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Música no Campus tem virtudes de sobra

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18.09.2013 - 15:39:15
(Foto: Flavia Cruvinel)

Ontem fui ao Campus 2 da Universidade Federal de Goiás assistir outra edição do Música no Campus. Levei a caçula para que ela comece a ter contato com o que importa quando o assunto é cultura. No palco, o lendário Jorge Mautner.

Show perfeito, plateia interessada embora em número aquém do merecido para o peso artístico de quem se apresentava, astral em cima como de costume em eventos na UFG.

Saí um pouco antes do término do show porque a baixinha entregou os pontos e capotou no meu colo. Enquanto dirigia pelo Itatiaia rumo à minha casa, pensei: “Esse projeto é bom demais”.

O Música no Campus nasceu em setembro de 2009 com o show de Hamilton de Holanda Quinteto. Desde então, já contabiliza 21 apresentações, já somada a de ontem. Ao final desse ano serão 23, já que Otto (dia 19/11) e a dupla Milton Nascimento e Lô Borges (10/12) estão na agenda. Desde figurões do mais alto calibre como Gilberto Gil ou Gal Costa passando por nomes como Ná Ozzetti ou Rosa Passos já deram o ar da graça na UFG.

O ponto forte do projeto é oferecer à sociedade artistas que dificilmente teriam viabilidade econômica para uma apresentação custeada pela iniciativa privada. Os nomes grandes teriam ingressos impeditivos. Os pequenos, sem chance alguma. Nessa perspectiva, o Música no Campus cumpre sua função social de garantir a possibilidade de fruição de bens culturais que dificilmente seriam ofertados à população.

Outro fato que merece destaque é o valor cobrado pelo ingresso. Podemos considerar simbólico R$ 20 a inteira para o padrão dos shows oferecidos. Basta comparar com a média para apresentações do mesmo porte em outros espaços de Goiânia. O preço é infinitamente inferior.

Também merece destaque o respeito do Música no Campus pela agenda cultural da cidade. Programar essas atrações para terças-feiras é genial. Esse dia da semana é tradicionalmente de menor atividade. Logo, o projeto sempre é uma opção interessante. Além disso, não concorre com outras iniciativas privadas da cidade, fomentando a cena local. Convenhamos, quem conseguiria concorrer com um show dessas características em um dia nobre como sexta-feira ou sábado com um preço tão em conta? Seria impossível.

Como nada é perfeito, o Música no Campus precisaria somente de um detalhe para se tornar paradigmático para outras instituições: estimular o diálogo com a produção artística local. A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFG poderia bancar um edital público para artistas goianos que fariam o show de abertura dos espetáculos nacionais. Há viabilidade técnica para isso e seu compromisso público seria ampliado.

Contudo, esse detalhe não ofusca nada do exitoso projeto. Que o Música no Campus se transforme em política perene da UFG, se mantendo por muitos e muitos reitorados. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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