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Onde tudo pode ir para o saco na Copa

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19.03.2014 - 15:25:09

Goiânia – Ando apreensivo com a chegada da Copa do Mundo. Suas implicações sociais com o tal do legado que não teremos, os gastos públicos que estamos fazendo e que não foram combinados com o povo anteriormente (afinal, o evento nos foi vendido como a Copa da iniciativa privada, o que sabemos que não está acontecendo), a possibilidade da reedição dos protestos de junho do ano passado em 2014 e o que isso pode reverberar nas eleições de outubro são questões que me deixam com a pulga atrás da orelha.

Por outro lado, ando também pensando no que pode acontecer dentro de campo. Torço muito para que o Brasil seja campeão. Mas muito mesmo. Simpatizo com o Neymar e espero que ele se transforme em mito no Maracanã lotado para a final.

Além disso, preciso confessar que também tenho meus traumas com o Maracanzo. É viva em minha memória a descrição dolorida de meu avô sobre a fatídica final contra o Uruguai, em 1950. Ele morava no interior do Paraná e tinha quase 21 anos. Saiu do trabalho e foi para a casa de meu bisavô. Eles almoçavam enquanto ouviam o jogo pelo rádio. No momento do segundo gol uruguaio, ele não aguentou e vomitou o que estava comendo. Não sei quantas vezes ouvi essa história. Não quero ter uma similar para contar para meus netos.

Mas o que pode dar errado com nosso time? Quem pode ser o Ghiggia (autor do gol que sepultou o sonho do título brasileiro em nossa terra) de 2014? Em um esforço de elocubração, listo abaixo os cinco maiores riscos que a Seleção Brasileira corre nessa Copa do Mundo:

1) Cristiano Ronaldo – não é segredo para ninguém que a Seleção Portuguesa é um conjunto de dez caras com a camisa vermelha mais Cristiano Ronaldo. Tenho medo de que o cara devore a bola, como vem devorado, com a mesma intensidade que se interessa por participantes do Miss Bumbum. Ver o metrossexual mais talentoso do futebol mundial levantar a taça no Maracanã seria barra;

2) Argentina de Messi – diferentemente de Portugal, a Argentina tem uma equipe de respeito com um craque descomunal, Messi. Perder a Copa do Mundo para os vizinhos seria a reedição de 1950, só mudando o hermano que provocaria a tragédia;

3) Um novo Rossi ou Zidane – trombar novamente com um gringo que resolva desencantar em cima do time brasileiro seria dose. Já basta de gente que “mitou” em cima do escrete canarinho ao longo da história;

4) Ser eliminado pela França – o país da Torre Eiffel é o maior carrasco do Brasil em Copas do Mundo. Já nos tirou do torneio três vezes (1986, 1998 e 2006). Em seguida, Holanda (1974 e 2010) e Itália (1938 e 1982) são os nossos maiores algozes. Fazer com que o craque francês Franck Ribéry atinja o status de Platini ou Zidane seria dolorido;

5) Neymar se machucar e não jogar a Copa – é claro que o Brasil tem mais jogadores que podem decidir uma partida, mas é consenso que o único, digamos, diferenciado da Seleção é Neymar. Não contar com o nosso camisa 10 por conta de lesão diminuiria bastante nossa chance de levantar o caneco.

Espero sua contribuição aí nos comentários sobre quais são seus receios acerca do que pode dar errado dentro das quatro linhas, caro leitor.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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