A Redação
Goiânia – A Dra. Iara Mendes, fundadora de uma empresa deep tech de nanobiotecnologia sediada em Goiânia, foi indicada pelo Sebrae Nacional para integrar o Conselho Deliberativo do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O mandato iniciou em setembro de 2026 e terá duração de dois anos. Ela é a primeira goiana a ocupar o cargo. Doutora em Inovação Farmacêutica pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela possui mais de 12 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A chegada de uma empresária de base científica ao colegiado ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar a conexão entre produção de conhecimento, desenvolvimento tecnológico e geração de negócios inovadores. Empresas
classificadas como deep techs dependem intensamente de pesquisa, infraestrutura científica, propriedade intelectual, profissionais altamente qualificados e ciclos de desenvolvimento normalmente mais longos que os de startups digitais.
Sua empresa produz ingredientes nanotecnológicos usando ativos da biodiversidade brasileira para serem usados principalmente pela indústria cosmética. Sua atuação envolve desde pesquisa e desenvolvimento, até aplicação industrial e suporte técnico para outras empresas.
Criado em 1951, o CNPq é uma das instituições centrais do sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação e atua no financiamento de pesquisas, formação de pesquisadores e apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico. Em 2025, a instituição informou a aplicação de R$ 2,8 bilhões em fomento, além de manter aproximadamente 107 mil bolsas e 16 mil projetos vigentes.
O Conselho Deliberativo ocupa a instância superior de formulação de políticas dentro do CNPq. Entre suas atribuições estão a definição de orientações para o fomento e a apreciação da programação orçamentária da instituição. Isso não significa que seus integrantes decidam individualmente sobre cada bolsa ou projeto financiado, mas que participam das discussões que ajudam a orientar prioridades, critérios e estratégias de uma das principais estruturas públicas de apoio à ciência brasileira.
Para o setor empresarial, a presença de uma empreendedora goiana de deep tech no colegiado também ganha relevância pela necessidade de aproximar cada vez mais os instrumentos de pesquisa do desenvolvimento produtivo. Essa relação já aparece em programas do próprio CNPq, como o RHAE, criado para apoiar a inserção de pesquisadores em empresas e projetos de inovação. Em chamada recente, o programa destinou mais de R$ 68 milhões a 248 projetos empresariais.
“A minha trajetória em quebrar barreiras tradicionais da pesquisa e transformá-la em negócio fez eu passar por muitos obstáculos”, afirma Mendes. “Com eles, aprendi muito e quero justamente levar essa visão para o Conselho e estimular a associação da ciência, da tecnologia e da biodiversidade para gerar benefícios práticos para a sociedade. E espero contribuir para que mais ecossistemas regionais, incluindo Goiás, tenham condições de fazer esse caminho”, completa.
