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O poder de uma guitarrista

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20.09.2013 - 19:50:18

Goiânia – Posso confessar uma coisa para você de coração aberto? Eu não resisto a uma guitarrista. Não sei por que cargas d’água, não sei por que diabos, não sei por qual razão. Mas quando uma garota pega no instrumento de seis cordas, meu olhar fica mais atento. Caso ela toque bem, meu amigo, é preciso muito autocontrole…

Não tenho explicação para isso. Acho lindo quando uma mulher se impõe como vocalista e figura central da banda. Adoro quando ela comanda o groove nas quatro cordas do baixo. Impressiona quando consegue imprimir ritmo por meio das baquetas. Causa comoção quando a garota transmite sentimento pelos acordes do teclado. Mas a real é que nada se compara à guitarra.

Talvez seja pela exceção, já que é raro vermos mulheres guitarristas, ainda mais debulhando o instrumento. Talvez seja o fetiche sem vínculo racional mesmo. Como eu disse, não tenho explicação para esse fascínio.

O motivo para o baixo número de mulheres guitarristas é o mais puro machismo, acredito. As famílias estimulam as garotas, ainda quando crianças, a partir para outros tipos de manifestação artística. Dança, teatro, artes visuais… Quando se trata de música, piano e coral são as primeiras escolhas.

Só conseguimos ser bons naquilo que temos talento e somos estimulados, naturalmente. Como teremos grandes guitarristas se inibimos o contato das meninas com esse instrumento? Somente as muito determinadas conseguem se destacar.

É claro que um bom guitarrista também me impressiona. Mas como minha orientação sexual não estimula outro tipo de olhar para esse músico, a coisa para por aí. É igual quando vejo um grande jogador de futebol, um intelectual de respeito ou um (raro) político admirável. O que é completamente diferente quando se trata de uma garota em qualquer desses campos. Maldito seja o crescei-vos e multiplicai-vos.

Se você já me acompanha de um tempo, sabe que tenho duas filhas. Meu sonho é que as duas, primeiramente, sejam felizes – tal qual todo pai preocupado com o bem estar da prole.

Depois, se houver espaço para dar algum palpite na vida alheia, que sejam excelentes guitarristas. Não consigo sequer imaginar a reação de meu coração se visse uma filha reinterpretando uma canção de um dos meus ídolos. Hendrix, Clapton, Townshend, Richards…

Enquanto minhas baixinhas não se interessam por isso, fico aqui admirando as que o fazem com maestria. E, nesse caso, admiração pouca é bobagem…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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