resíduos orgânicos dentro de casa e, para isso, começou a distribuir composteiras gratuitamente, em um projeto piloto. Muito interessante!

Mas o que vêm a ser essas tais composteiras? Como o próprio nome indica, trata-se de um aparato usado para fazer “composto”. Nele, se deposita restos de comida, cascas de fruta, borra de café e otras cositas más, para que sejam digeridos por bactérias (e minhocas, para quem topar) e se transformem em adubo para plantas. Já falei disso aqui, mas faz tempo e não custa repetir um tema tão importante como esse. Se você composta seus resíduos orgânicos, reduz pela metade o lixo que lança porta afora.

Vale também lembrar que a coleta seletiva municipal, em Goiânia, está devagar quase parando. É uma tremenda perda para a sociedade, pois quem já havia aderido à separação dos resíduos, volta a jogar tudo no lixo comum. E as cooperativas que recebem e encaminham os recicláveis para a indústria ficam sem matéria-prima para comercializar. Outra consequência é o visível aumento no número de catadores puxando seus carrinhos pelas vias congestionadas, um trabalho para lá de degradante.

Mas temos alternativas para assumir o controle e a responsabilidade sobre o lixo que geramos. Além de buscar reduzi-lo, podemos levar os recicláveis para redes varejistas que possuem há muitos anos programas de coleta seletiva. Outra opção é destiná-los para a Associação de Combate ao Câncer em Goiás (AACG), que também há bastante tempo faz a triagem e vende material reciclável para beneficiadores. Se você mora em condomínio e junta uma grande quantidade, eles vão até você. Nesse caso, será preciso arrumar um canto na área comum para acumular cerca de 60 quilos de material – quantidade mínima que eles solicitam. Claro, também será preciso todo mundo cuidar muito bem do seu lixo, deixando-o o mais limpinho e compacto possível. Se quiser, liga lá: (62) 3565-2911.

Aqui, a Prefeitura começou a elaborar seu Plano de Resíduos Sólidos somente no último mês de março (deveria tê-lo concluído em agosto de 2012, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS). O que podemos esperar?

Devemos nos atentar, de todo modo, ao que será apresentado. Se a PNRS tem um defeito, ele é o de prever a incineração como solução para os resíduos. Mas pense comigo: se surge uma indústria cujo objetivo é vender energia gerada a partir da queima do lixo, lhe interessará queimar todo e qualquer material que chegar até ela, certo? Inclusive os recicláveis. Com isso, a indústria da reciclagem corre risco de ficar sem matéria-prima e sair prejudicada. E por que a indústria de reciclagem é melhor que as incineradoras e deve ser, ao contrário, promovida? Basicamente, porque ela reaproveita recursos já retirados da natureza. Vai dizer que queimar é bom?

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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