Yuri Lopes
Goiânia – O Café de Ideias divulgou na manhã desta quarta-feira (28/8) a programação completa dos encontros que serão realizados de 13 de setembro até 6 de dezembro, no Auditório Lygia Rassi, no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON).
As palestras, que estão mais para bate-papos, terão como convidados desta segunda etapa Vladimir Safatle (13/9), Mary Del Priore (27/9), Regina Navarro (19/10), Ruy Castro (8/11), Oswaldo Giacoia Jr (29/11) e Leandro Karnal (6/12).
O nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a ser cogitado para o evento, mas não pôde ser confirmado pela organização.
A programação do primeiro semestre do Café de Ideias teve como convidados Marilena Chauí, Flávio Gikovate, Roberto DaMatta, Márcia Tiburi e Flávio Kothe.
O projeto foi criado e é coordenado por Lisandro Nogueira e Nasr Chaul. A ação é uma realização do CCON e da Secretaria da Educação do Estado de Goiás, com apoio cultural da Universidade Federal de Goiás(UFG).
Confira abaixo uma breve apresentação de cada um dos convidados e suas respectivas palestras:
"A sociedade do consumo e os perversos: a crítica moral ao individualismo" com Vladimir Safatle ,.
Dia 13 de setembro, 19h30, sexta-feira, entrada franca.
Desde os anos noventa, vários foram os estudos psicanalíticos que procuraram fazer um diagnóstico das sociedades de consumo utilizando-se da categoria clínica de perversão. A função da afirmação das fantasias como elemento de reconhecimento social, o enfraquecimento dos discursos repressivos em prol de necessidade econômica de afirmação individual do gozo, a pretensa descartabilidade das relações afetivas : todos estes "sintomas" seriam evidência de que nossas sociedades de consumo tenderiam a se organizar a partir de uma lógica de generalização não-problemática de comportamentos perversos. Mas este seria realmente um bom diagnóstico social? Em que tal diagnóstico apenas atualiza a crítica moral ao hedonismo e ao individualismo?
Currículo: Professor Livre Docente do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo. Foi professor visitante das Universidades de Paris VII , Paris VIII, Toulouse e Louvain, além de responsável de seminário no Collège International de Philosophie (Paris). Desenvolve pesquisas nas áreas de: epistemologia da psicanálise e da psicologia, desdobramentos da tradição dialética hegeliana na filosofia do século XX e filosofia da música. É um dos coordenadores da International Society of Psychoanalysis and Philosophy.
"Histórias intimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil" com Mary Del Priore
Dia 27 de setembro, 19h30, sexta-feira, entrada franca.
O erotismo mudou através dos tempos; o que permaneceu, durante séculos, foi o controle do prazer sexual. Sexo? Só para a procriação e submetido a sanções sociais, religiosas e até médicas. Do bordel ao motel, da fotografia à tela do computador, da "pederose" à pedofilía, da perseguição ao antifísico à homofobia, do corpo coberto ao nu: como passamos de um mundo em que quase tudo era proibido, mesmo entre quatro paredes e chegamos a esse em que não se proíbe quase nada, até em público? Na intimidade, miramos nossas contradições. Resta saber se gostamos do que vemos.
Currículo: ex-professora de História da PUC/RJ e da USP, atualmente ensina no curso de pós-graduação da Universidade Salgado de Oliveira. Autora de 36 livros de história do Brasil, ganhadora de vinte prêmios nacionais e internacionais como Jabuti, Casa Grande & Senzala, APCA, Ars Latina entre outros.
"Amor, o futuro que se anuncia" com Regina Navarro
Dia 18 de outubro, 19h30, sexta-feira, entrada franca.
Desejos, seduções, encontros, paixões, casamentos, ciúme, infidelidade, separações… Ao perguntarmos o que é o amor, ouviremos respostas divergentes. O amor não tem medida nem mapa. A forma como amamos e praticamos sexo é construída socialmente. Crenças, valores, expectativas, determinam a conduta íntima das pessoas. Apesar da evolução nas décadas de 60 e 70, homens e mulheres ainda sofrem com seus desejos, medos, culpas e frustrações. Entretanto, o grande dilema hoje se situa entre o desejo de simbiose e o desejo de liberdade, sendo que este último parece que começa a predominar. Como serão então as relações amorosas daqui pra frente?
Currículo: Regina Navarro é psicanalista e escritora. Autora de onze livros sobre relacionamento amoroso, entre eles o best seller A Cama na Varanda. Em 2012 lançou O Livro do Amor, em dois volumes – Volume I: Da Pré-História à Renascença; Volume II: Do Iluminismo à Atualidade. Consultora e participante do programa Amor & Sexo, da TV Globo. Assina coluna semanal, aos domingos, no jornal O Dia, do Rio de Janeiro. É titular de um blog no portal UOL.
"Da biografia — Nelson Rodrigues, Garrincha, Carmen Miranda — à crônica" com Ruy Castro
Dia 8 de novembro, sexta-feira, 19h30, entrada franca.
Ruy Castro sempre defendeu a ideia de que o biógrafo tem de se pautar pela objetividade total. Sua matéria prima é a informação — e, se ele não tem a informação, não pode escrever. Mais ainda: para Ruy, o biógrafo não pode se meter na cabeça do biografado, nem deduzir, imaginar e muito menos inventar nada. Usar a primeira pessoa, então, nem pensar. Mas, em seu último livro, "Morrer de prazer — Crônicas da vida por um fio", Ruy usa liberalmente a primeira pessoa em textos bem confessionais. Qual é a diferença entre a biografia e a crônica?
Currículo: Ruy Castro é jornalista e escritor. Autor de Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova, O anjo pornográfico – A vida de Nelson Rodrigues", "Estrela solitária – Um brasileiro chamado Garrincha" (1995), "Ela é carioca -Uma enciclopédia de Ipanema", "A onda que se ergueu no mar – Novos mergulhos na Bossa Nova" (2001), "Flamengo – O vermelho e o negro" (2001), e "Carmen – Uma biografia" (sobre Carmen Miranda, com a qual ganhou seu terceiro prêmio Jabuti)
"A preguiça e a melancolia" com Oswaldo Giacoia Jr.
Dia 29 de novembro, 19h30, sexta-feira, entrada franca.
Em nossas sociedades pós industriais contemporâneas, o imperativo categórico do sucesso social por meio de performances e rendimentos mantém o ócio sob suspeita e banimento, como algo da ordem do desajuste e anormalidade, a despeito de todas as utopias que celebravam as promessas da tecnologia como a realização da fantasia de uma libertação do homem da escravidão, da servidão e da necessidade, como as núpcias entre o trabalho produtivo e o lazer.
Seria o caso de se pensar num papel positivo para categorias politicamente ainda descreditadas, como as diferentes modalidades transgressivas de excesso, prodigalidade, desperdício: o não fazer nada, a total ausência de finalidade e instrumentalização, em ruptura com a exigência de consumo infinito e permanente entretenimento. O ideal de navegar na contra-corrente da compulsão à produtividade, de um ideal de felicidade banalizado como bem estar, segurança, ausência de dor e sucesso social.
Currículo: filósofo e professor e livre docente na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Filosofia pela PUC-SP e doutor em Filosofia pela Freie Universität de Berlim. É autor de diversos livros como: Os labirintos da alma, Nietzsche como psicólogo, Nietzsche (coleção Folha Explica), Sonhos e pesadelos da razão esclarecida e Nietzsche e para além do bem e do mal.
"O pecado envergonhado: a inveja e a tristeza sobre a felicidade alheia" com Leandro Karnal
Dia 06 de dezembro, sexta-feira, 19h30, entrada franca.
A inveja é a tristeza pela felicidade alheia. Único pecado do qual ninguém se orgulha, a inveja atravessa a realidade das pessoas. Conviver com pessoas que possuem mais bens, são mais bonitas, mais inteligentes ou com mais carisma do que nós constitui a prática dura da sociabilidade. A fala trata das formas sutis e declaradas da inveja; suas ramificações pela literatura e pela religião e os comportamentos mágicos criados para evitá-la.
Currículo: historiador, doutor em História Social pela USP, professor da UNICAMP e autor de É autor de Teatro da Fé (Editora Hucitec); História na Sala de Aula (Editora Contexto) e Estados Unidos – a formação da nação (Editora Contexto). Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo. Colaborou na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo.