Michelle Rabelo e Adriana Marinelli
Atualizado às 14h30
Goiânia –
Depois que professores e servidores administrativos da rede municipal de educação invadiram a Câmara de Goiânia, na manhã desta terça-feira (8/10), foi adiada a votação do projeto de lei complementar do Prefeito Paulo Garcia (PT), que concede auxílio locomoção aos educadores.
O projeto continua na pauta de votação para ser apreciado em segunda e última discussão. Também precisa ser votada pelo plenário o acatamento ou não de uma emenda da oposição, de autoria do vereador Virmondes Cruvinel Filho, do PSD, e conta com oito assinaturas.
Na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na sexta-feira (4/10) foi aprovada duas emendas da vereadora Célia Valadão, líder do Prefeito na Casa, que estende o benefício para o período de recesso do profissional de educação, bem como para os professores com contratos temporários.
(Foto: Twitter Djalma Araújo)
Invasão
Minutos antes da invasão, o painel marcava 16 (a favor) a 15 (contra), quando o vereador Jorge Do Hugo (PSL-GO) empatou o placar. Como o desempate fica por conta do vereador e líder do prefeito na Casa, Clécio Alves (PMDB), a categoria antecipou a derrota e invadiu o plenário.
"Clécio não encerra votação. E chama vereadores que não estão em plenário para tentar evitar derrota", escreveu o vereador Djalma Araújo em sua página no Twitter.
Os vereadores se trancaram nas salas anexas ao plenário na intenção de se protegerem. A Gurda Municipal também está no local, dando suporte ao trabalho da PM.
Auxílio Locomoção
Com 16 votos favoráveis, três contra e quatro abstenções, o projeto de lei foi aprovado em primeira votação, no dia 25 de agosto.
Votaram contra os vereadores Pedro Azulão Júnior (PSB); Djalma Araújo (PT) e Tatiana Lemos (PC do B). As abstenções foram dos vereadores Elias Vaz, sem partido; Virmondes Cruvinel Filho (PSD);Fábio Lima (PRTB) e Dra. Cristina Lopes (PSDB).
Greve
A categoria está em greve desde o último dia 24 de setembro. A lista de reivindicações que culminou na greve, é encabeçada por melhoria nas condições de trabalho e passa por aumento salarial, enquadramento dos auxiliares educativos como funcionários do magistério e a universalização do auxílio transporte, no valor de R$ 319, pois atualmente apenas 40% dos professores recebem o benefício.
A categoria quer ainda o fim do parcelamento da data-base, que representa a reposição salarial por perdas inflacionárias. O governo pretende dividir o pagamento em quatro parcelas.
(Foto: Simsed)
Com a paralisação, além das escolas, algumas unidades dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei) ficaram sem aula. De acordo com os grevistas, a adesão englobou mais de 100 unidades, número que ainda não é confirmado pela Secretaria Municipal de Educação (SME).
Briga interna
Depois de um susposto desentendimento por interesses incompatíveis, a luta dos professores municipais passou a ser coordenada pelo Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (Simsed), e muitos falaram inclusive em se desfiliarem do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás (Sintego), que vinha liderando movimentos por benefícios para os professores em geral.
O Sintego desmente o desentendimento e alega que é muito ruim para a política sindical uma divisão na categoria. A direção diz ainda que o momento não é propício para a greve e que o governo municipal está aberto á negociações.
Outro ponto de vista do Sintego é que a categoria está se desesperando diante de um "boato terrorista" que compara o cenário municipal com o estadual. O Sindicato é enfático ao dizer que Goiânia não vai passar pela mesma situação que Goiás passou, quando o Estado tirou a titularidade dos professores e achatou a carreira.
(Foto: Simsed)
Agenda
A agenda do movimento dos professores municipais segue agitada. Para quarta-feira (9/10), está marcada uma panfletagem na região Noroeste e na quinta-feira (10/10), acontece uma nova assembleia no Cepal do Setor Sul.
Âmbito estadual
O Sintego agendou reunião nesta segunda-feira (07/10) com o secretário estadual de Educação, Thiago Peixoto (PSD), para discutir a pauta de reivindicação dos trabalhadores da rede estadual de ensino. A data do encontro ainda não foi divulgada.

A categoria vai cobrar a realização de concurso público para professores e funcionários administrativos, a correção da tabela do quadro administrativo e a incorporação do complemento do salário mínimo ao vencimento do pessoal administrativo, a imediata assinatura das Progressões Verticais e a regulamentação das Gratificações de Estímulo à Formação Continuada e de Desempenho.
A pauta inclui ainda o encaminhamento de Projeto de Lei à Assembleia Legislativa, específico para o Quadro Transitório do Magistério (QTM), que aguarda a solução da equiparação salarial com o Quadro Permanente; a publicação do decreto de nomeação do Comitê Estadual da Agenda Territorial e o cronograma de pagamento das diferenças salariais a serem restituídas aos trabalhadores da Educação.