Logo

Pink Tax: Mulheres pagam mais

18.03.2024 - 11:26:59
WhatsAppFacebookLinkedInX

A semana do consumidor serve como um estímulo para o investimento das empresas em promoções e condições especiais para as compras. A data foi criada para frisar a importância da defesa dos direitos do consumidor. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor é o instrumento legal que regulamenta as relações de consumo e institui uma política de proteção ao consumidor, considerado um sujeito vulnerável no mercado de consumo. Entretanto, apesar desse regramento voltado à defesa do consumidor, algumas situações ainda acentuam a vulnerabilidade dos compradores nas relações de consumo. Uma delas é a “pink tax”, ou taxa rosa, em uma tradução literal.
 
A “pink tax”, tecnicamente, não se refere à tributação, mas a uma diferença de valor em produtos destinados a mulheres e meninas que, usualmente, são mais caros que aqueles semelhantes destinados ao público masculino, fato que onera desproporcionalmente as mulheres consumidoras. Alguns produtos, como lâminas de barbear, peças de vestuário, brinquedos, artigos esportivos e até mesmo acessórios para bebês tem preços mais altos apenas por serem de cores comumente associadas ao gênero feminino (a exemplo do rosa), por conter elementos tipicamente ligados ao universo feminino, ou simplesmente pelas embalagens específicas para mulheres.
 
Esse problema é agravado quando levamos em consideração a diferença de renda entre homens e mulheres: segundo o IBGE, no Brasil, as mulheres ganham, em média, 30% a menos que os homens e, nesse contexto, a “pink tax” acaba sendo um instrumento que, além de desequilibrar a posição das mulheres nas relações de consumo, reforça a desigualdade de gênero na nossa sociedade.
 
Apesar da rede de proteção conferida aos consumidores no Brasil, os fornecedores ou fabricantes têm a liberdade de determinar o preço dos produtos. Entretanto, é possível questionar esse tipo de prática de diferenciação de preços por gênero. Nestes casos, recomenda-se que os recibos e notas fiscais sejam reunidos para que as consumidoras possam comprovar essa distorção de preços e formalizar reclamação junto aos órgãos de defesa do consumidor. Fotos dos anúncios também servem como uma demonstração de práticas discriminatórias às consumidoras por parte dos estabelecimentos comerciais.
 
De toda forma, o consumo consciente ainda é a melhor saída. A busca por alternativas aos produtos classificados como femininos é uma opção para que as consumidoras gastem menos, além da pesquisa de mercado em estabelecimentos diferentes que oferecem os mesmos produtos. Entretanto, é apenas com a conscientização da sociedade sobre a discriminação de gênero que práticas como a “pink tax” deixarão de existir e as mulheres poderão alcançar uma posição de equilíbrio maior nas relações de consumo. O essencial é que haja uma conscientização coletiva sobre essa prática discriminatória de gênero.
 
*Camila Santiago é docente do curso de direito da Estácio. 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Camila Santiago

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]