Samuel Straioto
Goiânia – Os seis candidatos ao governo de Goiás nas eleições de 2026 apresentam propostas diferentes para a organização e o funcionamento da máquina pública estadual. Os planos incluem desde a digitalização e a integração de serviços, a criação de estruturas de governança e a valorização de carreiras até medidas como o fim da terceirização, a substituição de modelos de gestão por Organizações Sociais e a ampliação de concursos públicos.
Levantamento feito pela reportagem do jornal A Redação, a partir da análise dos planos de governo apresentados pelos candidatos Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luís César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), mostra que a área administrativa é uma das que apresenta maior variação de detalhamento entre os planos analisados.
Enquanto alguns candidatos dedicam um capítulo próprio à modernização da gestão pública, com programas, estruturas de governança e metas específicas, outros tratam o tema de forma mais pontual, associado a setores como saúde e educação, ou apresentam propostas de caráter mais geral sobre o funcionalismo público.
Daniel Vilela (MDB)
O plano de governo de Daniel Vilela dedica um dos seis eixos estratégicos do documento à “Capacidade Institucional e Governança”. A campanha do emedebista cita como resultados da atual gestão o Selo Ouro da ABEP-TIC, o 1º lugar em Qualidade da Informação Contábil e Fiscal e a 4ª posição no Pilar Eficiência da Máquina Pública do Ranking de Competitividade dos Estados, do Centro de Liderança Pública (CLP).
Entre as propostas está o programa “Revogaço Goiás”, de desburocratização e simplificação regulatória, com revisão de normas, eliminação de exigências desnecessárias e adoção do princípio de que o cidadão não deve apresentar repetidamente informações que já estejam disponíveis ao Estado. O plano também propõe a criação de uma Estrutura Estadual de Governança Integrada, inspirada em boas práticas de Centro de Governo difundidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para coordenar a atuação das secretarias em projetos estratégicos e situações críticas.
Na gestão de pessoas, o documento propõe o programa “Integra”, uma plataforma que reunirá cadastros de servidores, folha de pagamento e processos funcionais, utilizando inteligência artificial para apoiar decisões sobre alocação, capacitação e desenvolvimento dos servidores. O plano também prevê ampliar a formação continuada e os intercâmbios institucionais dos servidores, além de fortalecer a sustentabilidade atuarial da previdência estadual.
Outras propostas incluem o “e-Goiás”, de digitalização das prefeituras, o programa de eficiência energética em prédios públicos e a estruturação de um Novo Centro Administrativo do Estado, reunindo secretarias hoje dispersas em imóveis alugados em um único endereço.
Danilo Pinheiro (PCO)
O programa do Partido da Causa Operária trata a administração pública sob a perspectiva da defesa do funcionalismo e dos serviços públicos, com proposta batizada de “Fim da destruição dos serviços públicos e dos ataques ao funcionalismo”. O documento defende a manutenção da estabilidade dos servidores públicos e se posiciona contra qualquer forma de terceirização, propondo estabilidade imediata para servidores contratados precariamente, com isonomia de direitos e salários.
Entre as medidas está a realização de concursos públicos periódicos para repor o quadro de servidores, além do aumento de verbas para saúde, educação e demais serviços essenciais. O programa também defende o fim do teto de gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal e se opõe ao que classifica como congelamento de gastos públicos. Assim como em outras áreas, essas propostas têm caráter de plataforma nacional, sem detalhamento específico de medidas administrativas para o governo de Goiás.
Luciana Amorim (UP)
O plano de Luciana Amorim, da Unidade Popular, não apresenta um programa específico de modernização da gestão pública estadual. A proposta do partido para a administração se estrutura em torno do conceito de “poder popular”, descrito no documento como o exercício direto da vida política pelos trabalhadores, para além do voto a cada quatro anos.
Entre as propostas relacionadas ao funcionalismo está a realização de um novo concurso público para suprir o déficit de profissionais da educação, além de concursos estaduais anuais nas áreas de cultura. O documento também propõe a criação de conselhos populares para debater políticas específicas, como o Conselho Popular de Mulheres, com orçamento próprio e autonomia de atuação.
Nas propostas gerais do partido, aparecem ainda a obrigatoriedade de que todos os políticos utilizem o Sistema Único de Saúde (SUS) e a defesa de prisão para “todos os corruptos e corruptores”, associadas a uma crítica mais ampla ao funcionamento das instituições.
Luís César Bueno (PT)
O plano de Luís César Bueno não reúne a administração pública em um capítulo próprio, mas apresenta uma estrutura de governança vinculada ao seu modelo de desenvolvimento econômico. O documento propõe a criação do Conselho Goiás 2030, com representação plural para definir diretrizes e acompanhar resultados; do Escritório de Grandes Projetos, para centralizar o acompanhamento de licenças, recursos e prazos; e de Comitês Regionais, para organizar prioridades locais. Um painel público, com atualização trimestral, deve reunir metas, cronogramas, custos e indicadores socioambientais dos projetos.
O documento estabelece ainda que nenhuma meta poderá ser incorporada ao orçamento sem fonte de recurso, cronograma, responsável, custo de manutenção e avaliação de impacto definidos previamente. Na área da saúde, o plano apresenta uma proposta específica de reforma administrativa: substituir, de forma planejada, a gestão hospitalar por Organizações Sociais (OSs) por administração pública direta, com servidores efetivos, carreira estruturada e gestão participativa, citando como problema atual a fragmentação da governança e a instabilidade do trabalho em saúde sob o modelo vigente.
Marconi Perillo (PSDB)
O plano de Marconi Perillo apresenta um capítulo específico chamado “Governança e Gestão Pública”, que integra o eixo “Governo” do documento. A proposta central é retomar e atualizar o modelo do Vapt Vupt, criado em governos anteriores do candidato, como referência para uma nova etapa de simplificação administrativa, combinando atendimento presencial, serviços digitais e integração entre órgãos.
O documento também propõe ampliar a oferta de serviços públicos digitais completos, com integração de sistemas entre diferentes órgãos e adoção do princípio de que o cidadão não deve apresentar informações que o Estado já possui. Outra proposta é ampliar o uso de dados e inteligência artificial para apoiar decisões e melhorar serviços, sempre com mecanismos de revisão e responsabilização quando houver efeitos sobre direitos das pessoas.
Na valorização dos servidores, o plano propõe rever a cobrança previdenciária de 14,25% incidente sobre aposentadorias e pensões e revisar o modelo do Ipasgo, o plano de saúde do servidor, com fortalecimento da rede de atendimento. O documento também prevê fortalecer mecanismos de integridade, controle interno e transparência, com acompanhamento público das prioridades e resultados do governo.
Wilder Morais (PL)
O plano de Wilder Morais organiza a administração em dois programas: “Serviço e Projeto com Prazo” e “Município Parceiro e Contas em Ordem”. No primeiro, a proposta é selecionar, já no primeiro ano de governo, ao menos 50 serviços estaduais de maior volume ou impacto em direitos, publicando, para cada um, documentos exigidos, prazo, canal de atendimento e responsável. O documento também prevê integrar portal, aplicativo, telefone e atendimento presencial em um único caminho, com protocolo único de acompanhamento.
Outra proposta é firmar um acordo de resultado entre o governador e os secretários, vinculado aos programas de governo e à avaliação trimestral, além de abrir dados de filas, obras, contratos e metas em formato público. O plano também prevê a criação do Escritório Estadual de Projetos, vinculado diretamente ao governador, para apoiar a concepção e o acompanhamento dos projetos do governo.
No segundo programa, voltado à relação com os municípios, o documento propõe que o mesmo Escritório Estadual de Projetos apoie as prefeituras em engenharia, licenciamento e captação de recursos, além da criação de uma unidade de apoio aos municípios para a transição da reforma tributária, acompanhando o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e orientando o redesenho dos instrumentos de desenvolvimento regional.
Resumo das propostas para Administração
| Candidato | Partido | Principais propostas |
|---|---|---|
| Daniel Vilela | MDB | Revogaço Goiás para desburocratização, Governança Integrada inspirada na OCDE e plataforma Integra de gestão de pessoas com inteligência artificial. |
| Danilo Pinheiro | PCO | Estabilidade dos servidores, fim das terceirizações e concursos públicos periódicos, sem detalhamento específico para Goiás. |
| Luciana Amorim | UP | Poder popular com conselhos populares, concurso público para a educação e obrigatoriedade de uso do SUS por políticos. |
| Luís César Bueno | PT | Conselho Goiás 2030 e Escritório de Grandes Projetos vinculados ao plano econômico; fim da gestão por OSs nos hospitais. |
| Marconi Perillo | PSDB | Retomada do Vapt Vupt, governo digital integrado, uso de dados e IA e fim da cobrança previdenciária de 14,25%. |
| Wilder Morais | PL | Carta de serviços com prazo para 50 serviços, acordo de resultado com secretários e Escritório Estadual de Projetos. |
Fonte: levantamento da reportagem de A Redação, com base nos planos de governo dos candidatos ao governo de Goiás para as eleições de 2026.
