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Mercado imobiliário de Goiânia vende mais de R$ 8 bilhões em 2025, segundo dados da Ademi-GO (foto: reprodução)
Mercado imobiliário de Goiânia vende mais de R$ 8 bilhões em 2025, segundo dados da Ademi-GO (foto: reprodução)

Mercado imobiliário de Goiânia supera R$ 8 bilhões em vendas em 2025, aponta Ademi-GO

Valorização de imóveis na capital segue expressiva

05.03.2026 - 11:08:26
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A Redação

Goiânia – O mercado imobiliário de Goiânia voltou a superar a marca de R$ 8 bilhões em vendas de imóveis em 2025, mesmo com juros elevados. Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) indicam que o setor movimentou cerca de R$ 8,1 bilhões no período, mantendo o patamar recorde registrado no ano anterior. “Pelo segundo ano consecutivo, Goiânia vendeu mais de 8 bilhões de reais em imóveis, mesmo em um cenário de juros altos. Esse fato demonstra como o nosso mercado mudou de patamar”, explica o presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo. Somente em 2025, foram comercializados cerca de R$ 8,1 bilhões, contra R$ 8,25 bilhões em 2024, uma variação de apenas 2%, o que demonstra o equilíbrio do mercado.

Membros da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) (foto: divulgação)
Membros da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) (foto: divulgação)

O diretor de pesquisas e estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, comenta que o mercado teve um incremento de cerca de 50% de vendas em um intervalo de apenas três a quatro anos. “Em 2021 e 2022, Goiânia registrou a venda de R$ 5,4 e R$ 5,7 bilhões, respectivamente. Em apenas três anos, o mercado subiu para o patamar de R$ 8 bilhões, ou seja, um crescimento de aproximadamente 50% no valor das vendas. Esse dado reforça como o mercado de Goiânia tem crescido de maneira consistente e saudável”.

Com relação aos lançamentos, os dados demonstram que a capital teve uma leve redução em comparação com 2024, se mantendo praticamente estável. Os lançamentos na capital caíram 6% em 2025, registrando o lançamento de R$ 8.9 bilhões. “Essa redução ajuda a explicar a razão da leve redução de vendas registradas, já que os novos empreendimentos movimentam mais o mercado, por meio da publicidade e consequentemente atraindo a atenção dos compradores”, explica o presidente do conselho da Ademi-GO, Fernando Razuk.

Informação compartilhada pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correa, “Goiânia mostra que mercados fora do eixo tradicional podem crescer com estabilidade. A cidade manteve desempenho consistente em todos os padrões de renda, o que indica base econômica sólida e capacidade de absorção de novos projetos. Esse equilíbrio cria previsibilidade para o investidor e amplia as possibilidades de expansão planejada”.

Valorização
A valorização dos imóveis na capital segue expressiva. Em 2025, o preço médio registrado em Goiânia para os imóveis residenciais foi de R$ 10.531,00, um crescimento de 13.4% com relação a 2024. “De 2021 para 2025, o preço dos imóveis praticamente dobrou em Goiânia, saindo de R$ 5.600,00 para R$ 10.500,00. Estamos em um ciclo de quatro anos de valorização de dois dígitos. Em 2022 e 2023, registramos uma valorização de 18% ao ano. Na sequência, um crescimento de 17% em 2024. Em 2025 esse ganho também foi expressivo. Esses dados de valorização levam em consideração apenas o valor de comercialização dos imóveis, ou seja, considera a média do valor do metro quadrado ofertado na capital”, afirma Credson Batista. O diretor lembra, porém, que além do ganho de valorização, os compradores têm um ganho adicional com a rentabilidade mensal dos aluguéis, o que torna ainda mais atrativa essa aquisição.

No recorte das ofertas, apenas nos quatro principais bairros da capital, Bueno, Marista, Oeste e Jardim Goiás, o preço médio do metro quadrado se aproxima de R$ 12.700,00. O bairro mais valorizado entre eles é o setor Marista, com o metro quadrado de R$ 13.326,00. ‘A valorização dessas regiões ocorre devido a maior oferta de serviços, lazer e conveniência. O Marista se sobressai exatamente por estar localizado entre os demais bairros mais demandados. Consequentemente, atende a um maior número de adquirentes valorizando ainda mais a localidade”, explica Credson.

No segmento dos edifícios comerciais o preço do metro quadrado médio se aproxima de R$ 16.000,00. Com destaque para alguns empreendimentos sendo comercializados acima de R$ 20.000,00 o metro quadrado na cidade. Demonstrando a solidez do segmento e sendo um reflexo da economia do Estado que cresce acima da economia brasileira por 15 anos consecutivos.

A valorização acentuada somada à segurança dos imóveis faz do setor uma opção confiável para investidores. “Estamos vivenciando um momento de grande volatilidade dos investimentos em bolsas de moedas, como dólar e ouro, e dos criptoativos. Como esse cenário, o mercado imobiliário deve atrair ainda mais investidores, que buscam bons retornos e de solidez nas suas aplicações”, comenta Felipe Melazzo. Esse dado é reforçado com a performance dos últimos lançamentos. A cidade encerra 2025 e inicia 2026 com a abertura de vendas de projetos que tiveram 100% das suas unidades comercializadas, um no Jardim Goiás e outro no Marista.

Fernando Razuk ainda destaca que como os juros do financiamento imobiliário são subsidiados, o retorno para o cliente se torna ainda mais interessante. “A taxa de juros média de um financiamento imobiliário atualmente é de 11,5% ao ano. Dessa forma, se os imóveis valorizaram 13,4% a.a. em 2025, a valorização dos imóveis foi maior do que os juros pagos ao banco. Ou seja, quem comprou um imóvel financiado ganhou dinheiro com a valorização. É uma forma de alavancar o patrimônio. Nos anos anteriores, com a valorização próxima a 20% a.a., esse ganho patrimonial foi ainda maior.”

MCMV
O estoque total de unidades residenciais em Goiânia fechou o ano com 12.067 unidades. O incremento com relação a 2024 se deu basicamente em função das unidades enquadradas no programa MCMV, que tiveram um aumento de 1.500 unidades no período. Credson Batista comenta que o estoque de unidades de médio e alto padrão registrou um leve aumento, chegando a 9.416 unidades, após uma queda em 2024. Porém, fechou o ano abaixo do estoque registrado em 2023, de 9.536 unidades. “Isso demonstra que o mercado segue com uma oferta equilibrada, com pequenas variações, e vendas consistentes”, diz.

O presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, comemorou esse avanço na oferta de unidades enquadradas no programa MCMV. “Esse incremento da oferta de habitações do Minha Casa Minha Vida ocorreu por uma série de fatores. Tivemos nos últimos um ajuste necessário no teto do programa, promovido pelo Governo Federal. Nós da Ademi participamos ativamente da aprovação da Lei de Habitação de Interesse Social (HIS) em Goiânia. E agora começamos a ver os frutos dessas medidas conjuntas. Queremos levar mais moradias de interesse social para a nossa população e por isso continuamos ativos nas discussões da regularização desse tipo de imóveis no Plano Diretor de Aparecida de Goiânia.” Apesar do incremento, o estoque das unidades enquadradas no MCMV representa menos de 22% do estoque na capital. “Esse número é muito baixo quando comparado à média do país. Para ilustrar, no quarto trimestre de 2024, 50% das unidades vendidas no Brasil foram de unidades dentro do programa”, registrou Marcelo Gonçalves, sócio da Brain Inteligência Estratégica, empresa responsável pela apuração de dados da pesquisa divulgada pela Ademi-GO.

Neste contexto, Melazzo reforça a importância da tramitação rápida desses processos relacionados às moradias de interesse social dentro do poder público para que, de fato, os benefícios da lei cheguem à população e facilitem a aquisição de sua moradia. “A demora no processo de legalização de novos empreendimentos preocupa a associação em função de uma eventual queda no número de lançamentos, o que pode impactar toda a cadeia produtiva da construção civil, principalmente na geração de empregos, por exemplo. A prefeitura tem a expectativa de entregar cerca de 15 mil unidades de interesse social. É um montante expressivo e existe a expectativa das empresas do mercado imobiliário de atender esta demanda e contribuir para que o município atinja a meta estimada. Por isso, mantemos um diálogo próximo com o prefeito e os secretários responsáveis por dar andamento às aprovações, para que juntos possamos viabilizar esse avanço para Goiânia”, afirma.

Perspectivas para 2026
Os dados sobre a intenção de compra de imóveis pelos brasileiros, divulgados pela Brain, demonstram que, apesar dos juros altos, nunca o brasileiro buscou tanto a compra de um imóvel como agora. Segundo a pesquisa, 50% dos brasileiros querem comprar imóveis e 35% desses querem comprar imóveis em até um ano. “Esse é o maior nível de intenção de compras desde quando a pesquisa foi iniciada, superando épocas de busca intensiva como na pandemia”, explica Marcelo. A queda de juros, prevista para iniciar esse ano, deve intensificar ainda mais esse cenário impulsionando o setor para um novo momento de crescimento expressivo.

Para o diretor de pesquisas, Credson Batista, 2026 tende a ser um ano muito positivo para o setor. “Já se antecipando ao movimento de queda da Selic, e consequentemente, dos investimentos em renda fixa, os bancos já anunciaram a redução nas suas taxas de financiamento de imóveis. O movimento começou com Itaú e Santander e foi seguido pela Caixa Econômica Federal. Estudos da CBIC indicam que a cada 0,25% de queda na taxa, mais 215 mil famílias passam a ter condições de adquirir seu imóvel. Com mais potenciais compradores, é natural que o preço suba e o investimento se torne ainda mais atraente e o mercado registre números ainda mais expressivos.”

O presidente da Ademi-GO reforça que essa tendência de valorização dos imóveis será mantida por diversos fatores. “O mercado segue sentindo os impactos do Plano Diretor, que reduziu o adensamento na cidade e, consequentemente, a oferta. Além disso, o setor segue pressionado pela elevação do custo, em especial, da mão de obra. No próximo ano, as alterações da reforma tributária entrarão em vigor e o nosso segmento terá um aumento real na carga tributária fazendo com que, necessariamente, o preço dos imóveis tenham de aumentar nos próximos anos. Tudo isso somado a um cenário de queda de juros, que levará a uma facilitação do crédito para o adquirente e aumento da demanda, e a busca de investidores por imóveis como proteção patrimonial, continuará a pressionar o preço dos imóveis para cima. Portanto, aproveitem esse momento para comprar e lucrar com a valorização”, garante Felipe Melazzo. Outro destaque para o ano vem no segmento MCMV é a meta estabelecida pelo Governo Federal deseja alcançar 3 milhões de unidades contratadas no programa. Com isso o volume de vendas tenderá a se manter intenso em 2026.

Para Fernando Razuk, os dados de 2025 foram muito positivos, apesar da Selic mais alta dos últimos 20 anos. Ele também enxerga um 2026 com muito potencial. “O ciclo de queda de juros leva a um aumento da procura por imóveis, já que mais pessoas têm a capacidade de comprar. Dessa forma, como o aumento da demanda, é natural que o preço suba. Assim, quem comprar agora, vai ganhar com a valorização dos imóveis. E quem não comprar agora, esperando os juros dos financiamentos baixarem, vai pagar mais caro nos imóveis. Portanto, é melhor comprar seu imóvel nesse momento e, se por acaso dos financiamentos imobiliários reduzirem, o cliente pode solicitar a portabilidade do financiamento para uma instituição que estiver com menor taxa. A portabilidade do financiamento é prevista em lei. Dessa forma, o cliente tem a segurança de tomar a decisão de compra e aproveitar para adquirir um imóvel antes que os aumentos de preços aconteçam.”

Para Felipe Melazzo, o momento atual traz ainda uma outra janela de oportunidade finita. “Com o aumento do custo de produção e a restrição de adensamento, o custo de reposição dos imóveis subiu. Ou seja, os novos lançamentos terão preços necessariamente maiores do que os empreendimentos que estão sendo entregues nesse momento. Desse modo, imóveis que estão prontos ou quase prontos têm um potencial de ganho ainda maior para os compradores”, diz. Fernando Razuk complementa que esses imóveis foram lançados em um outro momento de mercado e já tiveram grande parte do seu custo incorrido, tendo sido construídos por um custo menor. Além disso, muitos foram aprovados no Plano Diretor anterior, que permitia um adensamento maior dos terrenos. “A média praticada na cidade era de 10 vezes. Atualmente, esse adensamento está restrito a 7,5 vezes em função do novo Plano Diretor. Ou seja, o valor do terreno que antes era diluído em 100 apartamentos passa a ser diluído em apenas 75 apartamentos, levando a um aumento natural do preço das habitações. Os projetos aprovados no Plano Diretor anterior já estão se esgotando. Assim, se esse mesmo imóvel que está próximo da entrega fosse lançado hoje, teria um preço muito superior ao praticado para o empreendimento ser viável. Para quem compra, estes imóveis prontos ou quase prontos são oportunidades de lucrar com uma valorização certa a curto prazo”, finaliza.

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por Caroline Louise

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