Brasília – O ministro da Educação, Aloízio Mercadante, informou, neste domingo (27/10), que aproximadamente 5 milhões de estudantes participaram das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que números preliminares indicam abstenção de 29%.
O número de participantes deste ano foi 20% superior ao do ano passado, mas a abstenção projetada agora é maior do que a de 2012, que foi de 28,9%. Para Mercadante, o Enem foi tranquilo. "Tivemos algumas ocorrências, mas nada que mereça destaque", disse ele.
"Agora começa a nova fase, que é a correção das provas. Tomamos medidas para aumentar o rigor na correção, aumentamos o número de corretores", disse Mercadante. O gabarito oficial será divulgado no dia 30.
Os resultados serão apresentados no início de janeiro. Doze jovens postaram fotos do cartão de matrícula nas redes sociais e foram excluídos, conforme determinação dada pelo MEC. Neste ano, até agora, 36 pessoas foram excluídas por esse motivo. De acordo com Mercadante, 2 milhões de mensagens de twitter foram monitoradas.
A equipe de fiscalização continuará atuando, garantiu. "A rede se deu conta que continuaremos a fazer isso", disse. "Se for descoberto que alguma cláusula foi violada, quem a violou será excluído da prova. Não podemos permitir que alguém ingresse no sistema depois de ter violado um exame que tanto esforço deu para ser elaborado."
A prova
O ministro comentou uma charge dos anos 60, que trazia a palavra gasolina grafada com z. "O MEC não pode alterar uma obra de arte, por qualquer razão que seja." Como argumento, ele mostrou uma pesquisa feita nas edições dos jornais O Globo, Folha de s. Paulo e O Estado de S. Paulo, com vários registros da palavra gasolina com z.
Ele observou que os registros se referiam a publicações históricas. "A imprensa estaria cometendo o mesmo problema" (se for levada em consideração a grafia da época e a de agora). O ministro ponderou que o autor do livro, que reproduz a charge, defende a manutenção da grafia com z. Mercadante foi questionado sobre o fato de a mesma charge ter sido usada num exame da UERJ, "Respeitamos a UERJ mas nosso compromisso é com a obra."
O ministro disse considerar toda discussão importante. "Continuaremos aprimorando o Enem. Problemas são sempre incorporados com um diálogo construtivo. O trabalho para o próximo Enem começa amanhã (segunda-feira, 28." O ministro está convicto de que o trabalho de preparação foi muito eficiente.
Ele lamentou a morte de um candidato, Fernando Ximenez, que foi atingido por uma carreta, na cidade de Varginha, em Minas. Em Unaí, um radialista fotografou o local da prova e tentou sair. Ele foi preso por ter tentado violar o sigilo da prova. Na etapa deste domingo, alunos responderam questões de Linguagens, Códigos, Matemática e fizeram uma redação.
Este foi o maior Enem da história. De acordo com o Ministério da Educação, foram usadas 15 mil salas de aula para as provas e 687 mil pessoas trabalharam como colaboradores. Neste ano, pela primeira vez, todas as provas foram transportadas em envelopes com cadeado eletrônico e GPS.
O sistema permite identificar o exato momento da abertura dos pacotes. No ano passado, o sistema também foi usado, como teste, mas apenas em alguns locais. (Agência Estado)