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Sobre o corredor da T-63

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14.05.2013 - 17:03:27

Goiânia – Toda vez que é vetado o parar e estacionar em uma avenida de
Goiânia, a grita é geral. “O comércio da via quebrará”. “Os clientes não têm
onde estacionar”. “A prefeitura não discutiu o assunto antes”. Já sou velho o
suficiente para que outros casos saltem em minha memória tal qual sapos no
brejo. As histórias da 85, T-7 e T-9 estão aí para não me deixar mentir. Só
muda o local dentro de nossa cidade, mas o papo é sempre o mesmo.

Entendo a preocupação dos comerciantes da T-63. É assim em
nosso mundo cão. Cada um que salve o seu. Mas não acho que seja tão
aterrorizador assim. No começo, a queda da movimentação será sentida. O momento
de adaptação é sempre mais tenso. Passado um tempo, tudo se normaliza. Alguns
não resistirão. Outros terão que mudar de ponto. Triste, mas essa é a vida. 

Não
há nenhuma intervenção urbana que não contrarie algum tipo de interesse. Na
construção de um viaduto, a imediação do local será alterada para sempre – olhe
o cruzamento da Independência com a República do Líbano e perceba. Na
duplicação de uma pista, um monte de imóveis precisará passar por
desapropriação – lembre-se da história da própria T-63. Na proibição de
estacionamento, o comércio sentirá o baque no primeiro momento. São efeitos
colaterais que não há como fugir.

Os corredores preferenciais são tendência em toda cidade que
se preocupa com a qualidade de vida de sua população. A maioria precisa ser
privilegiada. E a maioria está no transporte coletivo. Nesse sentido, a
prefeitura de Goiânia acerta ao comprar a briga e implantar essa política de
aumentar a fluidez dos nossos ônibus. Já basta de priorizar o transporte
individual: egoísta, poluidor e nada racional. Se o preço a ser pago para viver
em uma cidade mais decente é proibir o estacionamento em toda e qualquer avenida
de duas pistas, paciência. Que assim seja.

Além disso, nós precisamos perder o hábito interiorano de
parar o carro na porta de onde precisamos ir. Vivemos novos tempos. A gente
saiu do interior de Goiás para a capital, mas parece que o interior de Goiás
não saiu do nosso comportamento. Em nenhuma cidade com perfil cosmopolita isso
acontece. E não acontecerá mais em Goiânia. Para bater a real, já não está
rolando. Afinal, se não é proibido o estacionamento, provavelmente aquele lugar
já estará ocupado por outros carros antes de você chegar. É só fazer o teste.

Acho que a política de restrições para estacionar deve ser
ampliada. Tudo pela fluidez de nosso transporte coletivo. E precisamos também criar
alternativas mais contemporâneas para quem quer estacionar. Cadê os
parquímetros de Campinas? Cadê os edifícios de estacionamentos em pontos chave
da cidade? Cadê os estacionamentos subterrâneos a preço popular em nossas praças?
As restrições devem andar juntas das alternativas. E, até agora, só vejo ações
de um lado e o outro sendo esquecido.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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