Logo

Alta do carro novo leva consumidor para o usado

WhatsAppFacebookLinkedInX
18.05.2014 - 11:09:34

São Paulo – Alta de preços e fim do crédito farto derrubaram em 4,5% as vendas de automóveis e comerciais leves novos no primeiro quadrimestre. No segmento de usados, o resultado é inverso, com crescimento de 5% nos negócios. Como resultado, a relação entre número de carros usados vendidos para cada novo voltou à média considerada histórica de três por um, que não era registrada desde 2007, e as lojas reclamam de falta de produtos.

Apesar da melhora nas vendas, que de janeiro a abril somam 3,049 milhões de veículos (sem caminhões e ônibus), os preços dos usados seguem em trajetória de desvalorização. Segundo o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, o preço dos carros novos teve alta de 4% a 5% neste ano, porcentuais que não foram acompanhados pelos seminovos.

Vítor Meizikas, analista de mercado da consultoria Molicar, diz que, apesar da forte concorrência, as montadoras repassaram ao consumidor parte do aumento em razão da alta do IPI em janeiro e da inclusão de airbag e freio ABS em vários carros. Já os usados não conseguiram acompanhar o movimento, ampliando assim a distância de preço para o zero-quilômetro.

Nos modelos mais caros, a depreciação é maior. Para comprar hoje um Fiat Bravo Absolute, que custa R$ 62 mil, o dono de igual versão com dois anos de uso precisa desembolsar mais R$ 15 mil. Para um Gol 1.0, a diferença é de R$ 6,7 mil (mais informações no quadro acima).

Meizikas ressalta que a desvalorização do usado se acentuou nos últimos anos em parte por causa da facilidade de se adquirir o novo e em parte pela rapidez com que os carros são atualizados. "A velocidade com que as montadoras renovam seus produtos é muito maior."

O advogado Valdecir Furlan, de 59 anos, adquiriu um utilitário Mitsubishi Outlander 2010, com 15 mil km rodados, por R$ 75 mil. A versão zero custa quase o dobro, R$ 140 mil. "A vantagem do usado é que já teve a desvalorização inicial e muitas vezes é mais completo do que uma versão básica nova." Furlan pesquisou muito antes da compra, pois estava difícil encontrar o que queria.

De acordo com Meneghetti, a menor oferta de usados também decorre da decisão das locadoras, tradicionais fornecedoras desses produtos, de segurar carros da frota antiga em razão de uma suposta demanda durante a Copa. "Depois elas vão desovar esses modelos." Munir Faraj, dono da Trans-am, loja de seminovos na zona norte de São Paulo, enfrenta dificuldades em conseguir modelos, especialmente na faixa de R$ 40 mil a R$ 70 mil.

"O mercado não está bombando, mas vende bem e não tenho conseguido repor estoques, pois as concessionárias não têm produtos para repassar."

Escassez 
O diretor da revenda Chevrolet Palazzo, Wilson Goes, confirma que, em razão da queda nas vendas dos novos – que neste ano somam 1,05 milhão de unidades até abril -, o usado fica escasso, pois normalmente entra na loja como parte do pagamento do zero. "Hoje compramos seminovos mesmo que não faça parte da negociação de um novo, o que não fazíamos há mais de três anos", diz Goes.

O estoque de usados na loja gira em torno de 20 dias, quando o normal é de 35. Já os estoques de novos dão para 40 dias de vendas, e o ideal seriam 30. "O usado é alavanca do zero. Se o consumidor não compra o zero, não entra usado na troca", afirma o presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Ilídio dos Santos. Para ele, o mercado de usados só não está melhor por causa da falta de crédito. "Se a restrição dos bancos é forte para o financiamento de novos, imagine para os usados."

Há três anos, 70% das vendas do segmento eram financiadas. Hoje, são 40%. Muitos clientes dos seminovos dão um carro mais antigo na troca e pagam a diferença à vista. "Muitos também têm comprado o usado com carta de crédito do consórcio", diz Ilídio. Ele espera crescimento de 6% a 7% para o mercado total de usados neste ano, previsão similar à da Fenabrave. Em 2013, foram vendidos 9,43 milhões de automóveis e comerciais usados. Metade dos negócios, segundo Meneghetti, é feita de consumidor para consumidor, principalmente de versões mais antigas. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Yuri Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Negócios
29.09.2026
SuperAgos 2026 supera projeções, bate recordes e movimenta mais de R$ 350 milhões em negócios

A Redação Goiânia – A SuperAgos 2026 encerrou sua 23ª edição superando as expectativas e confirmando a força do encontro promovido pela Associação Goiana de Supermercados (AGOS). Realizada entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia, a feira contabilizou mais de 22 mil acessos nos três dias, reuniu profissionais ligados […]

Talentos
29.09.2026
No comércio varejista, gente virou o novo ativo do negócio

Fernando Dantas Especial para o jornal A Redação Goiânia – Manter bons profissionais no quadro da empresa deixou de ser apenas uma preocupação do departamento de Recursos Humanos e passou a ser uma questão diretamente relacionada à produtividade e aos custos do negócio. Pesquisa global do Wellhub, realizada com 1.515 líderes de RH e benefícios […]

Jardim Ingá
25.09.2026
Dia do Cooperativismo de Luziânia terá serviços e lazer gratuitos

A Redação Goiânia – A comunidade do Jardim Ingá, em Luziânia, recebe neste sábado (26/9) a terceira edição do Dia do Cooperativismo. O evento será realizado das 8h às 12h, na Avenida Lucena Roriz, com uma programação gratuita voltada à população. Realizada pelo Sistema OCB/GO, a iniciativa reúne as cooperativas Cresol, Sicoob Unicentro Br, Sicredi Luziânia, […]

Negócios
24.09.2026
GWM Navesa inaugura nova unidade em Aparecida de Goiânia

A Redação Goiânia – A GWM Navesa inaugura nesta quinta-feira (24), em Aparecida de Goiânia, uma nova unidade na Avenida Rio Verde, Quadra 44, Lote 5E, na Vila Rosa. A operação amplia a presença da marca na Região Metropolitana de Goiânia e terá estrutura voltada ao atendimento, apresentação dos veículos e serviços da concessionária. A inauguração […]

Eleições 2026
17.09.2026
Marconi defende ações para evitar fuga de indústrias goianas após fim de incentivos fiscais

A Redação Goiânia – Candidato do PSDB ao governo de Goiás, Marconi Perillo afirma que a prioridade do Estado deve ser evitar a saída de indústrias já instaladas, diante do fim previsto dos incentivos fiscais. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), na quarta-feira (16/9), com […]

Expoind
16.09.2026
Inscrições abertas para rodadas de negócios entre indústrias goianas e o mercado internacional

A Redação Goiânia – Indústrias goianas interessadas em conquistar novos mercados no exterior já podem se inscrever para participar das rodadas de negócios internacionais que serão realizadas durante o 13º Encontro Internacional de Comércio Exterior (Eice), promovido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). As rodadas vão ocorrer […]

Negócios
14.09.2026
SuperAgos 2026 projeta crescimento de 10% e reúne mais de 200 marcas em Goiânia

A Redação Goiânia – A capital goiana recebe a 23ª edição da SuperAgos 2026, entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia. O evento conta com mais de 200 marcas, presença de grandes indústrias e multinacionais, programação de conteúdo com nomes reconhecidos nacionalmente e expectativa de crescimento de aproximadamente 10% […]

Empreendedorismo
12.09.2026
Família venezuelana une superação e talento ao criar chocolateria artesanal em Goiânia

Hector de Souza Goiânia – O início de uma nova jornada move pessoas ao redor do mundo, e a história de Lauris Barrera não é diferente. Imigrante venezuelana, Lauris se mudou para o Brasil em 2018 em busca de independência e com o objetivo de ter o próprio negócio. A aposta arriscada e ousada resultou […]