Adriana Marinelli
Goiânia – “Podemos crescer juntas sem precisar competir entre nós.” A frase da arquiteta Julia de Moraes Pereira, de 35 anos, resume a ideia que está por trás da Barunea, primeira cooperativa do Brasil formada exclusivamente por mulheres do ramo da arquitetura e criada em Goiânia em março deste ano. Presidente do Conselho de Administração da organização, Julia está à frente de um grupo que decidiu transformar a cooperação em ferramenta de trabalho, negócios e desenvolvimento profissional.
A Barunea surgiu da combinação de duas percepções. A primeira é a presença expressiva das mulheres na arquitetura, que, segundo Julia, nem sempre se traduz em liderança, visibilidade profissional e oportunidades em projetos de maior porte. A segunda está ligada ao mercado, marcado pela fragmentação de profissionais e pequenos escritórios que muitas vezes trabalham de maneira isolada.
A proposta das fundadoras foi, desde o início, aproximar trajetórias e especialidades. Atualmente, as 11 cooperadas, que também são as responsáveis pela fundação da Barunea, trabalham para estruturar uma organização capaz de reunir diferentes competências em projetos de arquitetura, urbanismo e espaços corporativos e institucionais. “Queremos fortalecer a atuação de todas as profissionais, ampliar as oportunidades de trabalho e mostrar que colaboração, competência técnica e gestão coletiva podem ser também uma estratégia de crescimento e de acesso a projetos mais complexos.”
Julia e outras 10 cooperadas formam a Barunea (Foto: Renato Conde/jornal A Redação)
A escolha pelo cooperativismo não aconteceu por acaso. Quatro das fundadoras já haviam trabalhado em cooperativas de crédito e conheciam de perto o funcionamento desse modelo, além dos benefícios de uma atuação baseada na união de profissionais. Ao levar essa experiência para a arquitetura, o grupo encontrou uma maneira de conciliar autonomia profissional com uma construção coletiva, em que as decisões e os resultados são compartilhados entre as integrantes. “Estamos experimentando uma estrutura em que as mulheres também são donas do negócio, participam das decisões e constroem coletivamente”, destaca Julia à reportagem do jornal A Redação.
Ainda em seu primeiro ano de funcionamento, a Barunea concentra esforços na consolidação dos processos internos e na formação de uma rede de profissionais capaz de atender diferentes demandas de maneira integrada. Mesmo nessa fase inicial, o perfil dos clientes já revela o caminho escolhido. “Até o momento, 90% dos nossos clientes são empresas, sendo metade cooperativas. Nosso posicionamento é especialmente voltado para o próprio setor cooperativista”, revela Julia. “Enxergamos oportunidades em cooperativas de crédito, saúde, infraestrutura e energia, além de federações, centrais e outras organizações que tenham uma atuação alinhada aos princípios da Barunea”, acrescenta a presidente do Conselho de Administração.
A lógica da cooperativa, segundo Julia, é diferente daquela em que um cliente contrata um único profissional ou escritório e concentra nele toda a estrutura de atendimento e conhecimento. Na Barunea, um projeto pode reunir arquitetas com especialidades distintas, escolhidas de acordo com as necessidades de cada trabalho. “Assim conseguimos somar experiências, compartilhar conhecimento e ampliar nossa capacidade de atuação, sem que cada profissional precise abrir mão da sua trajetória ou da sua identidade profissional”, explica.
Para Julia, a experiência da cooperativa também se insere em uma discussão sobre a presença feminina nos espaços de poder e as condições necessárias para que essa presença se converta em protagonismo. A competência profissional, segundo ela, é apenas uma parte dessa trajetória. Relações construídas ao longo da carreira, acesso a oportunidades, indicações, mentoria e referências também podem determinar quem consegue avançar e quem permanece à margem das posições de decisão. “Vejo a liderança feminina menos como uma questão de simplesmente abrir espaço e mais como uma questão de transformar as condições para que esse espaço possa ser ocupado e sustentado”, afirma.
Cooperadas da Barunea (Foto: divulgação)
A meta, conforme enfatiza a fundadora, é consolidar a Barunea como referência em arquitetura dentro do cooperativismo e, ao mesmo tempo, mostrar que existem outros caminhos possíveis para o desenvolvimento profissional. Mais do que ampliar negócios, a proposta envolve construir uma rotina de trabalho capaz de conciliar crescimento, autonomia e colaboração. “Acreditamos que empreender não precisa significar fazer tudo sozinha, e que crescer profissionalmente não precisa ser sinônimo de competir o tempo todo. É possível construir autonomia e, ao mesmo tempo, contar com uma rede”, resume Julia.
A experiência da Barunea ainda é recente, mas a cooperativa é apenas um exemplo de um cenário em expansão. Em diferentes ramos do cooperativismo goiano, mulheres vêm ampliando a presença nos espaços de gestão e, sobretudo, avançando em direção aos postos de comando. Atualmente, 768 mulheres ocupam cargos de gestão em cooperativas do Estado, segundo o Sistema OCB/GO, que completa 70 anos de atividades neste mês de outubro. Desse total, 60 são presidentes de cooperativas e 145 ocupam a vice-presidência. No ramo trabalho, produção de bens e serviços, elas representam 73% dos dirigentes, maior participação feminina entre os segmentos do cooperativismo goiano.
O avanço também aparece quando se observa a trajetória dos últimos anos. Entre 2022 e 2026, o número de mulheres na presidência de cooperativas em Goiás passou de 25 para 60, um crescimento de 140%. Em uma perspectiva de uma década, a expansão é ainda mais expressiva, já que, segundo o Sistema OCB/GO, eram 205 mulheres em cargos de liderança em 2016, número que praticamente triplicou, chegando a 768 em 2026. Trata-se de um aumento real de 274% no período.

Esse movimento ocorre dentro de um setor que também ampliou sua dimensão em Goiás. De acordo com o Anuário do Cooperativismo 2026, o Estado reúne 262 cooperativas e 710,30 mil cooperados, número 172% maior do que o registrado em 2019. O segmento gera 18.859 empregos diretos e movimentou R$ 36,90 bilhões em ingressos, enquanto os ativos acumulados chegam a R$ 78,39 bilhões. Os números ajudam a evidenciar o espaço econômico ocupado pelo cooperativismo e, consequentemente, a relevância de quem participa das decisões dessas organizações.

Para Márcia Cristina de Toledo, médica oftalmologista ligada à Unimed Goiânia e conselheira do SESCOOP/GO, braço educacional do Sistema OCB/GO, os números devem ser compreendidos como parte de uma transformação na própria forma de pensar a gestão cooperativista. “Os dados são muito significativos, mas é necessário olhar para eles não como um resultado fechado, e sim como um indicador de movimento.” Segundo ela, a ampliação da presença feminina deixou de ser apenas uma questão de representatividade e passou a integrar a estratégia das organizações. “Cooperativa é, por natureza, um modelo de gestão coletiva, e isso exige pluralidade de olhares nas decisões.”
Na avaliação de Márcia, o avanço da liderança feminina não decorre apenas do aumento da participação das mulheres nas cooperativas, mas da criação de condições para que profissionais qualificadas alcancem os espaços de decisão. “Esse crescimento não aconteceu por acaso, é fruto de uma mudança de mentalidade dentro das próprias cooperativas”, afirma. Na área da saúde, em que atua, ela vê essa transformação em um cenário marcado por maior complexidade assistencial e exigências regulatórias, no qual a diversidade de perspectivas ganha relevância para a condução das organizações. “O que mudou em Goiás, nesses dez anos, foi a estrutura institucional passar a reconhecer e abrir caminho para esses talentos que sempre estiveram lá.”
Para Márcia, portanto, o desafio não está na preparação das mulheres para exercer funções de liderança, mas nas condições para que essa qualificação se converta em acesso aos postos mais altos. Ela cita como referência o estudo Women in the Workplace, realizado pela McKinsey em parceria com a LeanIn.Org, que aponta uma presença feminina ainda desproporcional nos níveis mais altos de liderança, apesar da participação expressiva de mulheres qualificadas na força de trabalho.
“Esse é exatamente o ponto que pode ser chamado de ‘gargalo da governança’. Não existe déficit de qualificação, pelo contrário, os números de participação feminina na base e no quadro de empregados das cooperativas já mostram isso. O gargalo está na transição entre atuação técnica e ocupação de espaços decisórios”, destaca. Para enfrentar o cenário, considera necessários processos sucessórios mais transparentes, critérios mais claros para a composição de conselhos e diretorias e programas de desenvolvimento de lideranças. “É preciso também um movimento dentro das próprias cooperativas, reconhecendo que diversidade de gênero na diretoria não é uma pauta social isolada, é uma questão de governança e de sustentabilidade institucional.”
Se a presença feminina nos espaços de decisão ainda é um caminho em construção, a trajetória de Celma Grace de Oliveira, de 57 anos, mostra como esse percurso pode nascer de uma história íntima e ganhar dimensão coletiva. Diretora-presidente da Cooperativa de Trabalho de Produção de Bordado Manual e Artesanato do Cerrado Goiano (Bordana), ela transformou uma experiência de perda em um projeto que, ao longo dos anos, passou a reunir em Goiânia mulheres, trabalho, renda, memória e, como ela mesma diz, pertencimento.
A história começou antes mesmo de a Bordana existir. Celma havia perdido a filha caçula, Ana Carolina, de apenas 10 anos. Criativa, apaixonada por trabalhos manuais, a menina deixou na mãe uma ausência que precisou encontrar outro significado. Foi desse processo que nasceu o Instituto Ana Carol, homenagem à filha, e, a partir dele, os primeiros encontros com mulheres e as atividades de bordado. “Minha filha sonhava em ser estilista. Depois da sua partida, eu precisei encontrar um novo significado para a minha vida e, de alguma maneira, transformar aquela dor em algo que pudesse gerar vida, oportunidade, esperança”, conta Celma à reportagem do AR.
Nos primeiros encontros, ninguém dominava a técnica. O que havia era disposição para aprender e compartilhar. “Não sabíamos bordar, uma ensinava aquilo que sabia para a outra, e o conhecimento foi sendo compartilhado e multiplicado”, lembra. Depois, quatro participantes tiveram a oportunidade de fazer um curso de bordado livre oferecido pela Prefeitura de Goiânia. O conhecimento foi compartilhado com as outras integrantes do grupo.
O que começou de forma simples foi ganhando outra dimensão. O bordado deixou de ser só uma atividade manual e passou a ocupar um lugar na vida das mulheres que participavam dos encontros. “Ele foi se revelando muito mais do que uma técnica artesanal. Tornou-se uma ferramenta de convivência, autoestima, geração de renda, autonomia e transformação social”, enfatiza Celma, sem esconder o orgulho do que construiu.
A formalização veio em 6 de agosto de 2011, quando o grupo deu origem à Bordana. A cooperativa nasceu da experiência acumulada nos encontros e também de uma convicção que Celma já carregava antes de conhecer mais profundamente o cooperativismo. Formada em Geografia, ela tinha uma trajetória ligada aos movimentos sociais e a iniciativas voltadas à redução das desigualdades. O cooperativismo, conforme destaca, não representou uma ruptura, mas uma continuidade desse caminho.
“Mesmo antes da criação da Bordana, eu já sonhava em criar um projeto social que pudesse contribuir para a geração de renda e autonomia das mulheres. Naquela época, porém, eu conhecia muito pouco sobre cooperativismo. Quando conheci mais profundamente o modelo cooperativista, percebi que ele traduzia exatamente aquilo em que eu acreditava: ninguém cresce sozinho”, diz. “Na cooperativa, o conhecimento, o trabalho, as decisões e os resultados podem ser compartilhados. É uma construção coletiva, em que cada pessoa tem valor e contribui para que todas possam avançar”, complementa.
Até o próprio nome da cooperativa guarda a origem dessa história. Bordana é a junção de “bordado” e “Ana”, numa referência à filha de Celma. Mais de uma década depois da fundação, a iniciativa reúne atualmente 38 cooperados, sendo 36 mulheres e dois homens, com idades entre 23 e 85 anos e média de aproximadamente 65 anos. A sede fica no Conjunto Caiçara, em Goiânia.
A produção mantém o Cerrado como elemento central de identidade. Na época da criação da Bordana, Celma estava concluindo o curso de Geografia, enquanto as lembranças do Cerrado também estavam ligadas à infância vivida no norte do Tocantins. “Transformamos em linhas e pontos elementos da nossa biodiversidade, como ipês, buritis, flores, folhas, frutos e animais do Cerrado, entre eles araras, capivaras e lobos-guará”, resume. Entre as peças produzidas estão almofadas, bolsas, jogos americanos, guardanapos, quadros decorativos e outros objetos de decoração e utilitários. A cooperativa também oferece aulas, oficinas, cursos e atividades de formação em bordado.
Curso oferecido pela cooperativa (Foto: divulgação)
A comercialização ocorre pela loja virtual da Bordana, pela Loja Bordana no MarketCoop, plataforma de comercialização voltada para produtos de cooperativas, e pela Loja Colaborarte, no Shopping Bougainville. Recentemente, a cooperativa também retornou à Feira do Cerrado, além de participar de outras feiras locais e nacionais, eventos e exposições. Também trabalha com encomendas e parcerias institucionais. “Nosso desafio é fazer com que o consumidor perceba que, quando compra uma peça da Bordana, não está levando apenas um produto artesanal. Está levando design, cultura, identidade do Cerrado, trabalho manual e impacto social. Cada peça é produzida por várias mãos, pelas mãos de diferentes cooperadas, e carrega consigo uma história, um saber e um pouco da identidade de cada uma de nós.”
Cerrado é destaque no trabalho da Bordana (Fotos: divulgação)
Sobre a presença das mulheres no cooperativismo, Celma avalia como um cenário em transformação, mas defende que há espaço para ir além. “Precisamos avançar bastante quando falamos de liderança, espaços de decisão e igualdade de oportunidades. Nós, mulheres, muitas vezes precisamos provar nossa capacidade várias vezes para ocupar espaços que ainda são majoritariamente masculinos”, afirma ao citar que, no entanto, a dificuldade não termina quando uma mulher chega a uma posição de liderança. “É preciso criar condições para que elas cheguem, permaneçam, tenham voz e possam exercer plenamente essa liderança”, ressalta.
Ela chama atenção ainda para uma barreira que começa fora das cooperativas e atravessa a trajetória profissional das mulheres: a divisão desigual do trabalho doméstico e dos cuidados. Segundo dados do IBGE citados por Celma, em 2022 as mulheres dedicavam, em média, 21,3 horas por semana aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas. Entre as pessoas ocupadas, as mulheres também dedicavam mais tempo a essas atividades.
A diferença aparece também na remuneração. Dados do IBGE citados pela diretora-presidente mostram que, em 2024, o rendimento médio das mulheres no Brasil correspondia a 78,6% do rendimento médio dos homens. Para Celma, esses números ajudam a mostrar por que discutir liderança feminina exige olhar para as condições que antecedem a chegada aos espaços de decisão. “Por isso, quando falamos sobre a presença feminina na liderança, precisamos compreender que nem todas as mulheres partem do mesmo lugar. Igualdade significa oferecer as mesmas oportunidades; equidade significa reconhecer que existem desigualdades históricas e estruturais e criar condições para que elas possam ser superadas”, acrescenta.
Para Celma, essa é também uma das razões pelas quais o cooperativismo pode desempenhar um papel importante na ampliação da autonomia feminina. “O sistema cooperativista pode ser um instrumento muito poderoso nessa transformação, porque trabalha com participação, formação, organização coletiva, solidariedade e autonomia econômica”, diz. “Não se trata de ocupar um espaço por sermos mulheres. Trata-se de garantir que mulheres competentes e preparadas tenham as mesmas possibilidades de chegar, e as condições necessárias para permanecer e liderar.”
O crescimento da participação feminina dentro do cooperativismo não se distribui de maneira uniforme. Segundo Márcia Cristina de Toledo, conselheira do SESCOOP/GO, as mulheres têm presença expressiva em áreas como saúde, crédito e educação, nas quais a atuação feminina já possui uma trajetória mais consolidada. Em setores tradicionalmente masculinizados, como transporte, agropecuária e engenharia, as barreiras permanecem mais evidentes. A dificuldade passa pela menor presença de mulheres na formação técnica de base, pelo acesso mais restrito a redes de relacionamento profissional e por processos de sucessão que ainda podem reproduzir padrões antigos.
É justamente nesses setores que, na avaliação de Márcia, a construção de novas referências pode desempenhar um papel importante. Ela defende o estímulo à formação técnica feminina desde a base, a criação de programas de mentoria dentro das cooperativas e a ampliação da visibilidade de mulheres que já atuam nessas áreas. É nesse ponto que entram iniciativas do Sistema OCB/GO e do SESCOOP/GO voltadas à capacitação, ao desenvolvimento de lideranças e à ampliação da participação feminina dentro das cooperativas.
“O papel do Sistema é criar as condições estruturais para que esse avanço não dependa de esforço individual, e sim de política institucional. O SESCOOP/GO tem investido em programas de capacitação, mentoria e encontros voltados especificamente à liderança feminina, além de fóruns que dão visibilidade a essas mulheres dentro do movimento cooperativista”, afirma Márcia. “Esse tipo de iniciativa cumpre um papel duplo: prepara tecnicamente essas lideranças para os desafios de gestão e governança e, ao mesmo tempo, mostra para outras mulheres dentro das cooperativas que esse caminho é possível”, complementa.
A construção de espaços de reconhecimento também ganhou uma marca própria em Goiás. A partir deste ano, o Estado passou a celebrar, em 15 de agosto, o Dia Estadual da Mulher Cooperativista. A data foi instituída pela Lei nº 24.451, de 10 de julho de 2026, de autoria do deputado estadual Delegado Eduardo Prado, e incluída no Calendário Cívico, Cultural e Turístico de Goiás. A escolha do dia faz referência ao nascimento da professora e pesquisadora Diva Benevides Pinho, referência nos estudos e na difusão do cooperativismo no Brasil.
A própria criação da data veio acompanhada de uma programação dedicada às mulheres que atuam no setor. Em agosto, o Sistema OCB/GO promoveu um encontro de líderes e cooperadas para marcar o primeiro Dia Estadual da Mulher Cooperativista, reunindo mulheres para discutir conquistas, desafios e protagonismo feminino no cooperativismo.
No âmbito nacional, o Sistema OCB mantém o Comitê Elas pelo Coop, criado para fortalecer a participação e a liderança feminina no movimento cooperativista. O colegiado atua na formação de lideranças e no fortalecimento da pauta feminina, enquanto os comitês estaduais e as próprias cooperativas desenvolvem ações locais. Em 2026, o comitê nacional também definiu entre suas prioridades a formação de novas lideranças e o fortalecimento da participação feminina nos espaços de decisão.
Em Goiás, esse trabalho se desdobra em programas de formação, palestras e encontros voltados às mulheres cooperativistas, com temas que passam por mercado, inovação, gestão e desenvolvimento profissional. Para a conselheira do SESCOOP/GO, os resultados desse trabalho precisam ser vistos em uma perspectiva de médio e longo prazo. “Mas os números que discutimos atualmente mostram que ele já está dando resultado”, acrescenta ao enfatizar, mais uma vez, o poder da busca por atualização contínua.
Na história da Bordana, formação não aparece como uma etapa separada da atividade da cooperativa. Ela se mistura à possibilidade de fazer o negócio avançar. Celma Grace, diretora-presidente da organização, diz que aprender continuamente se tornou parte de sua maneira de liderar. “Para mim, formação continuada é fundamental, principalmente quando estamos à frente de uma cooperativa que precisa se desenvolver sem perder sua essência e seus valores. O Sistema OCB/GO, por meio do Sescoop/GO, tem sido um parceiro muito importante na nossa trajetória”, garante. Celma cita participação em capacitações, encontros e iniciativas voltadas especificamente para o fortalecimento do cooperativismo. “Essas oportunidades têm contribuído muito para ampliar nosso conhecimento sobre gestão, governança, liderança, planejamento, comercialização, organização financeira e os próprios princípios e valores do cooperativismo”, afirma.
A experiência, segundo Celma, é especialmente importante para pequenas cooperativas, nas quais o conhecimento sobre a atividade nem sempre vem acompanhado da mesma experiência em gestão. “Muitas pequenas cooperativas, como a Bordana, são constituídas por pessoas que têm muito conhecimento e experiência em suas atividades, mas que precisam de acesso à formação para fortalecer a gestão e assumir, com mais segurança, os desafios de administrar uma organização coletiva.”

Bordana é uma cooperativa sediada em Goiânia e liderada por uma mulher (Foto: divulgação)
Além do Sistema OCB/GO e do SESCOOP/GO, a Bordana já participou de capacitações e programas desenvolvidos em parceria com o Sebrae, universidades, Programa Acolher da Natura e programas de aceleração, entre outras iniciativas. Cada experiência, conta Celma, ampliou o repertório da cooperativa e abriu novas possibilidades. “O bordado foi o fio que nos uniu, mas foi o cooperativismo que nos deu força para transformar trabalho em renda, renda em autonomia e autonomia em novas histórias”, finaliza.
