Mônica Parreira
Goiânia – Mara Rúbia Guimarães, de 27 anos, está com muito medo e desesperada. Esta foi a definição que a presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, a vereadora Cristina Lopes (PSDB-GO), deu ao comportamento da mulher ao saber que seu ex-marido, Wilson Bicudo da Rocha, foi solto pela Justiça nesta quarta-feira (13/11).
Wilson é suspeito de agredir a ex-esposa, com quem foi casado nove anos e teve um filho. Durante as agressões, ela chegou a ter os olhos perfurados. O homem se apresentou à Polícia Civil no dia 19 de outubro, três dias depois da delegada Ana Elisa Gomes Martins finalizar o inquérito, indiciando o réu por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

Segundo a vereadora, que acompanha o caso de perto, houve um conflito de entendimento na tipificação do crime.
"O juiz concordou com o inquérito policial, entendendo a existência da tentativa de homicídio, e por isso fez o pedido de prisão preventiva, para garantir a segurança da vítima. Já a promotoria alegou que o caso deveria ser classificado como lesão corporal grave", explicou em entrevista ao jornal A Redação.
Leia mais:
Juiz solta homem que furou olhos de ex-mulher
"Hoje (quarta-feira), o procurador-geral Lauro Machado de Freitas se posicionou concordando com a promotoria. Acontece que a Mara teve os olhos perfurados, foi torturada e enforcada por fios elétricos. Se isso não é tentativa de homicídio eu não sei o que é nessa vida. Estou indignada e repudio a posição do procurador-geral", completou.
Defesa de causa

Um dos motivos que levou Cristina Lopes a acompanhar de perto o caso de Mara Rúbia é a sua própria história de vida. Em 1986, a vereadora teve 85% do corpo queimado por um ex-companheiro. O caso aconteceu em Curitiba (PR).
"O réu, que também se chama Wilson, foi condenado por tentativa de homicídio. Este foi o primeiro caso de julgamento com vítima viva no Brasil", explica a vereadora. Ele foi condenado, em 1988, a 21 anos de prisão, cumprindo 1/4 da pena em regime fechado.
"O caso de Mara Rúbia merece atenção, ele precisa ser visto da mesma forma e enquadrado como tentativa de homicídio. Na minha opinião, a Justiça está se posicionando a favor do agressor mais uma vez. As medidas protetivas da Lei Maria da Penha não foram cumpridas", diz Cristina Lopes.
Medo e insegurança
Questionada sobre o estado emocional de Mara Rúbia, a vereadora foi enfática ao dizer que o medo é maior vilão. "Ela está desesperada e extremamente revoltada, não quer falar com ninguém. Agora, com o ex-marido solto, a Mara vai ficar em um lugar onde não possam encontrá-la. Isso é por causa do medo e dos riscos que corre", comentou.
"A Mara foi violentada ao longo de vários anos, ela tinha medo de denunciar. Quando encontrou coragem, não foi bem atendida na delegacia e, vinte dias depois, sofreu essa tentativa de homicídio. Agora está cega de um olho e sentindo necessidade de se esconder. Mas vamos continuar lutando, agora em uma instância superior, que é a Promotoria Federal", conclui.