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Paul McCartney com pequi

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12.03.2013 - 17:48:31

Goiânia – Não tem conclave papal que dê conta de sobrepor a notícia do dia para nós goianienses: fontes do jornal O Popular garantem que o show de Paul McCartney está confirmado em nossa cidade no dia 4 de maio, no Estádio Serra Dourada. Por intermédio do Governo do Estado de Goiás, teria sido levantado junto à iniciativa privada o valor suficiente para arcar com os custos do evento. Na boa, nem no meu delírio mais delirante sonhei que um dia seria possível ver um beatle em Goiânia. Ainda estou boquiaberto. Ainda tento duvidar da notícia. Ainda prefiro esperar mais confirmações.

Sou beatlemaníaco confesso. Tenho o Yellow Submarine tatuado no meu antebraço. Tenho tudo dos caras em vinil. Tenho fotos molduradas dos quatro nas paredes de minha casa. Já tive a possibilidade de ver os 50% da banda de Liverpool que anda é possível assistir: Paul em São Paulo e Ringo em Brasília. Duas experiências inesquecíveis de minha vida. Levo muito a sério tudo que envolve Beatles.

Assim como levo Beatles a sério, levo cultura também a sério. Por isso não gosto daquele argumento pueril de que “seria melhor gastar o dinheiro que o governo investe em cultura na saúde”, por exemplo. Na verdade, se fosse para seguir essa linha, só precisaríamos de um único ministério no Brasil, o “Ministério da Fome”.

Radicalizando essa mesma lógica, seria um absurdo gastar um real que seja em qualquer outra coisa enquanto tivermos um brasileiro passando fome. Para quê viaduto se temos gente passando fome? Para quê gastar com qualquer outra coisa se temos gente passando fome? Não dá para hierarquizar demandas como essas. Já diziam os Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Se Paul McCartney não justifica gastos públicos, não sei o que mais justificaria. Além disso, é dever do Estado garantir acesso à fruição de bens culturais. Discorda? Se organize para reivindicar uma nova Assembleia Constituinte.

Os ganhos de movimentação econômica são consideráveis. Pergunte para a rede hoteleira, empresas de traslado, taxistas, bares, restaurantes, ambulantes, profissionais de produções artísticas e categorias afins o que acham do show. Tenho certeza que a resposta será entusiasmada.

O ganho para a imagem de Goiânia, caso o evento role redondinho e nos conformes, também será gigante. A cidade se posiciona na disputa por grandes apresentações. Algo que, admito, eu não enxergava possibilidade real. Os produtores de shows internacionais naturalmente pensam que se o mercado consegue absorver e dar boas respostas a um show de McCartney, dá conta das necessidades de artistas de porte semelhante. Podemos entrar na rota de verdade.

Por fim, já que sonhar ainda não é politicamente incorreto, o que virá pela frente? Rolling Stones… The Who… Neil Young…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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