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Alemão mostra violência claustrofóbica

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14.03.2014 - 16:02:07
Goiânia – Estreou na quinta-feira (13/3) nos cinemas de todo Brasil o filme Alemão. Falta de oportunidade para assistir ao longa do brasiliense José Eduardo Belmonte não é desculpa: afinal, são 350 cópias espalhadas país afora desse blockbuster – número que pode ser considerado bem expressivo.
 
A história se passa na iminência da ocupação do Complexo do Alemão e suas 15 comunidades pela polícia e Forças Armadas, em 2010, com o objetivo de instalar a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no seu centro, o Morro do Alemão. Cinco policiais infiltrados que estão coletando informações são descobertos. Grande parte do filme se passa no esconderijo, no subsolo de uma pizzaria, que eles ficam para escapar da perseguição que o chefe do tráfico empreende.
 
Vinculado à uma tradição do cinema brasileiro que tem como maiores representantes Tropa de Elite e Cidade de Deus, Alemão inova pelo claustrofóbico ambiente onde a trama se desenrola e também por trazer relacionamentos amorosos para o centro da história. No minúsculo espaço onde os atores contracenam, toda tensão que os policiais vivem se desenrola e consegue prender a atenção do público, garantindo emoção até o final da obra.
 
Com elenco de várias estrelas globais do porte de Caio Blat, Antônio Fagundes, Otávio Müller e Cauã Reymond, o filme mescla imagens reais das cenas da ocupação do complexo, mesmo se esquivando do compromisso com a realidade logo na abertura, lembrando ao público que se trata de uma ficção. A trilha sonora é bem sacada, com vários funks cariocas se vinculando à trama – o que não poderia ser diferente, pois o pancadão é a música oficial das favelas cariocas.
 
Em alguns momentos, o filme se encosta em esteriótipos, como a do policial vocacionado ou o bandido vaidoso, mas é injusto dizer que ele cai no maniqueísmo. Na maioria das vezes, a trama consegue dar conta da complexidade humana que envolve momentos de heroísmo e mau-caratismo na mesma pessoa.
 
Alemão é uma obra-prima? Definitivamente não. Mas como em terra de cego quem tem um olho é rei, frente à enxurrada de besteirol imbecilizante que marca o cinema comercial brasileiro atual, o filme mantém sua dignidade e não faz feio perante os demais blockbusters tupiniquins. Se a intenção é pegar um programa interessante no final de semana e sair do cinema sem a sensação de estar mais burro, o filme é uma boa opção.
 
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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