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Vamos falar sobre Cuba?

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06.02.2014 - 21:37:31

Cuba voltou à pauta nacional com o pedido de refúgio da médica Ramona Matos Rodrigues. Toda vez que a palavra Cuba é citada no noticiário, me bate uma preguiça lascada. Tem início outro Fla x Flu onde a racionalidade fica longe.

A impressão que dá é que para determinada parcela da população brasileira, o nome do país é sinônimo de paraíso, céu ou qualquer outra coisa que tenha relação com o divino. Para outra parcela, imediatamente se relaciona ao inferno, às bestas do apocalipse invadindo a Terra levando pânico e horror. Um maniqueísmo bobo, chato e que joga uma neblina na hora de tentarmos enxergar a questão de um ângulo mais amplo.

Somente a cegueira ideológica não permite ver que é um absurdo sem tamanho alguém não ter o direito de sair de seu País ou trabalhar onde desejar. Tenho como princípio que ninguém pode ser obrigado a viver onde não queira, a trabalhar onde não queira. Não há a menor razoabilidade de defender algo que não respeita o direito maior do ir e vir do ser humano. Qualquer tipo de prisão política é inaceitável. E dizer isso não significa que eu sou capacho dos Estados Unidos ou capitalista sanguinário.

Por outro lado, novamente só a cegueira ideológica pode impedir a percepção de que Cuba inegavelmente exibe índices sociais na saúde e educação superiores aos seus vizinhos caribenhos. Por exemplo, as taxas de analfabetismo e mortalidade infantil na ilha comandada pelos irmãos Castro há mais de meio século são reconhecidas pela ONU como referências para a região. É elementar que se comparada aos países do topo da tabela de desenvolvimento humano, Cuba está distante. E por isso que o justo é colocar a realidade cubana em perspectiva diante dos países que estão ao seu redor. E dizer isso não significa que sou capacho de Fidel Castro ou comunista sanguinário.

Temos que tentar ser mais maduros e menos passionais quando tratamos de Cuba. A experiência que o País vive a mais de meio século é singular no mundo e por isso atrai tanta torcida: contra e a favor. E tome radicalismo de tudo quanto é lado. E tome discurso inflamado de tudo quanto é lado. E tome coração de tudo quanto é lado.

Enquanto tratarmos Cuba igual ao time que amamos ou detestamos, vamos sempre nos portar como torcedores de arquibancada e não como analistas de uma experiência super particular. E é exatamente por isso que o país merece nossa atenção. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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