Yuri Lopes
Goiânia – Tem gente que adora dar palpite. Já o designer gráfico Daniel Motta gosta mais é de receber pitacos alheios. Gosta tanto que resolveu fazer uma urna de madeira com o pedido direto: Me Dê Um Conselho. Depois de mais de um ano colhendo os mandos e desmandos em São Paulo, Daniel transformou a coletânea em um livro. Da publicação em papel vieram três exposições, incluindo uma que atualmente está em cartaz em estações no Metrô de São Paulo.

Caixa de conselhos espalhada por São Paulo pelo designer gráfico Daniel Motta (Foto: divulgação)
Em entrevista ao Jornal A Redação, Daniel contou como foi o estalo para fazer o projeto, citou outro projeto que o inspirou, e revelou quais os temas mais recorrentes escritos nos bilhetinhos. Além disso, ele também deu um palpite ao repórter que vos escreve e que foi prontamente acatado. Confira abaixo a entrevista e alguns palpites que ilustram o livro e a mostra.
A Redação: Como surgiu a ideia de fazer o livro?
Daniel Motta: A ideia surgiu a partir de uma exposição que fiz no Metrô de São Paulo quando lancei meu primeiro livro,
Poptogramas, que era um livro de ilustrações. Nessa exposição havia um caderno de assinaturas para que as pessoas escrevessem o que acharam dos trabalhos e foi por causa desse caderno que quis fazer um trabalho em que as pessoas pudessem escrever algo diante de um pedido. Pensei em segredos, sugestões e várias outras coisas até me decidir por pedir conselhos.
A Redação:Você conhece algum projeto semelhante em algum outro país? Se inspirou em algum deles?
Sim. O mais famoso deles é o
PostSecret, que certamente foi uma inspiração.
A Redação:Ao final do projeto, quantos conselhos você conseguiu coletar?
Cerca de 2.500
A Redação:Quanto tempo durou o processo de coleta desses conselhos?
Ao todo foram 18 meses.
A Redação: Por que você acha que conseguiu tantos bilhetes com conselhos? Você acha que o brasileiro é um povo palpiteiro?
Não necessariamente palpiteiro. Acho que as pessoas teriam escrito algo independente do pedido. Eu penso que tanta gente parou pra escrever algo pela necessidade de se comunicar, de falar de algo que lhes é importante para alguma outra pessoa.
A Redação:Quais conselhos mais te marcaram, seja pela simplicidade ou pela criatividade?
Gosto muito de “Jamais use uma frigideira nu”. Simples e criativo. E muito verdadeiro. Gosto tanto que é o primeiro conselho do livro.
A Redação: Quais foram os temas mais recorrentes?
Três temas foram os que mais apareceram: religião, sexo e maconha.
A Redação:Algumas fotos dos conselhos ganharam uma exposição em estações do Metrô de São Paulo. O que você acha dessa iniciativa?
Acho muito bacana pois leva o trabalho para um público que eu não teria como atingir apenas com o livro. Essa é a terceira vez que exponho no metrô e sempre foi muito legal.
A Redação:Se fosse para você me dar um conselho agora, mesmo sem me cohecer, qual seria?
Dê a capa do caderno de cultura do seu jornal para o meu projeto. (você perguntou…)
A Redação:Você pensa em escrever outro livro? Está desenvolvendo algum outro projeto?
Por enquanto não. Ainda estou trabalhando na divulgação desse livro e como é um trabalho 100% independente, tenho que estar à frente de tudo e isso consome muito tempo.
Veja
aqui a entrevista de Daniel Motta no Programa do Jô.