A Redação
Goiânia – Neste domingo (5/7), a morte do goiano Davi Sebba completa 14 anos – tempo durante o qual a família do advogado aguardou pelo julgamento dos policiais Edinailton Pereira de Souza, Luiz Frederico de Oliveira e Jonathas Atenevir Jordão. Ao que tudo indica, porém, a espera está próxima do fim, já que o juiz responsável pelo caso marcou o Tribunal do Júri para os dias 3 e 4 de setembro. Segundo o processo, o advogado “foi vítima de uma execução sumária, estava totalmente indefeso”.
No julgamento que ocorrerá daqui a 2 meses, a pena máxima pela execução de Davi pode chegar a 41 anos de reclusão e 4 anos de detenção para cada policial. O cálculo soma os crimes de homicídio qualificado (até 30 anos), porte ilegal de arma raspada (até 6 anos), usurpação de função pública (até 5 anos) e fraude processual (até 4 anos). Se condenados a penas superiores a 8 anos, os réus podem iniciar cumprimento de pena em regime fechado e poderão sair presos do Tribunal do Júri. Todos estão sujeitos à perda automática do cargo público de policial militar, após o trânsito em julgado da decisão.
Relembre o caso
Davi Sebba foi executado no estacionamento de um hipermercado na Av. T-9, em Goiânia. Na época, o crime chocou a população pela brutalidade, visto que os três policiais militares teriam agido de forma coordenada para realizar uma emboscada contra o advogado. O tiro no peito atravessou seu coração e o matou de forma instantânea.
A crueldade do episódio foi acentuada pelo momento em que ocorreu. Davi foi morto no mesmo dia do nascimento de seu primeiro filho, Gabriel Davi, momentos antes de levar sua esposa para a maternidade, interrompendo tragicamente o início de uma nova família.
Visão da família sobre o julgamento
O caso virou símbolo da luta contra a violência policial e a impunidade em Goiás. Diante da brutalidade da emboscada, a família enfatiza que espera que a pena aplicada aos policiais seja a maior possível. “A definição da data representa um passo fundamental. Pretendemos que a pena seja a maior possível. Sabemos que isso não significa uma reparação da nossa perda, mas é uma medida de justiça contra uma ação tão arbitrária e brutal. Nossa família e amigos esperam que os responsáveis sejam julgados com a seriedade que o caso exige”, afirma Pedro Ivo Sebba Ramalho, irmão da vítima.
Os parentes reforçam que o teto da punição não significa uma reparação da perda — que é permanente —, mas sim uma medida de justiça rigorosa e necessária contra uma ação estatal tão arbitrária e violenta.
