Logo
Russell Crowe e Jack Trembley (Foto: divulgação)

‘Unabomber’ não fica à altura de um dos crimes reais mais curiosos dos EUA

WhatsAppFacebookLinkedInX
30.09.2026 - 09:52:11

Estreou na Netflix Unabomber, um novo filme que tenta recontar a história fascinante do assassino e terrorista doméstico Ted Kaczynski, o titular Unabomber, que apavorou os Estados Unidos com atentados a bomba por várias décadas antes de finalmente ser capturado em meados dos anos 1990. Infelizmente, apesar de seus méritos, o filme não consegue ficar à altura de um caso tão peculiar e serve mais como um aperitivo para despertar a curiosidade de quem não está familiarizado com a história.

O novo filme mescla dois tempos: o passado, quando Ted, vivido por Jack Tremblay, frequentava a Universidade de Harvard e desenvolveu um relacionamento com o pesquisador Henry Murray, interpretado por Russell Crowe. No “presente” dos anos 1990, acompanhamos simultaneamente Shailene Woodley no papel da investigadora do FBI Joanne Miller, fechando o cerco contra o criminoso.

Todo esse potencial acaba não rendendo muita coisa, apesar de instigante. O ponto mais forte do filme é facilmente seu elenco: Woodley, Tremblay e Crowe entregam boas performances, em particular Tremblay, que precisa equilibrar todas as contradições emocionais e psicológicas do futuro assassino em série, e Crowe, que, após anos na geladeira, entregou interpretações charmosas e envolventes tanto neste filme quanto em Nuremberg, em ambos dando vida a personagens baseados em pessoas reais.

E o próprio filme parece reconhecer parte disso: o foco narrativo não se remove desses personagens e claramente toda a parte de origem, no final dos anos 1950 e começo dos 1960, é mais interessante e melhor trabalhada que a parte nos anos 1990, que quase não ocupa espaço dentro da narrativa. E é nesse passado que o filme funciona melhor: como uma história de origem, um coming of age sinistro, quase uma versão macabra de Uma Mente Brilhante.

Em comparação, a contraparte da captura parece quase descolada, na qual Ted quase não é um personagem, na prática sem falas. A sensação é de que o filme, na verdade, era para ser uma minissérie, mas acabou sendo cortado e adaptado para um filme que não dá conta de atender à própria proposta.

Ainda assim, como mencionado, vale a pena pelas atuações e pela trama de origem, mas vai caber à própria audiência buscar conhecer mais em filmes e produções audiovisuais melhores.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]

CURADORIA AFETIVA
20.09.2026
Da Tranquilidade botânica

“No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em todos os tempos, as condições morais quase sempre são as mesmas. Se o mal é uma necessidade da vida, da qual os homens não podem subtrair, não se deve odiá-los, mas aprender a respeitá-los.” (Da tranquilidade da alma, Sêneca) A palavra mal vem do […]

Joias do Centro
18.09.2026
Praça Cívica preserva a ideia de ágora onde Goiânia encontrou sua identidade

Carolina Pessoni Goiânia – Antes de Goiânia existir como cidade, ela já existia como desenho. E, nesse desenho, havia um ponto destinado a concentrar o poder, organizar os caminhos e criar um lugar de encontro. Era a Praça Cívica, concebida pelo urbanista Attilio Corrêa Lima como o centro administrativo da nova capital. A ideia, segundo o […]