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Robertão (de novo) pisou na bola

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30.04.2013 - 17:39:30

Goiânia – Na mesma proporção que gosto do Roberto Carlos, ele racha
minha cara de vergonha. Que o rei não bate bem da cachola, até mesmo ele sabe.
A imprensa já explorou as dificuldades e os tratamentos para transtornos diversos
que ele enfrentou. Mas sabe o que falta de verdade para Robertão? Um brother ao
seu lado para falar toda vez que ele pensar bobagem: “Velho, na boa, deixa isso
para lá!”. 

A última mancada do artista foi a notificação extrajudicial da
autora de Jovem Guarda: Moda, Música e
Juventude
. O livro de Maíra Zimmermann, lançado pela Estação Letras e Cores,
é a face pública de uma dissertação de mestrado. Não é a primeira vez que
Roberto Carlos rememora os censores pós-AI-5. A primeira e mais notória vítima
foi o jornalista Paulo César de Araújo. O livro Roberto Carlos em Detalhes, de sua autoria, foi recolhido das
livrarias e está atualmente fora de catálogo. Uma vergonha para a democracia
brasileira.

Tenho o livro de Araújo. Está na minha estante, mas ainda
não o li. A fila de obras é grande e ainda não chegou o momento dessa
publicação. Comprei assim que começou a conversa do processo de Roberto Carlos
sobre o autor. Com essa tradição de autoritarismo e afronta à liberdade de
expressão, eu sabia que o resultado seria a censura. Dito e feito. Menos mal
que garanti minha cópia. Estou querendo fazer o mesmo com o livro de
Zimmermann.

Confiar no bom senso de Roberto Carlos não dá. Seria igual
confiar na serenidade de Luís Fabiano ou na integridade de Paulo Maluf. A
motivação oficial, segundo os advogados do cantor, seria a caricatura da capa
que violaria o direito de imagem de seu cliente. Roberto Carlos não quer que
falem dele, não quer que comentem nada dele. Coisa de quem não aceita que é
imagem realmente pública.

Sabe aquela história clássica sobre o perfil de Frank
Sinatra que Gay Talese escreveu sem conversar com o cantor? Pois é, aqui no
Brasil acabaria com Talese nos tribunais e tendo que recuar. Uma vergonha! Quem
tem vida pública deve arcar com esse ônus. Não curte isso? Simples, preste um
concurso público e vá viver o dia a dia de um órgão do Estado. Sem glamour, sem
carrão conversível, sem especial de final de ano na Rede Globo. Nada na vida é
só benesse. A vida de artista também não. Só porque ele é o rei, não é
diferente.

Na boa, se o Erasmo Carlos tivesse mesmo a moral de um amigo
de fé, irmão camarada, chegaria no Robertão e diria: “qual é a sua, meu rei?”.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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