A indústria goiana tem por tradição olhar além de seus territórios. A participação crescente no comércio exterior mostra que Goiás tem ampliado sua participação nos fluxos globais e encontrando novos caminhos para seus produtos, negócios e cadeias produtivas. Em agosto, o comércio exterior de Goiás movimentou US$ 1,7 bilhão, com US$ 1,14 bilhão em exportações e US$ 587,7 milhões em importações. O resultado foi 12,8% maior que o registrado no mesmo mês de 2025 e o segundo maior volume da série histórica. As exportações também passaram de US$ 1 bilhão pelo quarto ano consecutivo.
Os números revelam a força de cadeias já consolidadas, mas também ajudam a enxergar um movimento mais amplo: empresas goianas estão cada vez mais inseridas em uma economia em que mercados, fornecedores, tecnologias e oportunidades ultrapassam fronteiras. A China segue como principal parceira comercial, tanto nas exportações quanto nas importações. Os Estados Unidos aparecem na terceira posição nas duas pautas.
Essa diversidade nas relações comerciais reforça a importância de conhecer mercados, acompanhar transformações e estabelecer conexões capazes de aproximar empresas de novos parceiros e oportunidades. Para a indústria, internacionalizar não significa apenas vender para fora. Significa também acessar conhecimento, tecnologias, fornecedores, tendências e modelos de negócio que podem fortalecer a competitividade dentro de Goiás.
Quanto mais conectada estiver a empresa, maior pode ser sua capacidade de identificar oportunidades, aprimorar processos e agregar valor ao que se produz. Nesse processo, a tecnologia ocupa espaço estratégico, em especial a Inteligência Artificial. Quando indústria, agronegócio, comércio, serviços e tecnologia compartilham conhecimento, as possibilidades se ampliam.
Uma inovação desenvolvida em determinado setor pode gerar soluções em outro, assim como uma nova demanda de mercado pode estimular produtos, serviços e modelos de negócio. A conexão entre diferentes áreas da economia já deixou de ser apenas uma oportunidade de relacionamento e hoje faz parte da própria dinâmica da competitividade.
É nesse ambiente que iniciativas que aproximam diferentes segmentos ganham relevância. A FICCA Goiás — Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio — nasceu justamente em um momento em que as fronteiras entre indústria, agronegócio, comércio, serviços e tecnologia estão cada vez mais integradas. O evento, que será realizado este ano de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia, reunirá esses setores em um mesmo espaço, favorecendo a troca de experiências, a formação de parcerias e a identificação de possibilidades que talvez não surgissem de forma isolada.
Mais do que reunir empresas, conexões ajudam a construir negócios. E, em uma economia cada vez mais internacionalizada e tecnológica, ampliar conexões significa também ampliar a capacidade de Goiás inovar, produzir, competir e crescer, para dentro e fora do Brasil.
André Luiz Baptista Lins Rocha é presidente da Fieg
