A Redação
Goiânia – A falta de energia elétrica é apontada como o principal gargalo para a expansão dos confinamentos de gado em Goiás, segundo dados da Expedição PeseBem, divulgados pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag nesta segunda-feira (21/9). O levantamento também identificou problemas relacionados à falta de mão de obra e à cobertura de telefonia e internet, principalmente nas propriedades mais afastadas.
Realizada entre 15 e 19 de setembro, a expedição percorreu cerca de 6 mil quilômetros pelas regiões Sul e Norte do Estado e visitou 50 confinamentos, que juntos reúnem mais de 1 milhão de animais. Ao todo, 19 profissionais participaram do trabalho de campo, com mais de 30 pessoas envolvidas na operação.
Segundo o presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Armando Rollemberg, as limitações na infraestrutura de energia dificultam a expansão da pecuária, especialmente na região Norte. A falta de mão de obra e de conectividade também prejudica a adoção de tecnologias nas propriedades.
“Ficou muito claro que o principal gargalo em todo o estado de Goiás, principalmente na pecuária e na região Norte, é a energia. Temos um problema de expansão da pecuária por conta da disponibilidade de energia”, afirmou.
Apesar dos problemas de infraestrutura, a expedição identificou avanço no uso de tecnologia nos sistemas de produção. Rollemberg destacou o crescimento da terminação intensiva e da integração lavoura-pecuária, além da presença de animais precoces nos confinamentos.
De acordo com ele, foram encontrados casos de animais considerados superprecoces, abatidos aos 14 meses, com média de 23 arrobas. Também foram visitadas propriedades com diferentes modelos de produção, desde sistemas totalmente confinados até aqueles que utilizam a integração lavoura-pecuária para acelerar o ciclo produtivo.
Custos
Outro problema identificado é o custo de reposição dos animais destinados ao confinamento. Segundo Rollemberg, o preço de compra do gado tem pressionado as margens dos produtores.

“Temos um alto custo de reposição desse garrote ou dessas novilhas para o confinamento. Estamos falando de um animal que será vendido por cerca de R$ 340 a R$ 350 por arroba, enquanto o boi está sendo comprado em torno de R$ 400 por arroba. Isso deixa uma margem muito apertada e pressiona as margens do confinamento”, afirmou.
A expedição identificou custos diários de produção entre R$ 13 e R$ 17 por animal nos confinamentos visitados. O levantamento também apontou incertezas entre os produtores sobre a continuidade da atividade em 2027.
Para Rollemberg, a preocupação está relacionada ao atual momento do ciclo pecuário. “A gente acredita que, a partir do ano que vem, estejamos revertendo esse ciclo”, disse.
Pesagem
O PeseBem também acompanha a pesagem das carcaças nos frigoríficos. Segundo coordenador do PeseBem, Alexandre Reis, os produtores podem se cadastrar para acompanhar o procedimento em tempo real e comparar os dados registrados pelo frigorífico com as informações coletadas pelo programa.
O produtor recebe um link pelo celular para acompanhar a pesagem e também tem acesso ao romaneio utilizado pelo frigorífico. A ferramenta permite conferir os dados registrados pela indústria.
A Expedição PeseBem foi realizada em parceria com os Sindicatos Rurais e patrocinadores. Goiás está entre os três estados brasileiros com maior número de animais confinados, segundo o Sistema Faeg/Senar/Ifag.
Os dados coletados devem subsidiar ações de capacitação, políticas públicas e medidas voltadas à melhoria dos processos de produção.