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EUA atacam território da Venezuela e destroem estrutura ‘ligada ao narcotráfico’, diz Trump. (Foto: Reprodução)

EUA atacam território da Venezuela e destroem estrutura ‘ligada ao narcotráfico’, diz Trump

Especialistas da ONU denunciaram ação americana

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29.12.2025 - 19:50:26

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29/12), que os EUA atacaram e destruíram uma zona de atraque de embarcações na Venezuela supostamente usada pelo narcotráfico, o que seria o primeiro ataque em terra desde o lançamento da campanha militar contra o narcotráfico na América Latina.

“Houve uma grande explosão na área de um cais onde carregam as embarcações com drogas”, disse o presidente americano aos jornalistas. “Atacamos todas as embarcações e agora atacamos a zona [de atraque]… e já não existe”, acrescentou. “Estava na costa”, disse, sem detalhar se era uma operação militar, nem onde aconteceu o ataque.

Trump já havia mencionado o ataque em uma entrevista à rádio WABC na sexta-feira (26/12). Durante uma conversa com John Catsimatidis, o bilionário republicano e apoiador do presidente que é o dono da WABC, o presidente americano apontou que “uma grande instalação” havia sido destruída dois dias antes da conversa.

Depois das declarações, o jornal americano The New York Times procurou o Pentágono e a CIA, mas os dois órgãos disseram que não tinham informações para compartilhar. A Casa Branca também se recusou a comentar.

Ataque
Se a declaração de Trump estiver certa, esse seria o primeiro ataque conhecido em terra desde o começo da campanha militar contra a Venezuela.

O presidente americano havia prometido o início de uma ofensiva terrestre contra Caracas, mas não tinha anunciado um ataque. A Venezuela ganhou um protagonismo sem precedentes em 2025 ao se tornar alvo de uma campanha de intimidação do governo americano. Depois de mobilizar mais de 20% de suas tropas para o Caribe sob a justificativa de combater o narcotráfico, não está claro o que os Estados Unidos pretendem.

O contingente enviado por Washington a região conta com navios de guerra, o maior porta-aviões do mundo, submarinos nucleares, drones e bombardeiros. Além da intimidação, os EUA realizaram bombardeios em águas internacionais sob a alegação de estar matando traficantes que transportariam drogas para Washington. Mais de 25 ataques foram realizados e pelo menos 95 pessoas morreram.

Bloqueio de todos os petroleiros

O presidente americano também decidiu bloquear todos os petroleiros sob sanção que operem na Venezuela, resultando no confisco de pelos menos duas embarcações. Washington acusa Caracas de utilizar a venda de petróleo para financiar o “narcoterrorismo, o tráfico de seres humanos, assassinatos e sequestros”.

Apesar da justificativa oficial de combater o narcotráfico, indícios apontam que a intenção do presidente americano é retirar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, do poder. Os dois líderes chegaram a conversar por telefone e negociaram possíveis acordos, mas Trump não mostrou flexibilidade e deseja a saída do ditador, segundo jornais americanos.

Especialistas da ONU denunciam bloqueio
Em meio a campanha militar de Trump, especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciaram, na semana passada, o bloqueio naval ordenado por Trump. De acordo com eles, a medida americana constitui um “ataque armado” e viola o direito internacional.

“Não existe o direito de impor sanções unilaterais por meio de um bloqueio armado”, afirmaram os especialistas designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU – mas eles não falam formalmente em nome da organização. “Trata-se de um uso da força tão grave que é expressamente reconhecido como uma agressão armada ilegal na Definição de Agressão adotada pela Assembleia Geral em 1974”, apontam os peritos.

Para os relatores, a ação configura um ataque armado nos termos do artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que, em tese, confere ao Estado vítima o direito à legítima defesa.

Os especialistas também criticaram duramente os ataques de Washington a supostas embarcações de traficantes, ressaltando que não foram apresentadas provas públicas de que tais barcos estivessem, de fato, transportando drogas.

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU no dia 23 de dezembro ,Rússia e China criticaram duramente a pressão militar e econômica exercida pelos Estados Unidos sobre a Venezuela, classificando a postura de Washington como “comportamento de cowboy” e “intimidação”. O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, também se manifestou perante o Conselho: “Estamos diante de uma potência que atua à margem do direito internacional, exigindo que nós, venezuelanos, abandonemos nosso país e o entreguemos”. (Agência Estado)

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por Michelle Rabello

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