Adriana Marinelli
Goiânia – “Divergir é natural. O que não é aceitável é a intolerância, a agressividade ou qualquer forma de desrespeito.” É com essa mensagem que a Campanha Conviver, do Ministério Público de Goiás (MPGO), chama a atenção para a importância de preservar o diálogo e o respeito durante o período eleitoral de 2026. Por meio de cartilhas, cartazes e conteúdos nas redes sociais, a iniciativa busca prevenir a violência e o discurso de ódio, reforçando os valores da democracia e das diversas relações humanas.
O principal material da campanha é a cartilha “Conviver: Respeito e paz nas eleições 2026”, produzida pelo próprio MPGO e disponível de forma física e digital. O exemplar impresso pode ser retirado na sede do MPGO, e a versão digital pode ser acessada pelo link. A publicação parte da premissa de que “a democracia é construída todos os dias”. Segundo o material, ela se fortalece quando cada pessoa exerce seus direitos “com responsabilidade, respeito e compromisso com a convivência pacífica”.
A cartilha reconhece que, no período eleitoral, sobretudo com a aproximação do 1º turno, marcado para 4 de outubro, as diferenças de opinião se tornam mais evidentes. Com linguagem simples e ilustrações que retratam situações cotidianas de conversa entre pessoas de diferentes idades e origens, o material está organizado em seis capítulos.
O primeiro, “O que é democracia?”, explica que o poder pertence ao povo e que, no Brasil, isso acontece principalmente por meio do voto. O texto reforça que, em uma democracia, “todas as pessoas têm igual valor”, nenhum grupo decide sozinho, cada voto conta e cada voz deve ser respeitada. E que “democracia não é pensar igual”.

No segundo capítulo, a cartilha defende que a democracia depende do respeito ao outro. “Respeitar não significa concordar”, mas reconhecer que o outro tem o direito de pensar e escolher de maneira diversa. Quando se tenta impor ideias, alerta o material, o diálogo se enfraquece e as relações se desgastam.

O terceiro capítulo, “Saber a hora de parar é democrático”, traz uma abordagem prática. Segundo a cartilha, viver em democracia não significa transformar toda diferença em debate permanente, e encerrar uma conversa não quer dizer que alguém venceu ou perdeu, mas que a relação é mais importante do que a discussão. O material lista sinais de que é melhor interromper o assunto e manter o respeito mútuo.

O quarto capítulo trata de como evitar o ressentimento e a agressividade política, que, conforme o texto, surgem quando as diferenças deixam de ser tratadas com respeito e passam a ser percebidas como ataques pessoais. Em períodos de maior polarização, lembra a cartilha, amizades, relações familiares e ambientes profissionais podem ser afetados. Evitar esse desgaste “não significa deixar de ter opinião”, mas aprender a lidar com as diferenças de forma equilibrada.

No quinto capítulo, o “amor ao próximo” é apresentado como valor democrático, no sentido de agir com cuidado, educação e consideração, mesmo diante de divergências. “Ninguém se resume a uma posição política. Cada pessoa carrega sua própria trajetória”, afirma o texto.

O último capítulo aborda a democracia e o direito de escolha. De acordo com a cartilha, o voto é um direito que permite ao cidadão decidir de acordo com suas convicções e valores. Em uma sociedade democrática, todas as escolhas legítimas devem ser respeitadas, ninguém pode sofrer pressão ou constrangimento por sua decisão e a liberdade de escolha depende do respeito entre as pessoas. “As eleições passam. A convivência permanece. O voto é livre. O respeito é dever”, arremata o material.

