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Câncer e maternidade

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27.05.2024 - 11:08:08

Ser diagnosticada com câncer de mama pode ser uma notícia difícil, especialmente para as mulheres que desejam ter filhos. As dúvidas e preocupações sobre o impacto da doença na fertilidade, na gravidez e na amamentação são frequentes. Mas graças aos avanços na medicina e diversas opções disponíveis, muitas mulheres que enfrentam o câncer podem realizar o sonho da maternidade.
 
Não é comum ser diagnosticada com câncer durante a gravidez, mas pode acontecer. Principalmente pelo fato de que muitas mulheres estão optando pela gravidez mais tardiamente, ou mesmo, porque muitas neoplasias malignas vêm acometendo indivíduos cada vez mais jovens. Os tipos mais comuns de câncer durante a gravidez são aqueles similares em pacientes jovens, como câncer de mama, colo de útero, tireóide, intestino e ovário. Também tem uma incidência aumentada: melanoma, linfoma e leucemia. 
 
Vários estudos evidenciam que é segura a gravidez em mulheres com história de câncer e não há aumento do risco de recorrência. Dados recentes nos indicam melhoras consistentes no prognóstico da doença para diversos tipos, o que torna o sonho de engravidar cada vez mais possível para as mulheres que concluíram o tratamento ou que já passaram pela fase mais intensa da terapia do tumor. De uma maneira geral, é seguro tratar um câncer durante a gravidez, embora a conduta adotada e o tempo de início dos procedimentos possam ser afetados pela gravidez. Quando falamos em quimioterapia, por exemplo, a maioria tem efeitos limitados no feto no segundo e terceiro trimestre, permitindo que seja feita. Porém, não é segura no primeiro trimestre. 
 
Estudo divulgado pelo New England Journal of Medicine, uma das principais publicações da área médica do mundo, o POSITIVE trial, evidenciou que mulheres com câncer de mama inicial que interromperam seu tratamento anti-hormonal para engravidar não apresentaram maior risco de recidiva. A pesquisa foi feita com pacientes de 42 anos ou menos, em estadios I, II e III da doença e mostrou que é possível interromper a endocrinoterapia após uso entre 18 e 30 meses, liberando as mulheres mais cedo para a gestação. As descobertas nos fornecem informações fundamentais para respaldar o aconselhamento sobre a fertilidade de quem enfrenta a doença, orientando-as na tomada de decisões sobre o futuro familiar. 
 
Na maioria dos casos, as mulheres que tiveram câncer podem gestar e ter filhos saudáveis. No entanto, é importante conversar com o seu médico antes para avaliar os riscos e benefícios em cada caso. 
 
*Deidimar Abreu é mastologista da Oncoclínicas Goiás 
 
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por Deidimar Abreu

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