São Paulo – A Bovespa fechou esta quinta-feira, 23, no menor patamar desde 7 de agosto do ano passado, com queda de quase 2% em meio à aversão ao risco que se abateu sobre os mercados emergentes depois da divulgação de dados fracos da atividade industrial da China. As fortes perdas das bolsas de Nova York também contribuíram para a fuga dos investidores de ativos considerados arriscados.
No fim da sessão, o Ibovespa caiu 1,99%, para 48.320,64 pontos, na mínima do dia. Na máxima, atingiu 49.598 pontos (+0,61%). No mês de janeiro e no ano, a Bovespa acumula queda de 6,19%. O volume de negócios totalizou R$ 6,805 bilhões. A Bovespa tem registrado um início de ano difícil, em meio ao pessimismo com a situação econômica do Brasil.
O Ibovespa registra queda de 21,16% em 12 meses. Em artigo enviado nesta quinta para investidores, a gestora Pimco, que tem o maior fundo de bônus do mundo e vem reduzindo sua exposição a papéis brasileiros, disse que o conjunto equivocado de políticas econômicas usadas pelo Brasil para estimular a economia precisa passar por mudanças dramáticas. "O ambiente no País para estrangeiros vem sendo caracterizado por tudo, menos por ordem e progresso", ressalta a empresa.
No fim da manhã, a Bovespa ensaiou uma recuperação conduzida por compras de ocasião principalmente pelos investidores locais, à medida que cresceu a percepção de que a prévia da inflação oficial (IPCA-15) abaixo do piso das estimativas em janeiro abriu espaço para um ritmo menos agressivo de alta dos juros básicos (Selic).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,67% em janeiro, após subir 0,75% em dezembro. Mas o pessimismo voltou a imperar nos negócios durante à tarde, enquanto as bolsas de Nova York registravam quedas superiores a 1%.
A onda de vendas no mercados acionários foi impulsionada pelos números da atividade industrial da China e dos EUA. Segundo o HSBC, o índice de atividade industrial dos gerentes de compras da China caiu para 49,6 na leitura preliminar de janeiro, de 50,5 em dezembro.
Já o PMI preliminar de janeiro do setor industrial dos EUA, medido pela Markit, recuou para 53,7, de 55,0 em dezembro. A aversão ao risco se propagou para os mercados emergentes por conta da Turquia e Argentina. Na Turquia, houve intervenção direta do banco central do país no mercado, vendendo dólares aos bancos, enquanto na Argentina, o banco central deixou o câmbio livre para flutuar.
Só para citar um deles, o peso argentino sofreu uma mega desvalorização nos últimos dois dias e ameaça a competitividade do real. O dólar oficial fechou com alta de 12% ante o peso argentino, a 7,96 pesos (compra) e 8,010 pesos(venda), mas, durante o dia, chegou a ser negociado por 8,70 pesos. No mercado paralelo, a cotação ficou em 12,70/12,75.
No Brasil, o dólar terminou cotado em R$ 2,4000 (+1,31%), a maior cotação desde 22 de agosto de 2012. No setor corporativo, as ações da Petrobras, Vale e bancos tiveram fortes quedas. Petrobras PN (-2,34%), Petrobras ON (-2,30%), Vale ON (-2,77%) e Vale PNA (-2,63%). Entre os bancos, Banco do Brasil (-4,23%), Itaú Unibanco PN (-1,98%), Bradesco PN (-2,26%).(Agência Estado)