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Presidente do Creci cogita exigência de diploma

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03.09.2011 - 18:42:22


José Cácio Júnior

A necessidade de se buscar especializações para garantir espaço no mercado de trabalho tem se tornado uma tendência crescente também no setor de corretores de imóveis. Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Oscar Hugo Monteiro Guimarães vai direto ao ponto. Ele acredita que, no máximo em dois anos, corretores de imóveis em Goiás terão a obrigatoriedade de fazer o curso de Ciências Imobiliárias.

Presidente do Creci desde 1995, Oscar lembra que o consumidor é que mais ganha com a existência do curso de bacharelado para corretores de imóveis. “Virão novos procedimentos, maneiras de atendimento, melhoria no marketing. O Direito Imobiliário será mais usado.”

O presidente do Creci comentou a experiência da última viagem realizada a Portugal e Espanha para conhecer os modelos dos países e apresentar aos europeus o conselho imobiliário goiano. Oscar não concorda que o mercado possa passar por um "boom" imobiliário e explica que o setor em Goiás está em franca ascensão, mas com solidez. Sem dados oficiais, ele  acredita que os 12 mil corretores ativos movimentam R$ 1,5 bilhão por ano em Goiás.

O mercado de corretores de imóveis pode começar a contar com um curso superior para a área. Qual é a vantagem e as principais mudanças que poderão ser sentidas com esse curso?

A grande vantagem é a característica de pesquisadores que os corretores de imóveis terão. O profissional estará mais ligado às áreas acadêmicas, tecnológicas, de pesquisa. O curso tecnólogo oferece a formação profissional. É igual o técnico agrícola e o engenheiro agrônomo, o técnico em edificações e o engenheiro civil. Nossa profissão vai ter o técnico em Gestão e Negócios Imobiliários, bacharel em Ciências Imobiliárias e o técnico em transações imobiliárias.

Qual a principal mudança no dia-a-dia da profissão?

Muda tudo. Qualquer profissional quando entra na academia muda. Virão novos procedimentos, maneiras de atendimento, melhoria no marketing. O Direito Imobiliário vai ser mais usado. A avaliação de imóveis será mais científica. Uma série de vantagens que esse novo profissional agregará. A tendência é transformar todos os cursos para bacharelado.

O diploma superior pode se tornar uma obrigatoriedade para exercer a profissão?

Dentro de algum tempo, por volta de dois anos, para ser dono de imobiliária, a pessoa terá que ser corretora. Para ter uma carteira de locação imobiliária, vai ter que ser corretor. Para administrar condomínios, terá que ser corretor com nível superior. Tudo isso vai mudar. O corretor de nível técnico vai fazer o serviço voltado à área comercial, como loteamentos e plantões de vendas. O corretor de seguros terá que ter curso superior.

Onde o curso é oferecido em Goiás?

Três universidades já ministram o curso em Goiás: o Centro Universitário Uni-Anhanguera, a Universidade Salgado Oliveira e a Faculdade Alfredo Nasser. No Brasil nós temos mais de 80 universidades ministrando o curso superior. Em Goiás temos pós-graduação e mestrado para corretor de imóveis e estamos preparando o doutorado. Isso para pegar os profissionais que estão saindo da sala de aula e melhorar a formação desses corretores.

Esses cursos oferecidos em Goiânia já são os de bacharelado?

É o curso tecnólogo. O curso de bacharel é oferecido no Maranhão e Santa Catarina. Nós estamos formando primeiro o tecnólogo para o profissional se acostumar com o meio acadêmico e depois ele se sentir preparado para a área de pesquisa.

Qual o objetivo da viagem que o senhor fez à Europa?

Verificar com se torna corretor em Portugal e na Espanha e tentar um intercâmbio cultural entre os corretores.

Qual é a vantagem de um intercâmbio entre os três países?

Eu pude verificar que nós corretores do Brasil estamos bem à frente. Aqui a profissão é regulamentada, lá não. Aqui estamos caminhando para o grau superior de ensino e lá não, basta ter um curso básico de 250 horas ou fazer uma prova. Em Lisboa (Portugal), a pessoa não pode trabalhar desvinculada à empresa. Na Espanha o corretor também precisa estar vinculado a uma imobiliária.

Eles possuem algum benefício que o corretor brasileiro não tem?

Eles são obrigados a fazer o seguro de responsabilidade civil obrigatório. E isso eu considero muito importante. Todo profissional precisa ter um seguro de no mínimo 150 mil euros. A apólice garante prejuízos que o corretor der ao vendedor ou comprador. E tem um seguro de caução para proteger o sinal do negócio no valor de 60 mil euros.

O sr. pretende implementar isso no Brasil?

Essas duas questões dependem de leis. Eu participei de reuniões com imobiliárias em Goiânia e elas acharam muito interessante. Nós estamos em contato com uma seguradora que está estudando a implementação do seguro, que não será obrigatório. E isso será um diferencial, pois o cliente terá uma segurança maior.

O que muda com a existência de um curso superior voltado ao corretor de imóveis?

A carga horária e o conhecimento que o profissional adquire. No Brasil nós temos um curso técnico de 800 horas que é muito fraco. As escolas estão ministrando o curso sem muito interesse na formação do corretor. Tem o curso superior tecnólogo de 1.600 horas e o bacharelado de 3.200 horas.

Qual avaliação faz sobre o mercado imobiliário em Goiânia?

O mercado imobiliário tanto em Goiás quanto no Brasil está em franca ascensão. É uma verdadeira expansão devido à falta de imóveis. Tem um mercado muito grande. As políticas financeiras eram voltadas aos bens de consumo rápido. Agora é que estão descobrindo o mercado imobiliário. Existia uma inflação muito grande e os juros eram muito altos. Para se ter uma idéia, em Portugal e na Espanha o juro de financiamento imobiliário é de 3% ao ano. No Brasil é de 10%, 12% ao ano mais correção monetária. Por isso que lá todo mundo tem imóvel. Aqui financia somente 60%, 80% dos imóveis.

Quanto o mercado movimenta em Goiás anualmente?

Nós não temos esses dados, pois é a Prefeitura de Goiânia, por exemplo, que possui as informações do Imposto Sobre Transferência de Imóveis (ISTI). Eu acredito que o mercado imobiliário de Goiás deve negociar em torno de 15 mil imóveis por ano. Se colocarmos a um preço médio de R$ 100 mil, chegamos a R$ 1,5 bilhão de movimentação. É muita coisa. E a tendência é aumentar.

Pode ter um “boom” imobiliário?

Nós temos começando o crescimento imobiliário. Eu não gosto de falar boom imobiliário porque representa algo que pode vir a estourar. O que estou vendo é um crescimento organizado para todas as classes sociais. Temos uma boa gama de produtos para as classes A, B, média alta e baixa. Para as pessoas de baixa renda. O mercado imobiliário em Goiás está em seu franco crescimento. Goiás hoje é um centro de moradia para quem está deixando os grandes centros. A produção industrial cresce muito no Estado. A expansão no agronegócio é enorme. As pessoas estão descobrindo Goiânia. E a grande maioria dos compradores são pessoas que estão chegando em Goiânia.

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