Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – O cineasta Antônio Eustáquio Taquinho fará o lançamento do filme que produziu e dirigiu, intitulado “DJ Oliveira – O Dom Quixote dos Pincéis”, na quinta-feira, dia 24, às 9h, na Casa Rosada de Goiânia, sede do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. O documentário resgata um nome que trouxe a modernidade para a vida artística em Goiás, que vivia sob a influência marcante de Veiga Vale, artista barroco que buscou esse estilo em Minas Gerais. “Artista que surgiu com Frei Confaloni, sua importância é inquestionável”, ressalta o artista Gomes de Souza, que o teve como mestre. “O filme está maravilhoso. Recomendo”, afirmou.
Dirso José de Oliveira (Bragança Paulista, SP, 14.11.1932 – Goiânia, GO, 23.09.2005) foi um artista plástico e muralista com atuação destacada em Goiás, como registra a Wikipédia. Sua produção inclui pinturas, gravuras e murais com forte influência expressionista. Além da atividade artística, teve papel central na formação de artistas goianos nas décadas de 1960 e 1970, como Professor na Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás e influenciou artistas como Ana Maria Pacheco, Iza Costa, Roosevelt, Sáida Cunha e Siron franco, impulsionando o circuito artístico, crítico e cultural da região.
DJ Oliveira mudou-se para Goiás em 1956. Em Goiânia, passou a dedicar-se exclusivamente à pintura, à gravura e aos murais, sempre retratando temas do cotidiano goiano. Ele adaptou a técnica de gravura em metal, em geral feita no cobre, para a prática da gravura em ferro. Ficou famoso por utilizar a técnica do afresco em obras como os painéis da Universidade Federal de Goiás e da fachada do Colégio Maria Auxiliadora.

Taquinho
Um dos pioneiros na cinematografia em Goiás, com mais de 10 mil comerciais produzidos em 60 anos de carreira, dirigindo comerciais, fazendo novelas, filmes e campanhas políticas, com muitos prêmios, inclusive internacionais, Antônio Eustáquio Alves da Silva (Taquinho), 77 anos, construiu uma das mais bem sucedidas carreiras na área.
Mineiro de Abaeté, gostava de jogar futebol, como goleiro, e se destacava por sua atuação. Era titular no time da sua cidade desde os 13 anos e se preparava para ir para o Atlético Mineiro.
Seu irmão mais velho, José Maurício, mudou-se para a capital goiana nos anos 1950, e estava bem empregado, trabalhando na Centrais Elétricas de Goiás. Quando escrevia à família dizia ao pai, que era carpinteiro que caprichava em seus trabalhos em madeira, para se mudar para Goiânia, que tinha mais oportunidades de estudo e trabalho para os filhos, o que Abaeté não oferecia.
O pai então decidiu tentar a sorte na capital goiana e se mudou com a família em 1964. Mas o quadro não foi favorável na época: o primogênito fora preso pelos militares que assumiram o poder naquele ano, torturado e acabou ficando doente. Com isso, a família, que tinha uma vida tranquila em Minas Gerais, ficou numa situação difícil.
Ao chegar a Goiânia, aos 18 anos, encontrou esse quadro e decidiu se fixar na cidade. Logo nos primeiros dias recebeu convite para conhecer o Vila Nova Futebol Clube, participou de um treino no time, destacou-se, e conheceu os profissionais da imprensa que davam cobertura jornalística à equipe, que o elogiaram. Depois, visitou a TV Anhanguera, onde encontrou esses jornalistas e conversaram. O empresário Fabiano Câmara logo arranjou um emprego para ele, como cameraman na emissora, pensando em tê-lo, nas horas vagas, também como jogador do time da empresa, que no domingo já tinha um compromisso: escalado para jogar, fez bonitas defesas, inclusive pegando um pênalti, e a equipe ganhou de 1×0.
Assim começou sua aproximação com o meio televisivo, ao ingressar em 1965 na TV Anhanguera sem ter conhecimento da área, apenas as orientações dadas pelos novos colegas de trabalho. A emissora, na época, produzia, sob o comando de Cici Pinheiro, a primeira telenovela goiana, intitulada “A Família Brodie” (título em português de “Hatter’s Castle”, o aclamado romance de estreia do escritor escocês A. J. Cronin, publicado originalmente em 1930 e traduzido no Brasil por Rachel de Queiroz). Tudo era simples, com muitas improvisações, em função do material disponível: os atores treinavam à tarde e, à noite, já se apresentavam ao vivo, sem prévia gravação. As novelas faziam enorme sucesso, os artistas se tornaram estrelas e tinha um local para dar autógrafos, quando a polícia colaborava para evitar tumultos.
Pioneiro da televisão em Goiânia, o publicitário Euclides Neri de Oliveira Júnior, que iniciou a carreira na TV dos Diários Associados em Goiás, na década de 1960, e depois na TV Anhanguera como câmera, de onde saiu para montar o próprio negócio, mudou a trajetória de Taquinho. Empreendedor, com visão de negócios, via o potencial de seu colega, e quando adquiriu suas primeiras máquinas de filmar incentivou-o a deixar a televisão e ir trabalhar com ele na Makro Filmes, que acaba de criar. Ensinou ao amigo como manejar os novos equipamentos e o mandou para o primeiro desafio: filmar a empresa Vicunha, de tecidos, em Anápolis, onde ficou uma semana. Ao retornar, entregou-lhe um monte de latas de filmes para serem revelados em São Paulo, o que demorava muitos dias.
O primeiro trabalho foi considerado positivo, Euclides aproveitou bem o material produzido e começaram, juntos, essa nova caminhada, que Taquinho está completando 60 anos.

Um belo e necessário registro da trajetória de dois grandes mestres: DJ Oliveira, o Dom Quixote dos Pincéis, e Taquinho, o Dom Quixote das Imagens. Dois artistas que, por caminhos diferentes, ajudaram a construir a memória cultural de Goiás. Um documentário que nasce do afeto, da admiração e da preservação de uma história que não pode ser esquecida. Parabéns a Jales Naves pelo texto e a Taquinho por eternizar a obra e a memória do mestre DJ Oliveira.