Michelle Rabelo
Goiânia – Depois de cinco dias de debates, discussões, plenárias e atividades culturais na capital goiana durante a 53º edição do Congresso da União Nacional dos Estudantes (ConUNE), foi definido o novo nome que vai representar a UNE até 2015. A pernambucana Virgínia Barros, 27 anos, é filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e foi eleita no domingo (2/6) com 69% dos votos.
Ao todo, 3.764 delegados credenciados votaram. Estes, representam 98% das instituições de ensino superior no Brasil e 2.607 optaram pela jovem que encabeçava a chapa "Bloco da unidade para o Brasil avançar". Virgínia inicia a gestão, referente ao biênio 2013-2015, focada na educação já que para ela o governo Dilma Rousseff é "inconsequente e omisso na fiscalização da qualidade do ensino superior privado". Virgínia assume no lugar de Daniel Iliescu.
Disputaram o comando da UNE as chapas "Bloco da unidade para o Brasil avançar", “Oposição de Esquerda da UNE”, escolhida por 16,4% dos votantes, e “Campo popular que vai botar a UNE pra lutar”, que alcançou 14,3% dos votos.
Assim que foi eleita, Virgínia Barros, fez questão de fazer duras críticas ao governo Dilma e elogiou Eduardo Campos (PSB), dizendo que o presidente nacional do partido, é um "grande governador" e que "ainda vai contribuir muito para o Brasil". A estudante, que cursa Letras na Universidade de São Paulo (USP), é formada em Direito e pretende levar a UNE por caminhos que passam principalmente pela educação, com a reinvidicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para o setor.
Além disso, Virgínia, que também é militante da União da Juventude Socialista (UJS), espera ampliar na UNE os encontros de estudantes negros, de mulheres e da diversidade sexual, avançar no debate sobre as drogas, denunciar o extermínio dos jovens negros e pobres, e lutar pela democratização dos meios de comunicação do país.
De imediato, os planos são reivindicar R$2,5 bilhões de reais no Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), cobrar do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, medidas para solucionar os problemas da expansão das federais já apontadas pela UNE, e defender a desnacionalização do ensino privado no país.
A reportagem do jornal A Redação falou com o presidente da União Estadual dos Estudantes de Goiás (UEE), Lucas Marques, também filiado ao PCdoB. O vermelho (como são chamados os integrantes do partido) disse que recebeu com muita satisfação o resultado da eleição e que o fato do cargo ser, a partir de agora, ocupado por uma mulher, pode ser interpretado como um grande avanço. Confira a seguir a entrevista na integra.
A Redação – O que a UEE achou da escolha do nome de Virgínia Barros para a nova gestão da UNE?
Lucas Marques – Nós da UEE ficamos muito felizes com o resultado da eleição. Eu tive a oportunidade de conversar com a Vergínia no primeiro dia do Comune e pude perceber uma estudante muito inteligente, com ideias sólidas e necessárias para o desenvolvimento do país.
AR – Virgínia é filiada ao PCdoB. Como isso pode refletir positivamente em Goiás?
LM – A gente não personifica as gestões. Nas passeatas e eventos da UEE, por exemplo, eu não sou o Lucas e sim a UEE. E actredito que assim vai acontecer com a Virgínia. Agora ela é a UNE: uma instituição pluripartidária, com membros de diversos partidos e até mesmo sem partido algum.

Estudantes vão às ruas para reivindicar melhoriasna educação – (Foto: União Nacional dos Estudantes)
AR – Durante o ConUNE, foi convocada uma Jornada de Lutas para os meses de junho, julho e agosto, com a pauta central da Educação brasileira. Como Goiás vai participar desta ação?
LM – A UEE já participa desta pauta. Procuramos sempre estar próximos dos Diretório Central dos Estudantes (DCE), dos Centros Acadêmicos (CAs) e diretamente dos estudantes. Em Goiás os problemas da educação são os mesmos encontrdados em todo o Brasil e por isso estamos sempre nos movimentando e convocando os estudantes para a luta, principalmente no que diz respeito às universidades pagas.
AR – Por que principalmente no que diz respeito às universidades pagas?
LM – Porque é ali que encontramos maiores dificuldades devido ao aumento das mensalidades sem devida regulamentação, ao tratamento errado dado aos alunos inadimplentes, entre outros problemas. A maior parte das pessoas que estudam nas universidades pagas são assalaridados e precisam de condições melhores para concluir o ensino superior.
AR – A UNE quer 10% do PIB para investir na educação. Uma meta intermediária já aprovada na Câmara estabelece que 7% do PIB sejam investidos no setor. O que você acha deste "meio termo"?
LM – Acho que todo ganho já é vitória, mas a nossa bandeira é de 10% e continuaremos lutando por isso. Nosso foco é este
AR – Com um gestão voltada, principalmente, para a educação, podemos falar de ampliação das políticas de cotas nas universidades em Goiás?
LM – A UEE briga pelas cotas visto que já ficou provado que o desempenho dos alunos cotistas é o mesmo dos não cotistas, o que nos obriga a lutar pelo rompimento da desigualdade. Assim poderemos ter um negro médico ou um negro ocupando um cargo de poder, por exemplo.