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Desafios do mercado de crédito marcam debates no 12º Congresso da Facieg

09.11.2025 - 10:45:00
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A Redação

Goiânia – A elevada taxa Selic e o ambiente de crédito restrito foram os principais temas em destaque no segundo dia do 12º Congresso da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias de Goiás (FACIEG), realizado nesta sexta e sábado (7 e 8) no auditório do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), em Goiânia. O evento, que também contou com palestra do ex-ministro Aldo Rebelo, reuniu lideranças empresariais de mais de 70 cidades com o objetivo de qualificar dirigentes das associações comerciais e prepará-los para os desafios econômicos previstos para 2026.

A diretora de Desenvolvimento da Central Sicredi Brasil Central, Cristieny Paiva, alertou que o cenário do crédito já era desafiador desde 2024, o que se agravou com a estabilização da taxa Selic em 15% neste ano, o maior patamar dos últimos 20 anos. Segundo ela, “a consequência disso é um mercado mais cauteloso, que obriga empresas e produtores a se adequarem em termos de garantias e fluxo de caixa”.

A executiva destacou ainda que o Brasil atravessa um nível recorde de inadimplência e de pedidos de recuperação judicial, o que impacta tanto as cooperativas quanto os bancos tradicionais.

“Vamos sair de 2025 ainda com muitas dificuldades e teremos de colocar alternativas estratégicas na mesa. A expectativa é de retomada apenas em 2027, com uma Selic por volta de 12% ao ano, ainda alta, mas em um ambiente mais aquecido e menos hostil”, avaliou Cristieny. Para ela, o ano eleitoral de 2026 poderá favorecer cortes graduais na taxa de juros, caso haja controle da inflação e redução da inadimplência.

O diretor-superintendente do Sicoob Nova Central, Ulisses Capistano, reforçou que o crédito depende essencialmente de confiança. “Sem confiança, não há crédito nem demanda. Quem investe precisa acreditar que vai crescer e, do outro lado, quem empresta precisa confiar que vai receber”, afirmou. Ele destacou perspectivas positivas para a produção agrícola e de grãos no Centro-Oeste, que podem impulsionar o comércio e demais setores da economia, apesar de margens mais apertadas na agricultura.

Ulisses também ressaltou o papel diferenciado desempenhado pelas cooperativas de crédito e da Caixa Econômica Federal, mais próximas do setor produtivo. “Em momentos de dificuldade, quando o sistema financeiro tradicional recua, as cooperativas prosperam. E queremos prosperar junto com os empresários goianos”, afirmou.

O presidente da FACIEG, Márcio Luís, lembrou que o empreendedor precisa manter o otimismo mesmo em cenários mais desafiadores. “Vivemos um cenário de crédito limitado e de uma gestão pública que pouco estimula a atividade empreendedora. Além disso, há gargalos como a falta de mão de obra qualificada e a defasagem da tabela do Simples Nacional, que empurra micro e pequenos empresários para a informalidade”, destacou. Para ele, o congresso tem o papel de fortalecer o espírito empreendedor e promover troca de experiências entre os representantes das associações.

Brasil competitivo
Entre os palestrantes do dia, o ex-ministro Aldo Rebelo defendeu que o Brasil precisa desatar seus nós regulatórios e explorar mais os seus vastos recursos naturais, como a energia hídrica, petróleo e terras raras, para se tornar mais competitivo no cenário mundial. Ele afirmou ainda que a Amazônia deve fazer parte do desenvolvimento nacional, com responsabilidade ambiental.

“A Amazônia não pode continuar sendo vista como um jardim botânico dos europeus. Eles poluem lá, e nós aqui sequestramos carbono para eles. Não podemos aceitar esse destino”, provocou.

Com mais de uma década de existência, o Congresso da FACIEG consolidou-se como um dos principais encontros do setor produtivo goiano. A edição deste ano contou com uma programação ampla, palestrantes de renome nacional e momentos de networking e troca de experiências entre as associações, reforçando a união e a representatividade do empresariado local diante dos desafios que se aproximam.

Leia mais:
Congresso da Facieg avalia cenários e perspectivas para 2026

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