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Amadorismo e nada para comer

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08.05.2013 - 17:33:02

Ainda na ressaca absurdamente entorpecente do show de segunda-feira,
ouvi um relato que me deixou constrangido por ser goianiense. Uma amiga saiu do
Serra Dourada com sua galera e estava procurando algo para comer. Nada mais
natural depois de quase três horas de show e mais não sei quantas esperando na
fila. Foi uma epopeia. Rodaram um milhão de lugares e acabaram em um fast food
reconhecido nacionalmente pelo péssimo hábito de errar pedidos, demorar
horrores e ter funcionários simpáticos como Paul McCartney, só que não.

Será que o empresariado de Goiânia não se ligou que das mais
de 40 mil pessoas que assistiram ao show, ao menos uma 10 mil estariam
esfomeadas? Segundo minha amiga, só topou com lanchonete fechada, comida
esgotada nos locais que trabalham 24 horas, restaurante que nem se dispôs a
abrir e alguns pit dogs mais lotados que a arquibancada no show. Quanto senso
de oportunidade, não… Uma baita segundona que por um motivo especialíssimo
seria uma excelente chance de faturar uma graninha a mais, em um dia
tradicionalmente morto da agenda gastronômica, e nego passou batido. Isso sim é
o que chamo de deixar o cavalo passar arreado.

Está faltando um espírito mais Sebrae para o pessoal. Uma
chance de ouro desperdiçada pela mais pura falta de planejamento. É de um
amadorismo de deixar boquiaberto. Imagino o quanto de turistas que vieram a
cidade para assistir ao show e saíram xingando Goiânia para suas cidades. E, cá
entre nós: de forma inteiramente justificável. Se uma goianiense apanhou para
arranjar um rango ruim e com um atendimento péssimo, quem não conhece as
entranhas de nossa capital foi dormir com o estômago roncando.

Se eu fosse empreendedor do ramo de restaurantes, teria
feito até uma promoção especial para quem apresentasse o canhoto do ingresso.
Pensaria em uma divulgação nas imediações do estádio. Nesse sentido, até a
confusão da fila seria uma ótima para quem tivesse organizado  algo nesse sentido. Mas a falta de visão
imperou e o público ficou a ver navios.

O serviço de entrega em domicílio ainda funciona de forma
insuficiente em Goiânia, limitado a poucos bairros mais centrais e de poder
aquisitivo elevado. Os horários de funcionamento são restritos e falta jogo de
cintura ao empresariado para perceber que ocasiões especiais merecem atenção
especial. Outro show do porte de Paul McCartney demorará a vir para cá. Ou
seja, outra oportunidade de faturar um trocado extra em um dia morto não
aparecerá tão cedo.

Não tenho pesquisas que garantam que o lucro seria certo,
porém, segundo o que me foi detalhado de lotação e falta de comida em vários
lugares descritos pela minha amiga, tudo me leva a crer que foi um baita
vacilo. Perderam o bonde e deixaram de faturar. Let it be…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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