Durante muito tempo, era natural que os setores primário, secundário e terciário tivessem seus próprios espaços de discussão, negócios e exposição. Isso porque cada atividade tem suas particularidades, desafios e oportunidades. Mas a realidade mudou. As cadeias produtivas estão cada vez mais conectadas, e as fronteiras entre os setores, menos nítidas.
É nesse contexto que vejo com entusiasmo a FICCA Goiás — Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio —, que será realizada de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia, pois há a compreensão de que desenvolvimento, inovação e competitividade exigem cada vez mais capacidade de conectar diferentes conhecimentos, experiências e atividades.
No campo, essa conexão é especialmente evidente. O produtor rural não trabalha apenas com produção agrícola. Ele depende de máquinas e equipamentos, indústria, logística, crédito, conectividade, serviços, mão de obra qualificada, comercialização e acesso a mercados. Além disso, precisa lidar com dados, plataformas digitais, automação e ferramentas capazes de apoiar decisões.
A força do agronegócio goiano ajuda a dimensionar a importância dessa transformação. Em 2025, as exportações do setor somaram US$ 11,16 bilhões e responderam por 83% de tudo o que Goiás exportou. Para um agro que já tem presença relevante nos mercados internacionais, ampliar a capacidade de inovar, qualificar pessoas e incorporar novas tecnologias não é apenas uma oportunidade. Faz parte da construção de sua competitividade.
A Inteligência Artificial, por exemplo, não é uma tecnologia exclusiva do agronegócio, assim como não pertence apenas à indústria, ao comércio ou aos serviços. Suas aplicações podem apoiar diferentes atividades. Mas a transformação tecnológica não depende apenas das ferramentas disponíveis. Depende de quem sabe utilizá-las.
Quando conhecimentos diferentes se encontram, surgem novas possibilidades de colaboração, inovação e qualificação. Essa troca se torna ainda mais importante em um mercado globalizado, no qual mudanças repercutem rapidamente sobre diferentes cadeias produtivas. Diante disso, a FICCA Goiás representa um movimento importante para a economia goiana ao fortalecer iniciativas de diversos setores em um mesmo ecossistema, permitindo que públicos, empresas, profissionais e ideias circulem entre diferentes setores e áreas de atuação.
A integração, neste caso, não significa apagar as características de cada setor, mas aproximar competências que podem, juntas, responder a desafios cada vez mais complexos. Para o agronegócio, isso é crucial, porque seu futuro não será construído apenas dentro das propriedades rurais. Ele também estará nas conexões estabelecidas entre pessoas, conhecimentos, tecnologias e diferentes setores. É dessa capacidade de trabalhar em conjunto, preservando as vocações de cada atividade e ampliando suas possibilidades, que poderão surgir novas soluções para um agronegócio cada vez mais inovador e competitivo.
José Mário Schreiner é Presidente do Sistema Faeg/Senar e presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Goiás
