Jales Naves
Especial para AR
Goiânia – Se uma obra não é reeditada fica esquecida. Para evitar essa situação, o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado quer firmar parceria com a Secretaria da Educação do Estado para produzir livros do escritor e sua distribuição às escolas públicas goianas, como ferramenta para estimular a leitura e a discussão das suas obras.
O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (7/11), no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, pelo presidente do Icebe, Nilson Jaime, ao empossar cinco novos membros do Instituto. Defendeu ser necessário editar e reeditar obras para manter vivo o interesse pelo autor e favorecer o conhecimento de seu trabalho.
Recentemente, o Icebe editou e distribuiu, em escolas, em parceria com o Sicoob UniCentro Br, o conto “A enxada”, de Bernardo Élis – que narra o percurso de um trabalhador rural, Supriano, à procura de seu instrumento de trabalho, a enxada, que permanece inacessível ao personagem até a última palavra do conto.

A escritora Ana Kelly Ferreira Souto Pinto foi empossada e passa a ocupar a Cadeira nº 1. (Foto: Divulgação)
“O alcance da obra de Bernardo Élis vai além das fronteiras regionais: sua literatura é universal, porque toca o que há de mais essencial na condição humana – a luta, a dignidade e a beleza que habitam os gestos cotidianos”, afirmou. “É nesse ponto que reside sua grandiosidade: falar de um lugar e, ao mesmo tempo, falar de todos os lugares. O Icebe é a prova de que o saber, quando firmemente enraizado na cultura, atravessa o tempo e dialoga com o mundo”.
Como frisou, assumir essa cadeira “é herdar uma história e ao mesmo tempo uma missão: educar, preservar e semear novos horizontes pela cultura”. “Cada novo titular que hoje ingressa traz consigo uma semente de conhecimento e de compromisso. Juntas, essas sementes formam um campo fértil de ideias e ações de onde nascem o pensamento crítico e o espírito literário, sustentados pelo compromisso com a educação e a cultura do nosso povo”, completou.
Em sua mensagem, frisou que as nações que compreendem o valor da cultura não a tratam como ornamento, mas como parte essencial do desenvolvimento. “A cultura gera valores que o mercado não é capaz de medir, mas sem os quais nenhuma sociedade se realiza”, defendeu. “O desenvolvimento, por sua vez, não se define apenas por indicadores econômicos, e sim pela capacidade de uma sociedade criar e compartilhar sentidos”. Citou o economista Jorge Arbache, que tem lembrado que o Brasil só alcançará verdadeira competitividade quando transformar seu capital cultural em força criativa e produtiva. “Goiás ocupa um lugar privilegiado nesse processo: é o coração do país e pode ser também o seu centro simbólico. O Icebe, ao integrar cultura e educação, constrói essa ponte entre o que sustenta a economia e o que inspira a civilização – lembrando-nos de que o crescimento só tem valor quando eleva o espírito”.