São Paulo – O agora ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira, 20, sentir-se “orgulhoso” de seu trabalho à frente do governo britânico em seu último discurso no cargo, acrescentando que o país está “mais forte e mais justo” desde que assumiu o poder, em 2024.
“Estou convencido de que o Reino Unido está hoje mais forte e mais justo do que estava há dois anos”, afirmou Starmer em seu discurso de despedida em frente a residência oficial do primeiro-ministro, a 10 Downing Street, no centro de Londres. Quem assume o posto é Andy Burnham.
O Palácio de Buckingham informou que o rei Charles III “aceitou graciosamente” a renúncia de Starmer. O escolhido para substituir o premiê, Andy Burnham, seguirá em breve para o Palácio de Buckingham, onde receberá a aprovação formal do rei para assumir o cargo.
O papel do rei remonta a uma época em que o monarca exercia poder supremo e escolhia um primeiro-ministro para comandar o governo. Hoje, o rei não tem poder político, mas o monarca ainda oferece oficialmente o cargo ao líder do partido que consegue obter maioria na Câmara dos Comuns.
Em seu discurso, Starmer afirmou que Burnham tem seu “total apoio”. “Ao passar agora o bastão para Andy Burnham, desejo a ele todo o sucesso”, disse.
“Apesar de todo o foco nos indivíduos, a política sempre será um esporte coletivo, e as mudanças que promovemos para nosso país e nosso partido pertencem a todos que lutaram por elas”, acrescentou. “Saio com serenidade, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos.”
Burnham se tornará o sétimo primeiro-ministro do Reino Unido desde 2016, em uma já conhecida transição de poder, após substituir Starmer na liderança do Partido Trabalhista, de centro-esquerda e atualmente no governo, na última sexta-feira, 17.
A democracia parlamentar britânica permite que partidos no governo troquem seus líderes e, consequentemente, os primeiros-ministros, sem a necessidade de uma eleição geral. A próxima eleição nacional só precisa ser realizada até 2029, embora Burnham possa convocá-la antes, se desejar.
Do Palácio de Buckingham, Burnham seguirá para 10 Downing Street, onde fará seu primeiro discurso como primeiro-ministro.
Um porta-voz afirmou que Burnham dirá estar “profundamente consciente” de quantas mudanças de líder o país enfrentou na última década e prometerá restaurar a estabilidade.
Starmer disse algo semelhante quando assumiu o cargo, há dois anos. No mês passado, ele anunciou que renunciaria após erros de condução e decisões equivocadas que enfraqueceram sua posição dentro do partido e junto ao público.
Burnham foi o único candidato na disputa para se tornar o novo líder do partido, recebendo indicações de 379 dos 403 parlamentares trabalhistas na Câmara dos Comuns.
O ex-prefeito da Grande Manchester prometeu tornar a política “menos tóxica”, melhorar o padrão de vida em todo o país e “trazer de volta a esperança que todos sentimos falta”. “Vou trabalhar para construir uma nova política”, afirmou na sexta-feira. “O país clama por isso.”
Críticos e apoiadores em breve cobrarão detalhes sobre como Burnham pretende cumprir suas promessas.
“Fundamentalmente, só funcionará se for possível gerar um crescimento econômico significativo, porque é a falta de crescimento que realmente está impedindo o país de avançar”, afirmou o fundador do site de notícias The Mill, Joshi Herrmann, que acompanha a carreira de Burnham.
A atenção rapidamente se voltará para quem Burnham nomeará para seu gabinete. Ele deve fazer mudanças na equipe principal de Starmer, especialmente nos cargos mais importantes, como ministros das Finanças, das Relações Exteriores e do Interior.
Em seu primeiro discurso como líder trabalhista, Burnham elogiou as conquistas de Starmer e disse que iria “construir sobre a base deixada” por seu antecessor.
Starmer se tornou líder do Partido Trabalhista em 2020, após uma das piores derrotas eleitorais da legenda, e conduziu o partido a uma vitória esmagadora quatro anos depois. Mas ele logo foi derrotado pelos desafios de governar.
Em sua última sessão de perguntas ao primeiro-ministro no Parlamento, na última quarta-feira, 15, Starmer defendeu o histórico de seu governo no cenário internacional – especialmente o apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia – e suas realizações na política doméstica. Ele citou o fortalecimento das proteções aos trabalhadores, a redução da pobreza infantil, uma lei criada para impedir encobrimentos oficiais após tragédias e o aumento dos gastos com defesa.
“Tenho orgulho de deixar este país em uma situação melhor do que a que encontrei”, afirmou. (Agência Estado, com agências internacionais)
