Adriana Marinelli
Goiânia – “Foi um pontificado fecundo e muito intenso.” A afirmação é de Wolmir Amado, reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), ao analisar o período em que Bento XVI esteve à frente da Igreja Católica. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação na tarde desta terça-feira (12/3), Wolmir, de 51 anos, que é mestre em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), destacou que Joseph Ratzinger teve uma posição histórica que merece ser reconhecida.
“Destaco que ele deu continuidade às Jornadas Mundiais da Junventude. E mais, ele continuou a tradição do Conselho Vaticano II, da realização do sínodo, que é um grande encontro de bispos para aprofundar um tema ou outro da história ou da Igreja, que seja complexo e que mereça uma reflexão”, afirma.
“Outro destaque, que acho que é o mais forte, é que ele teve uma forte produção intelectual. Foi um dos poucos papas que escreveu livros. Além disso, escreveu quatro importantes documentos, sendo três encíclicas, que são documentos dirigidos aos bispos de todo o mundo e, por meio deles, a todos os fiéis”, explica.
|
Wolmir e Bento XVI: registro que o reitor guarda em quadro em sua sala na PUC-GO (Foto: Geovanna Cristina)
|
A primeira encíclica, conforme citou Wolmir, foi Deus Caritas Est (Deus é amor), que trata fundamentalmente do amor Divino com o ser humano. “Ele faz uma reflexão sobre o amor e a afetividade. Claro que ele usou como base a Bíblia e a teologia, mas é um dos temas fortes nos dias de hoje”, ressalta o reitor.
A segunda teve como tema a Esperança: Spe Salvi (A Esperança que Salva), que trata da esperança cristã apontando para o futuro da humanidade. Segundo Wolmir Amado, a terceira é a Caritas in |
Veritate (Caridade em Verdade), que fala da caridade, mas o tema é voltado para o meio econômico, com foco na crise da economia mundial. “Bento XVI reflete que a raiz da crise vivida na Europa e nos Estados Unidos tem problema de fundo que é ético e não técnico".
Renúncia
O reitor da PUC-GO destacou que, assim como o restante do mundo, foi surpreendido com a notícia da renúncia do papa. “Eu tive o mesmo sentimento que a maioria: de surpresa. Não que eu desconhecesse a possibilidade de renúncia, mas não pensei que estaria vivo para ver isso. Afinal, isso não acontecia há 600 anos.”
“Apenas três razões podem levar à escolha do novo papa: morte, impedimento, que pode ser mental, ou renúncia. Poucas pessoas acreditam na renúncia, mas é uma coisa prevista e que poderia acontecer, como aconteceu”, complementa.
Wolmir destaca ainda os desafios do novo papa. “Há problemas vividos pela Igreja Católica, mas que vale observar que não se trata de problemas desse pontificado. Há problemas que são históricos ou que não são exclusividade da Igreja”, diz, ressaltando que acredita que o novo ocupante do cargo seja mais pastoral do que intelectual.
Novo papa
| Perguntado sobre a possibilidade do sucessor de Bento XVI ser brasileiro, Wolmir Amado afirma que há nomes fortes para o cargo. Assim como já foi dito anteriormente, o arcebispo de São Paulo Odilo Scherer, de 63 anos, e Dom João Braz de Aviz, de 64 anos, arcebispo de Brasília (que já foi arcebispo de Maringá), são apontados como favoritos. “Ele é um homem inteligente, fala muitos idiomas e tem uma história bonita”, diz Wolmir sobre Aviz. |
Wolmir Amado em encontro com o arcebispo de Brasília Dom João Braz de Aviz (Foto: arquivo pessoal)
|
Sobre outros nomes apontados como fortes para assumir a Igreja Católica, o reitor aponta o cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão, e o canadense Marc Ouellet. “Espero muito que o novo papa seja das Américas. Pode até ser argentino”, brinca. “A gente palpita sobre o conclave até trancarem as portas da Capela Sistina. Acredito que será um conclave rápido. Deve durar uns três dias”, comentou.
“Quanto aos nomes, claro que sempre tem aqueles chamados de favoritos, mas há situações da história que isso não foi levado em consideração. Tiveram situações que um favorito foi eleito, mas também aconteceu de se eleger um nome que não fazia parte da lista dos favoritos. João XXIII, por exemplo, ele não era favorito. Outro que não era favorito era João Paulo II, ao contrário de Bento XVI, que foi forte para o conclave”, finaliza.