Juca Vasconcelos
Goiânia – A Paróquia Nossa Senhora da Rosa Mística recebeu um público diferente na noite desta terça-feira (17/12). Com a igreja lotada, o padre João Bona, pároco da Rosa Mística, recebeu a Orquestra Filarmônica de Goiás, para a apresentação de encerramento da temporada 2013.
Regida pelo maestro Eliseu Ferreira, a Filarmônica executou a Nona Sinfonia de Beethoven. Foi a segunda vez que esta sinfonia foi executada com todos os seus movimentos em Goiânia.
"É sempre muito bom receber a Filarmônica. Se não me engano já é o segundo ano que eles tocam aqui", explica o responsável pela Paróquia. De acordo com o padre, a igreja está sempre aberta a concertos culturais e de caráter humanista, independente de religião.
Impressões
A professora de piano Rosa Ophelia, foi uma das primeiras a chegar e estava sentada na primeira fileira, junto com seu esposo. "Vim hoje pela orquestra. Nunca assisti a uma apresentação deles. Como professora de piano não poderia deixar de perder a Nona Sinfonia", comentou.
Alessandro Borgomanero é o Diretor Artístico da Filarmônica de Goiás e fez uma avaliação positiva da temporada. "Foram 45 apresentações ao longo do ano. Fizemos todos os teatros da capital, e com concertos didáticos , para um público que não é tão entendedor de música clássica", destacou. Para ele, uma temporada como essa é fruto de apoio financeiro e político.
"Queremos que esse se torne o padrão de todas as temporadas, e possamos ser uma Orquestra que uma cidade do tamanho de Goiânia merece", afirmou, Alessandro, que é italiano e mora na capital há 15 anos.
Reflexões
Eder Thomaz é professor de yoga e aos 47 anos tenta acompanhar as apresentações de música clássica na capital e em Brasília. Ele contou que é a primeira vez que assiste a uma orquestra tocar em uma igreja aqui em Goiânia.
"Já tinha visto em Brasília", disse."Não sei o que vão tocar, mas é sempre bom ouvir música clássica, e no final do ano que é uma época de reflexão, a música sempre contribui", completou.
Eliseu, o maestro, também comemorou o êxito da temporada. "Foi um ano muito importante para a Cultura em Goiás. Foi a primeira vez em muito tempo que já começamos o ano com o calendário definido", comentou. "Viramos referência nacional, acho que essa temporada vai servir de base para os próximos anos", completou.
Futuro
Eliseu comanda a Filarmônica desde 2012, mas já teve outras duas passagens, entre 1999 e 2003 (ainda como Orquestra de Câmara Goyazes), e de 2008 a 2011. A partir de 2014 deixa a Filarmônica e dará lugar a um maestro inglês.
"A Orquestra precisa dar um salto, para se tornar referência internacional. Para isso precisamos de uma pessoa de renome mundial. Isso acontece a partir do ano que vem", finalizou.
Tradição
Os amigos Éber Marques de 23 anos e Brisa Xavier de 18 foram prestigiar o trabalho de alguns amigos que tocam na Filarmônica. Ele é musicoterapeuta e ela estuda Artes Cênicas. E foram também pela curiosidade de ver uma orquestra tocando em uma igreja. "Antigamente era muito comum ver orquestras nas igrejas, mas atualmente nós vemos mais nos teatros", afirmou Éber. Brisa completou dizendo que é um resgate às tradições e cultura da música clássica.
Para Natanael Ferreira, esse é um palco comum. O jovem de 19 anos é músico e toca viola clássica. Ele mora em Amsterdã, onde estuda música. "Pretendo seguir carreira como músico", afirmou. Segundo ele, na Europa essa é uma prática muito comum. "As pessoas tem medo de ir ao teatro, a orquestra na Igreja é bom, traz a música clássica para um ambiente que não deixa as pessoas receosas, e elas podem aproveitar melhor uma música de qualidade", finalizou.
A próxima apresentação da Orquestra Filarmônica de Goiás será em 20 de março de 2014, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde serão apresentadas obras de Tchaikovsky.