Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira.
Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um profissional exige anos de dedicação e aprendizado. Mas esse processo não começa na universidade. Ele depende de uma base construída desde a infância, nas salas de aula da educação básica. É justamente por isso que a qualidade do ensino deve ser prioridade para o desenvolvimento de um país. Os benefícios de uma educação de qualidade não ficam apenas com os estudantes. Eles alcançam as famílias, mercado de trabalho, a economia e transformam uma nação.
No entanto, é preciso saber que não existem soluções milagrosas para melhorar a educação. Problemas estruturais não são resolvidos com medidas isoladas, muito menos com iniciativas que mudam a cada quatro anos. Avançar exige criar planejamento, estabelecer prioridades, investir com direcionamento e acompanhar os resultados de forma contínua, além de garantir continuidade às iniciativas que demonstram capacidade de melhorar o ensino.
Um dos maiores desafios da educação brasileira é garantir que os bons projetos não sejam interrompidos a cada mudança de governo. Iniciativas educacionais precisam de tempo para apresentar resultados e não faz sentido abandonar uma política que funciona apenas porque foi criada por outra gestão. O que deve determinar sua continuidade são os resultados alcançados, não quem teve a iniciativa de implantá-la.
Porém, é preciso garantir qualidade pedagógica, profissionais preparados e infraestrutura para que o ensino represente um avanço efetivo na formação dos estudantes. Nesse processo, a valorização dos professores, além de reconhecimento profissional, precisa ser prioridade e uma condição para a qualidade da educação. Isso envolve remuneração adequada, condições de trabalho e estrutura que possam permitir ao professor exercer a sua função com dignidade. Em qualquer esfera ou área.
Na área da saúde, por exemplo, para que tenhamos avanços científicos, novas técnicas, tratamentos e tecnologias precisamos de anos de estudo e pesquisa para transformar a vida das pessoas. Mas não podemos pensar apenas na formação dos pesquisadores que já estão nas universidades. Para que tenhamos bons médicos, precisamos investir na base, na educação básica, onde começa a formação da próxima geração. Nesse caminho, a iniciativa privada pode contribuir, apoiando a pesquisa, a formação profissional e projetos educacionais que ampliem as oportunidades de aprendizado.
Neste Dia dos Professores, temos o caminho. O Brasil precisa de uma educação capaz de combinar valorização profissional, qualidade de ensino, gestão responsável e continuidade. Os resultados não serão imediatos, mas essa não pode ser uma justificativa para adiar decisões.
*Dr. Frederico Moraes Xavier é médico uro-oncologista, diretor de Mercado da Unimed Goiânia e presidente do Instituto Unimed Goiânia.
