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Imbecis do cerol

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17.07.2013 - 17:24:36

Goiânia – Outra vida foi perdida de forma de forma estúpida em Goiânia. Évelin Galvão, 20, foi brutalmente morta devido a um imbecil que insiste em soltar pipa com cerol. É deprimente. Parece que nos meses de julho e agosto é aberta a temporada de caça aos motociclistas em nossa cidade. Entra ano, sai ano, as notícias se repetem e famílias perdem entes queridos.

Esse é um daqueles casos que não falta informação a respeito. Quem gosta de soltar raia sabe que o cerol é perigoso, que estará colocando outras vidas em perigo, mas assume o risco. O poder público cumpre seu papel com várias campanhas educativas que esclarecem sobre os perigos de tal prática. Quem se dispõe a continuar com tal prática deve saber que caso mate alguém, terá agido no mínimo de forma culposa, tal qual conceitua o Direito Penal.

Soltei muita pipa quando era moleque. Na rua, em praças, nos terrenos baldios do bairro no qual passei minha infância. Convivi com o cerol de perto. Na inconsequência infantil, quebrei vidro de lâmpada fria de cozinha para fazer o maldito cortante que espalhávamos no fio. No entanto, nunca cheguei a passar o vidro moído com cola no fio ou na rabiola de minha raia.

Não por uma consciência cidadã. Eu era muito moleque para pensar nessas coisas. Mas sim porque vi um amigo cortar profundamente o dedo indicador quando tentava empinar a pipa que tinha cerol na linha. Naquele momento percebi que era perigoso. Preferia perder minha raia a cortar o dedo igual meu amigo.

Precisamos contextualizar que se tratava de outro mundo. Com bem menos informação e muito mais inconsequente. Basta lembrar que ninguém usava cinto de segurança, filtro solar era coisa para milionários e crianças não andavam como príncipes em suas cadeirinhas no banco de trás, mas sim no chiqueirinho dos veículos. E ninguém achava isso um absurdo. Era completamente corriqueiro, passávamos nos postos policiais assim e não havia problema algum. A percepção de segurança e perigo era bem diferente da do mundo atual.

Hoje, a existência do cerol é inaceitável. Fiquei ainda mais preocupado quando soube da existência da tal linha chilena que, segundo li, tem potencial de corte ainda maior que o cerol. Até onde esse povo quer chegar?

Como é mais tranquilo confiar no diabo do que no bom senso alheio, caso eu fosse motoqueiro, colocaria aquelas anteninhas espalhadas por tudo quanto é lado da minha motoca. Dizem que o seguro morreu de velho. Concordo com a tese. Prefiro morrer velhinho na minha cama, do que com a jugular cortada, perdendo sangue no asfalto. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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