Um dado alarmante que tem passado despercebido por muitos pais: Até 2050, 40% das crianças no mundo podem desenvolver miopia por conta do uso excessivo de telas, celulares e tablets. O estudo é do periódico científico British Journal of Ophthalmology que examinou mais de cinco milhões de crianças e jovens espalhados por 50 nações, em cinco continentes.
Como se não bastasse, o mesmo levantamento apontou que uma a cada três crianças do grupo pesquisado, já tem a condição óptica. Identificar o problema cedo não serve apenas para entregar óculos à criança e compensar a visão por meio das lentes, mas também para evitar que o grau continue subindo de forma acelerada ao longo da infância.
O número de prescrições de óculos para crianças de seis a oito anos triplicou nos últimos cinco anos, evidenciando um início cada vez mais precoce da condição.
Quando a dificuldade já está instalada, dificilmente escolher uma lente comum para usar vai adiantar. Ao usar uma lente simples, a criança enxerga o centro da imagem perfeitamente. Contudo, a luz nas bordas laterais dos óculos acaba induzindo o foco atrás da retina (porção periférica), fazendo com que as bordas da imagem fiquem borradas.
Assim, o cérebro interpreta esse sinal como um estímulo para que o olho continue esticando e crescendo para “alcançar” a luz, o que faz a miopia aumentar.
Então, além de trazer o grau correto prescrito pelo médico, para a devida correção visual, é necessário escolher lentes que ajudem a conter o avanço da deficiência. Em especial para miopia axial, em que o olho se torna mais alongado com tempo. O globo ocular fica mais comprido.
Isso porquê, enquanto as lentes tradicionais apenas corrigiam a nitidez, sem impedir que o olho continue crescendo, já existem tecnologias voltadas para o gerenciamento da miopia, e combinam a compensação e o controle do crescimento do olho em uma única lente. Mas a avaliação para usar esse produto tem de ser individualizada e devidamente prescrita por um médico oftalmologista.
As lentes específicas para o controle do grau quebram o ciclo de alongamento do olho, pois a estrutura dessas lentes conta com zonas funcionais (anéis hipermetrópicos) desenhadas para compensação de luz na periferia do olho.
Tanto a miopia herdada quanto a adquirida não têm cura, mas pode ser corrigida e controlada com o uso de óculos ou lentes de contato. O avanço das tecnologias para controle da miopia abre novas possibilidades para crianças que apresentam progressão da deficiência.
Por isso, a principal recomendação aos pais continua sendo simples: observar, realizar acompanhamento oftalmológico e não esperar a dificuldade visual interferir na rotina dos pequenos para buscar orientação.
Fica o alerta para as crianças que aproximam muito o rosto da tela do celular ou do computador, franzem a testa para ver uma placa ou objeto distante, esfregam os olhos ou piscam muito. Para prevenir o problema, sempre deve-se controlar o tempo de tela e a cada 40 minutos no celular, 10 devem ter o foco dos olhos em atividades que demandem visão de longe. Para não criar efeito de acomodação. Além de investir em exposição ao ar livre com luz natural.
André Rodrigues Silva é especialista em soluções ópticas e tecnologia de lentes das Óticas Brasil
