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Cynnara Bretas (Foto: divulgação)

Comida é experiência

18.03.2026 - 09:36:49
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Durante muito tempo, comer fora era uma atividade essencialmente funcional: matar a fome, reunir a família em datas especiais ou celebrar um momento importante. Hoje, a gastronomia ganhou outra dimensão. Mais do que uma refeição, ela se transformou em experiência. E é justamente nesse cenário que festivais gastronômicos passaram a ocupar um lugar cada vez mais relevante na vida urbana.

Eventos dedicados à comida deixaram de ser apenas vitrines de chefs ou encontros de especialistas. Eles se tornaram espaços de convivência, lazer e descoberta. O público não busca apenas um prato saboroso; busca a atmosfera do evento, a possibilidade de experimentar algo novo, compartilhar a experiência com amigos, circular pela cidade e viver aquele momento coletivo que só um festival proporciona.

Essa transformação acompanha uma mudança no comportamento urbano contemporâneo. Em um cotidiano acelerado, as pessoas valorizam cada vez mais atividades que combinem entretenimento, socialização e cultura. A gastronomia ocupa naturalmente esse espaço porque reúne memória afetiva, identidade cultural e criatividade. Comer deixou de ser apenas um ato cotidiano e passou a ser também uma forma de participar da cultura de uma cidade.

Festivais gastronômicos têm desempenhado um papel importante nesse movimento. Eles criam pontes entre empreendedores e público, aproximam marcas de consumidores e oferecem visibilidade para pequenos e médios negócios que fazem parte da vida cotidiana das cidades. Para quem trabalha com comida, esses eventos funcionam como vitrine, laboratório de ideias e oportunidade de apresentar novos sabores ou releituras de receitas que já fazem parte do imaginário popular.

Do ponto de vista econômico, o impacto também é significativo. Festivais movimentam cadeias inteiras, como produtores, fornecedores, trabalhadores do setor de serviços, comunicação, turismo e economia criativa. Ao estimular o público a circular pela cidade em busca de diferentes experiências gastronômicas, esses eventos fortalecem o comércio local e geram fluxo para diversos bairros.

Há também um aspecto simbólico importante. Eventos gastronômicos ajudam a construir e fortalecer a identidade cultural de um território. Cada cidade carrega sabores, ingredientes e tradições que contam histórias sobre sua gente e seus hábitos. Valorizar essa culinária cotidiana, que é aquela que faz parte da rotina das pessoas, é também reconhecer a cultura urbana que se forma nas ruas, nos estabelecimentos de bairro e nos pontos de encontro informais.

É justamente nesse universo que iniciativas como o Festival Burger Time ganham relevância. Consolidado no calendário gastronômico goiano e chegando à sua quinta edição em 2026, o evento celebra dois protagonistas da cultura alimentar urbana: as hamburguerias e os tradicionais pit dogs. Mais do que uma disputa gastronômica, o festival transforma a cidade em um circuito de sabores, convidando o público a visitar diferentes estabelecimentos, experimentar receitas autorais e participar ativamente da escolha dos vencedores.

Com 42 participantes, sendo 37 hamburguerias e cinco pit dogs de Goiânia e Aparecida de Goiânia, o festival revela a força desse segmento que faz parte da rotina e da identidade da região. São estabelecimentos que ocupam um lugar afetivo na memória urbana goiana, funcionando há décadas como pontos de encontro noturnos, espaços de convivência e símbolos da comida de rua local.
Ao colocar hamburguerias e pit dogs no centro da experiência gastronômica, o festival valoriza empreendedores que muitas vezes nasceram de pequenos negócios familiares e que hoje movimentam uma cadeia econômica importante, gerando empregos e estimulando a inovação dentro de um formato de comida popular e acessível.
Outro aspecto interessante é o protagonismo do público. No Burger Time, são os consumidores que elegem os vencedores, avaliando não apenas o sanduíche inscrito, mas a experiência completa oferecida pelo estabelecimento, ou seja, do sabor à apresentação, do atendimento à higiene e à criatividade. Esse modelo reforça o caráter democrático do evento e aproxima ainda mais quem produz de quem consome.
Mais do que premiar um hambúrguer ou um pit dog, festivais como esse ajudam a contar a história de uma cidade através de seus sabores. Eles revelam talentos, fortalecem negócios locais e transformam a gastronomia em um elemento ativo da vida urbana.

No fim das contas, o sucesso desses eventos mostra algo simples, mas poderoso: as pessoas querem viver experiências. Querem descobrir novos lugares, compartilhar mesas, caminhar pela cidade em busca de sabores diferentes. E quando a comida se torna o ponto de encontro entre cultura, economia e convivência, o resultado vai muito além do prato servido.

*Cynnara Bretas é coordenadora geral do Festival Burger Time

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por Cynnara Bretas

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