Logo

Ferramentas disponíveis aos usuários de plano de saúde no combate aos abusos

17.04.2024 - 11:08:54
WhatsAppFacebookLinkedInX

Recentemente, acompanhamos uma importante atuação e autuação do Procon Goiás no pronto socorro de um hospital de uma das maiores operadoras de plano de saúde do país. No  ato, dezenas de pacientes relataram demora excessiva no atendimento de urgência. Um relato que chama a atenção foi a demora de mais de 15 horas para aplicação de medicação no pronto atendimento. Os fiscais ainda ouviram depoimentos de pacientes que mencionaram, além da demora, falta de medicação, acomodação e internação.
 
Que os abusos e negativas de atendimento são cada vez mais frequentes, não é novidade, infelizmente e, dessa forma, o consumidor usuário, vulnerável, mesmo cumprindo regularmente com suas obrigações para com o plano, sofre um descaso recorrente que deve ser combatido para efetiva garantia do direito Constitucional à saúde, que não pode ficar apenas no papel.
 
Nesse contexto, é cada vez mais importante ao usuário estar ciente dos seus direitos e obrigações da operadora para que, mesmo no campo da luta individual, esses ilícitos não se perpetuem.
 
Mas se de um lado temos um consumidor vulnerável em relação à empresa, cujas ferramentas para agir são limitadas, o que esse mesmo indivíduo deve fazer para coibir e agir contra tais práticas abusivas?
 
Primeiramente, é válido destacar o canal de reclamações da Agência Nacional de Saúde, em que, por meio da plataforma gov.br, o usuário pode realizar uma reclamação (NIP), ou mesmo através do disque ANS (0800 701 9656). Muitos problemas são efetivamente solucionados no intermédio que a agência faz entre o usuário e o plano de saúde, tais como atraso na marcação
de consultas e terapias, negativas de exames, dentre outros que não tenham caráter de urgência. 
 
No site da ANS é possível localizar os prazos máximos que a operadora tem que disponibilizar uma consulta, exame ou procedimento.
 
O consumidor precisa saber que, frequentemente, a ANS suspende a comercialização de planos de saúde que tenham grande número de reclamações e que não estejam cumprindo suas determinações, o que faz com que cada registro seja muito importante, visto que as operadoras, na maioria das vezes, estão atentas a eles. Em alguns casos, o problema é resolvido em horas.
 
Para a lei, o plano de saúde é um produto e, nesse contexto, as relações entre o usuário e o plano estão submetidas ao Código de Defesa do Consumidor, sendo cabível, portanto, também a reclamação perante o Procon regional que instaurará processo administrativo para investigar o caso.
 
Paralelamente, por meio de um advogado especializado, o paciente pode buscar a justiça para resolver problemas de urgência, ou seja, que não podem esperar, como negativas de tratamentos, exames cirurgias indicados pelo médico que o acompanha que tenham devido registro na Anvisa e reparar os prejuízos sofridos em decorrência da abusividade ocorrida.
 
Para todos os casos, é evidente a necessidade do paciente se munir da maior quantidade possível de provas, tais como número de protocolo das mencionadas reclamações, bem como a negativa da operadora, por escrito, que deve ser concedida no prazo máximo de 48 horas a partir da solicitação feita no SAC da operadora, de forma escrita e fundamentada. Válido lembrar que a ausência de apresentação da negativa formal já pode configurar, por si só, abusividade.
 
Nesse contexto, consumidor protegido é consumidor informado. Por mais burocrático que possa parecer, é fundamental ao usuário não desistir e socorrer-se das ferramentas à sua disposição para poder fazer valer o seu direito de acesso integral à saúde.
 
Em suma, diante dos desafios enfrentados pelos usuários de planos de saúde no Brasil, é fundamental que estejam cientes de seus direitos e saibam como agir diante de práticas abusivas por parte das operadoras. A busca por soluções pode envolver desde reclamações junto à ANS e Procon até a busca por assistência jurídica especializada. Munidos de informações e documentação adequada, os consumidores podem se empoderar e combater violações, contribuindo assim para a efetiva garantia do direito constitucional à saúde e para a melhoria do sistema como um todo.
 
*Pablo Henrique de Lima Pessoni é dvogado desde 2016, graduado pela PUC Goiás. Atual Vice-presidente do Interior, da Comissão de Direito do Consumidor da OAB/GO. Atuante na área do Direito da Saúde e de Direito de Família. Pós-Graduado em Direito Civil, Processual Civil.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Henrique De Lima Pessoni

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]