Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Três profissionais de áreas e com atuações diferentes, comungando da mesma disposição em contribuir com a pesquisa e os estudos sobre a história goiana, assumiram, com entusiasmo e disposição, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e o compromisso de lutar pela história e pela cultura goianas. Foi na manhã de quinta-feira, dia 29, no auditório Augusto da Paixão Fleury Curado, que recebeu amigos, familiares e colegas para esse momento solene: todos estavam contentes e cada um se manifestou de forma diversa.
Formado em Direito pela Universidade Federal de Goiás e Delegado de Polícia concursado, quando foi aprovado com 23 anos de idade, o mais jovem do Brasil em certame daquele ano, Eduardo do Prado foi Vereador em Goiânia por dois mandatos e cumpre seu primeiro mandato como Deputado Estadual. Reeleito no pleito deste ano, com 39.446 votos, pelo PL, afirmou, em discurso, que vai lutar para fortalecer o diálogo entre as instituições e os espaços dedicados à preservação do conhecimento, da cultura e da história.
Deputado delegado Eduardo do Prado e Jales Mendonça (Foto de Clodoaldo Marques)
Presidente reeleito da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás (2025-2027), doutor em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás, mestre em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas pelo Centro Universitário do Distrito Federal e bacharel em Direito pela UFG, o jurista Rafael Lara Martins, goianiense, 45 anos, mostrou-se também poeta.
Médico pela UFG (1981) e mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia, além de MBA em Gestão de Cooperativas de Crédito pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro (2007), Clidenor Gomes Filho integra o corpo clínico da Maternidade Ela, em Goiânia, e já se mostrou um historiador em seu pronunciamento.
Responsabilidade
“Recebo esta distinção com profunda honra e sincera gratidão”, afirmou o deputado delegado Eduardo do Prado. “Tornar-me sócio honorário do IHGG representa, para mim, uma oportunidade de me aproximar ainda mais de uma instituição que há quase um século se dedica a preservar a memória, a história e a identidade do nosso Estado”.
Depois de cumprimentar os integrantes do Instituto pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua trajetória, ressaltou que preservar a história de Goiás é uma responsabilidade que ultrapassa os limites da pesquisa e dos arquivos. “É manter vivas as referências que nos ajudam a compreender quem somos, de onde viemos e como chegamos até aqui”.
Destacou a presença de representantes de diferentes áreas da vida goiana e brasileira, como a educação, Direito, cultura, política, pesquisa, saúde, comunicação e a atividade empresarial. “Cada um traz consigo uma trajetória própria e uma contribuição relevante para a sociedade. Tenho grande satisfação em compartilhar este momento com pessoas que dedicaram parte de suas vidas ao conhecimento, ao trabalho e ao desenvolvimento de Goiás”.
Sua trajetória profissional começou no Direito e na Polícia Civil. “Como Delegado, aprendi a conhecer a realidade das pessoas de perto, a compreender os desafios da sociedade e a reconhecer a importância das instituições para a vida coletiva. Mais tarde, na vida pública, passei a exercer outra função, mas sempre com a consciência de que representar Goiás exige respeito à sua gente, às suas instituições e à sua história”.
“É por isso que recebo esta homenagem com tanta consideração”, afirmou. “A vida pública nos coloca diante de decisões e responsabilidades que dizem respeito ao presente, mas não podemos perder de vista aquilo que recebemos das gerações anteriores. Um Estado que valoriza sua história tem melhores condições de compreender seus desafios e de pensar o próprio futuro”.
Agradeceu à direção e aos membros do IHGG pela indicação e pela confiança. “Recebo esta condição de sócio honorário não apenas como uma honraria pessoal, mas também como um compromisso de respeitar e valorizar o trabalho desta Casa, que tem sido guardiã de parte tão importante da memória goiana”, disse, para concluir: “Que esta solenidade marque o início de uma convivência proveitosa e de novas oportunidades de colaboração em favor da história e da cultura de Goiás”.
Advogado e poeta
No ato de posse de novos sócios honorários e correspondentes do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, o advogado Rafael Lara brindou os presentes com um belo texto em forma de poesia.
Advogado Rafael Lara (Foto de Clodoaldo Marques)
Seu discurso:
Em mil novecentos e trinta e dois,
na velha Goiás, no Palácio da Instrução,
uns poucos sonharam o antes e o depois
e deram à história goiana um guardião.
Seis anos depois, seguindo a mudança,
veio o Instituto à nova capital;
e a Casa Rosada, erguida em esperança,
foi do Setor Sul o marco inaugural.
São noventa e quatro outubros de vigília,
guardando papéis que o tempo quer levar:
a carta, o retrato, a velha cartilha,
a voz de quem veio antes de nós chegar.
Houve um tempo de porta cerrada,
de sala em silêncio, de pó sobre a mesa,
até que Jales, de alma empenhada,
reabriu esta Casa e devolveu-lhe a beleza.
Promotor da lei, doutor da memória,
restaurou paredes, reergueu o salão,
levou nosso nome ao Brasil da História
e fez do Instituto uma casa da nação.
Hoje esta Casa recebe trinta nomes,
e cada um traz um pedaço do chão:
a cátedra, o altar, a tribuna do povo,
a lavoura, a indústria, a imprensa, a canção.
Vem a ciência que cura e que ensina,
vem quem de Goiás fez marca no mundo,
vem gente de Minas, do Rio, do São Francisco,
que lê a história em sentido profundo.
E eu, que venho da Ordem e da beca,
não chego hoje a uma casa estranha:
por cinco anos a OAB aqui morou,
e essa lembrança me honra e me acompanha.
Por isso sei: o Direito é memória,
e a Ordem guarda o que esta Casa diz;
não há liberdade que viva sem história,
nem justiça que dure sem raiz.
Recebo com honra este título e o dever
de servir a esta Casa como quem serve a um lar.
Que o passado de Goiás, aqui guardado,
seja a luz com que havemos de caminhar.
Viva o Instituto e quem o fundou,
viva o Presidente que o soube acordar,
e vivam os confrades que hoje chegam
para, com ele, Goiás contar.
Médico historiador
Médico da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Goiânia e diretor presidente da Unicred Centro Brasileira, Clidenor Gomes Filho é presidente do Comitê Estadual de Mortalidade Materna em Goiás.
Médicos Frederico Moraes Xavier e Clidenor Gomes Filho (Foto de Clodoaldo Marques)10
Em sua saudação aos novos colegas, ele recorreu a um episódio da história para mostrar a importância do conhecimento:
Quando Francisco Pizarro chegou ao Peru para conquistar o império inca, houve uma batalha fundamental em Cajamarca. Nela combateram cerca de 20 mil incas e menos de 300 espanhóis. Para contrapor à enorme disparidade numérica, os espanhóis contavam com armaduras e armas de ferro contra armas de madeira e pedra dos incas, cerca de duas dezenas de armas de fogo e algumas dezenas de cavalos.
Mas por trás da evidente diferença de armas havia também algo importante. Havia um outro fator fundamental. Platão escreveu que não são as velas que movem o barco, mas o vento, que não se vê. Os incas nada sabiam sobre a conquista do México, ocorrida 10 anos antes. Mas os espanhóis sabiam, por relatos e cartas, da reação dos nativos ao barulho das armas de fogo e à participação dos cavalos. A batalha terminou com uma vitória definitiva dos espanhóis, que inclusive capturaram o imperador Atahualpa.
Reporto-me a este episódio da história para refletir sobre a importância do registro dos fatos e a difusão do conhecimento como algo vital na evolução humana.
Gostaria também de adicionar um pequeno relato da minha vida pessoal. Eu nasci na pequena cidade de Taguatinga, no interior do Tocantins. Meu pai era comerciante e minha mãe professora. Quando os filhos estavam concluindo a escola, minha mãe forçou a vinda da família para Goiânia, para o prosseguimento dos estudos. Aqui me graduei em Medicina. Nas provas para a residência médica, fui aprovado na USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, em Brasília e em São Paulo capital. Era natural ir para a USP. Mas na ocasião eu tinha começado a namorar, e a me apaixonar, pela Cecília. E por influência dela, decidimos permanecer em Goiânia. Aqui constituímos nossa família e nossa história profissional e empresarial. Construí em conjunto com outros colegas a Maternidade Ela. Desenvolvi, juntamente com muitos outros, uma trajetória no Cooperativismo financeiro.
Ao receber a distinta honraria de me tornar Sócio Honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, percebo que com a honraria vem uma responsabilidade. De assumir o compromisso de contribuir, tanto na vida pessoal como institucional, para a preservação da história e o fomento do conhecimento. É este o compromisso que assumo, visando o bem comum e o progresso da nossa terra e da nossa gente.
