Samuel Straioto
Goiânia – As convenções partidárias que vão oficializar as candidaturas para as eleições de outubro de 2026 começam neste mês de julho — e os principais partidos de Goiás chegam a esse momento com indefinições relevantes ainda em aberto. Chapa majoritária sem vice confirmado, candidatura ao governo em disputa interna e datas ainda não definidas compõem o cenário em que legendas de diferentes campos políticos entram no período mais decisivo do calendário eleitoral.
O quadro revela que, apesar de meses de articulações, reuniões e encontros pelo interior do estado, as decisões mais estratégicas foram empurradas para o limite do prazo — prática comum na política brasileira, mas que neste ciclo ganha contornos mais intensos diante da complexidade das disputas majoritárias.
MDB opta pelo último dia — e ainda tem vice em aberto
O MDB do governador Daniel Vilela marcou sua convenção para o dia 5 de agosto, último dia do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. O evento será realizado no Centro de Convenções de Goiânia e deve reunir os principais partidos da base governista, que avaliam realizar seus próprios atos no mesmo local e data, transformando o encontro em uma demonstração de unidade do grupo.
A escolha pelo prazo final é estratégica: amplia o tempo disponível para concluir negociações e acomodar interesses dos aliados antes do início oficial da campanha. O ponto mais sensível ainda sem resolução é a vaga de vice-governador. Os nomes cotados — o ex-secretário Adriano da Rocha Lima, o ex-senador Luiz do Carmo e o presidente licenciado da Faeg, José Mário Schreiner, todos do PSD — seguem em disputa interna, e a definição deve ocorrer durante a própria convenção.
O governador reconhece que, por ora, o foco está na agenda administrativa. “Naturalmente, ao final do mês, no início do período de convenções, também dedicaremos um tempo para a política, para a construção desse projeto eleitoral”, afirmou Daniel Vilela. Sobre a disputa, o governador se diz otimista: “Acredito que os goianos reconhecem a importância da continuidade de um projeto que foi muito bem sucedido e liderado pelo governador Caiado.”
PT
O PT chega às vésperas das convenções sem um nome consolidado para o governo do estado. O ex-deputado estadual Luís César Bueno foi aprovado pelo diretório estadual como pré-candidato, mas sua capacidade de projeção é questionada nos bastidores — interlocutores avaliam que ele não tem alcançado o mesmo nível de competitividade nas projeções eleitorais que outros nomes do partido.
A situação ganhou novo capítulo depois de uma conversa entre o presidente Lula, a deputada federal Adriana Accorsi e a vereadora Aava Santiago (PSB). O presidente externalizou que o cenário “ideal” seria ter Accorsi candidata ao governo e Aava disputando o Senado — mas ressaltou que não fez convite formal e que respeitará qualquer decisão das duas, que se mantêm como pré-candidatas a vagas na Câmara.
Da conversa saiu uma decisão concreta: Lula deve encomendar uma pesquisa eleitoral para medir o potencial das duas lideranças antes de qualquer definição. Por enquanto, a vereadora rejeitou a possibilidade de disputar o Senado, alegando compromissos já firmados com a composição de chapas do PSB em Goiás e a deputada reafirmou que pretende disputar à reeleição. Para Accorsi, a decisão de escolha de Luís César Bueno já está tomada.
PL
No campo da oposição, o senador Wilder Morais (PL) foi o único pré-candidato ao governo a anunciar o nome do vice antes das convenções: Ana Paula Rezende, filha do ex-governador Iris Rezende. O movimento antecipa uma definição que os demais campos ainda não fizeram. No entanto, o próprio PL ainda trabalha para definir a data de sua convenção — que, segundo informações, deve ocorrer também no dia 5 de agosto.
No dia 27 do mês passado, houve o evento de lançamento oficial da pré-candidatura do senador Wilder Morais ao Governo de Goiás. A atividade foi realizada no Tatersal de Elite do Parque de Exposições Agropecuárias, no Setor Nova Vila, em Goiânia. O encontro também marcou a apresentação de Ana Paula Rezende como pré-candidata a vice-governadora e dos nomes que disputarão vagas na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa de Goiás e no Senado Federal pelo PL.
O evento contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente. Wilder Morais ressaltou na ocasião que assim como Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para ser pré-candidato a presidente, ele também foi designado para ser candidato em Goiás e que isso tem peso significativo. “Quando o Bolsonaro está do nosso lado, o recado está dado. Quando ele escolhe alguém de Goiás, e tenho orgulho de ter sido escolhido por ele”, destacou.
PSDB
O PSDB de Marconi Perillo chega às vésperas das convenções num impasse que ilustra bem a interdependência das articulações eleitorais em Goiás: o tucano estaria aguardando a definição do vice-governador na chapa de Daniel Vilela antes de montar a sua própria chapa majoritária. A lógica é política — saber quem ocupa o posto no grupo adversário ajuda a calibrar o perfil do vice próprio.
Por ora, três nomes do próprio PSDB são especulados para a vaga: o ex-deputado Hélio de Sousa, o empresário Otavinho Lage e o ex-governador Jalles Fontoura. A preferência de Marconi seria por um nome de outro partido, ampliando o alcance da chapa — mas a articulação não teria avançado até o momento.
Para o Senado, o cenário também está em aberto. São cotados os nomes de Iure de Castro (Cidadania), do ex-procurador do Ministério Público, Benedito Torres, filiado ao PSDB. Jalles Fontoura aparece ainda como alternativa ao Senado, o que o coloca simultaneamente como opção para dois cargos diferentes .
O PSDB também não tem data confirmada para o evento de oficialização. A legenda ainda não anunciou o formato nem o calendário de sua convenção.
O que são as convenções?
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), convenções partidárias são reuniões de filiados a um partido político para julgamento de assuntos de interesse do grupo ou para a escolha de candidatos e formação de coligações — união de dois ou mais partidos para disputar eleições em conjunto.
Pela Lei nº 13.165/2015, as convenções devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto do ano eleitoral. É nesse período que os partidos oficializam os nomes que vão disputar cada cargo, definem coligações, sorteiam os números dos candidatos e deliberam sobre estratégias de campanha. Só podem concorrer às eleições candidatos filiados a um partido — e a convenção é a etapa que transforma o pré-candidato em candidato oficial.
Após a realização das convenções, os partidos têm prazo para registrar as candidaturas no TSE ou nos Tribunais Regionais Eleitorais, conforme o cargo disputado. Somente após o deferimento do registro os candidatos estão aptos a participar oficialmente da eleição. Em Goiás, a expectativa é que as principais convenções confirmem candidaturas ao governo do estado, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Goiás.
